VULCÃO VILLARRICA


REALIZADA EM
DEZ / 2011

   


Garupa

Sai com muito pesar de El Calafate, queria ficar pelo menos mais alguns dias.
Como programamos outras aventuras, não poderia dar o luxo de dispensar, afinal poderia ser também muito interessante.
Colocamos como objetivo escalar o Vulcão Villarrica no Chile. A base fica em Pucon, então seguimos para lá, mas antes teríamos que passar em Bariloche. Que sacrifício, não?
Nossa idéia era seguir pela ruta 40, mas nos aconselharam a não ir, pois a estrada não estava boa e como estávamos sozinhos, resolvemos não arriscar. Afinal tudo estava dando certo, não tinha o porquê colocar tudo a perder.
Voltamos tudo e dormimos em Sarmiento (ARG). Não gostei, se pudesse escolher, me hospedaria em outro lugar, talvez em Caleta Olívia, mas precisávamos adiantar bem a viagem, quanto mais pra frente melhor.
Chegando em Bariloche senti falta da neve nas cordilheiras. Quatro anos atrás estava tudo branco, inclusive a estrada, na divisa com Chile. Comemos salmão, Parilla e com certeza bombons da Mamuska, sem dizer das maravilhosas Quilmes.
Dia seguinte, moto na estrada, agora livre dos ventos fortes que nos levaram até lá. Mais uma aduana, agora a do Chile. Quando cruzamos, percebemos a mudança que o vulcão que entrou em erupção causou. A paisagem estava totalmente seca e com muita cinza nas margens da estrada, mesmo assim estava tudo incrível. De repente um mirante para um lago. Inacreditável, a imagem que vi foi deslumbrante, um lago verdíssimo rodeado por arvores secas e com cores meio douradas. Mais uma vez a natureza mostrando que tudo se transforma, pois logo ali na frente o verde gritava dizendo que existia. A impressão que tivemos era que tinham regado. Era tudo tão verde que não dava pra acreditar como estava seco a poucos metros atrás.
Rodamos mais um pouco e vimos o primeiro vulcão, Osorno. Este também pode-se escalar. A entrada é por um parque e uma estrada asfaltada que leva até a base do vulcão. Ali tem a opção de conhecer uma gruta e ter explicação sobre as formações rochosas.
Em seguida vem Villarrica. Esta cidade cresceu tanto que fiquei super impressionada. Pensei, Pucon deve ser menor. Me enganei totalmente. Em menos de quatro anos a cidade que não passava de uma rua, cresceu mais de 20 vezes. Choquei.
Será que invadiram o vulcão? Ufa! Pelo menos isso não. Ele estava lá, intacto nos esperando para subir. Desta vez seria possível, porque no passado ele resistiu, não permitiu. Ficamos frustrados, mas respeitamos.
Tudo começa às 7h da manhã. A van passa no hotel e te leva até a base, onde tem um teleférico (R$ 24,00pp). A agencia cobra R$ 160,00pp com guia, van e roupas apropriadas. Dependendo da empresa você ganha um voucher para conhecer as termas.
Enfim, 31 de dezembro, o grande dia. Será que consigo?
É possível sim, é só ter cautela. A equipe tem que ter mais ou menos o mesmo fôlego.
Todos juntos como pingüins enfileirados. A princípio parece fácil, mas a medida que subimos vamos percebendo o quanto é longe. São 5 horas para subir e 2 para descer de esqui-bunda. A cada passo todos vão juntos, mas se “saco la foto todos param”. O guia me enchia o saco “Gritava todo tempo: Brasil, se tu para todos param, non saca la foto”. Virou até um rappy com direito a passinho e tudo. Como eu era a última do meu grupo, acabava atrapalhando o grupo de trás, mas não dava para deixar de “sacar la foto”, cada passo era um click, pena que a “cenícia”, a nevoa do vulcão, pairava ainda sobre a cidade. Pouco se via, mas já era o suficiente para me encantar. Muita água e muita comida. Parávamos o tempo todo para nos hidratar. Eu queria tirar fotos, mas era obrigada a comer. Acho que dei trabalho pro nosso guia...
Final de escalada, cheiro de enxofre e vista para mais três vulcões. Lindo, lindo, sei lá o que posso dizer. Só indo pra ver. O vulcão é inexplicável, parece algo tão calmo, não dá para imaginar do que ele é capaz e mesmo assim as pessoas o escalam e constroem casas e comércio bem próximo. Deve ser o poder de atração que ele exerce sobre as pessoas. O que sei é que ele exerceu sobre mim foi um cansaço que me impediu de ver a passagem do ano. Dormi exatamente 12 horas seguidas, das 21h às 9h.
Dia seguinte, depois do meu sono de beleza, acordo renovada, disposta a fazer tudo de novo, mas fomos o último grupo do ano. No dia primeiro não houve escalada, o vulcão descansou.
Então fomos curtir Pucon, mas apesar de ser uma cidade turística, tudo fecha. Os chilenos respeitam estas datas. Por sorte conseguimos comer um sanduiche antes de voltar para o hotel.
Tudo que posso dizer é que foi mais uma experiência magnífica. Só indo pra saber como é. Sempre falei que não preciso passar por todas as experiências do mundo para saber como é, basta ouvir as pessoas e prestar atenção. Realmente isto não é verdade. Há coisas na vida que só passando para saber como é.

Para isto, se dê a oportunidade e verá que é uma experiência única e intransferível.


Piloto

Há alguns anos atrás, o senhor vulcão Villarrica nos deixou por três dias plantados aos seus pés para que tentássemos chegar a sua cratera, e no fim não permitiu. Mas sem ressentimentos eu prometi, voltaremos!
E voltamos, e dessa vez ele estava de bom humor e permitiu que durante cinco horas subíssemos até a sua cratera, desfrutássemos do visual por alguns minutos e depois descêssemos escorregando feito um escorregador gigante. É indescritível o poder de atração que o vulcão exerce sobre mim, foi uma super realização.

Com muito respeito e admiração, muito obrigado Sr. Vulcão.


 

 

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
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