Versão Garupa
CHAPADA DOS VEADEIROS - GO
Versão Piloto
 


Cerrado ou Serrado?
Quando começa dar estes brancos é sinal que esta na hora de colocar a moto na estrada e viajar.
Na pesquisa, eis que surge o lugar “Chapada dos Veadeiros”. Pensando bem é longe e bota longe nisso, 1200 km para rodar em um só dia. Mas como o objetivo e se desligar, quanto mais longe melhor.
Depois de confirmada a grafia correta “cerrado”, resolvemos conhecer de perto, afinal teoria é bom, mas conhecer em loco é melhor ainda e por sinal não conhecíamos nada no estado de Goiás.
Tínhamos só cinco dias, provavelmente dois seriam de viagem. Então, somente três dias para conhecer 65.514 hectares de cerrado rupestre de altitude e formações rochosas que são consideradas as mais antigas do planeta. Com certeza não seria possível conhecer boa parte da chapada, mas poderíamos aprender muito em curto espaço de tempo.
Aterrissamos em Alto Paraíso de Goiás, falo assim porque a cidade é considerada ponto de encontro de extraterrestres. Fora isso também é vista como cidade esotérica mística, provavelmente por ser uma região rica em cristais e que no passado teve grande exploração com o garimpo. Mas a nossa visita se resumia ao ecoturismo, ao prazer de ver novos lugares, pessoas, histórias e o mais importante “conhecimento”, afinal é a única coisa que levamos da vida. Por isso que firmo e confirmo, investir em viagem é o melhor que uma pessoa pode fazer.
Logo ali tem também o distrito de São Jorge, porta de entrada do parque. São 36 km, sendo 23 de asfalto e 13 de terra, ou melhor, vulgo “fofão”, foi assim que apelidamos a estrada, ideal para quem gosta de 4x4, o que não era o nosso caso. A moto até passava, mas o pó e a educação de alguns motoristas tornavam impossível o deslocamento.
O tempo estava muito seco, com muito pó e a fumaça das queimadas. Haja pulmão.
Por cerrado entende-se também “queimado”, impressionante que algumas pessoas ainda acreditam que este é o melhor modo de resolver alguns problemas. Durante toda a viagem fiquei impressionada como o fogo queima aquela região. Foram praticamente 500 km só vendo a beira das estradas torrando. Na minha ignorância tive a oportunidade de saber que o cerrado é auto-inflamável. Existe uma espécie de planta chamada cadombá que solta um óleo e como a temperatura é muito alta, o contado desse óleo com a pedra extremamente quente pode gerar combustão, mas duvido que era o caso. Sei que a natureza tem os seus processos e compreendo que quando isso acontece espontaneamente é diferente de quando é intencional. Até a natureza sabe que depois de uma destruição vem a reconstrução. É assim em nossas vidas também. Aprendemos muito com o ecoturismo, por isso valorizo muito o trabalho dos guias que estudam o local e passam todo esse conhecimento para nós. Vejo que alguns deles fazem isso com muito amor e foi assim a minha experiência com o guia mais simpático da chapada, Veri Júnior. Tudo que vou dizer aqui, grande parte foi de suas explicações. Por isso a minha dica é sempre procurar um receptivo, além de ter mais acesso as informações, ajuda a manter estas pessoas na sua região preservando e mantendo a sustentabilidade.
A chapada tem diversas opções de passeios, mas o parque é o mais procurado. Algumas fazendas abriram suas portas para o turismo e cobram uma taxa para visitação.
Conhecemos a Fazenda São Bento (R$15pp) e a Fazenda Portal da Chapada (R$10,00pp). As trilhas não são difíceis, tem que ter paciência, aliás, é o que o guia Jr. Sempre falava “A paciência é amarga, mas no final colhe frutos doces”. É isso mesmo, temos que desenvolver a paciência e respeitar os limites de cada pessoa e no final chegávamos em cachoeiras maravilhosas, nossos frutos, inclusive geladíssimas. Nos meses de junho, julho, agosto e setembro é o período em que a água esta mais fria, mas no resto do ano a água é quente. Duvido muito, mas se o Jr disse vamos acreditar.
No segundo dia visitamos a cachoeira da muralha (R$15,00pp). Já no caminho vimos um fenômeno da natureza, uma gameleira abraçando um indaiá. Espera aí, não é nada do que você está pensando, é simplesmente uma espécie de árvore que envolve em outra, tipo uma parasita. Pode olhar aí do lado que você vai entender. Depois fotografamos uma ave chamada Curicaca, conhecida como puxa saco de fazendeiro, porque ela come todos os carrapatos da criação. Vimos também a Caliandra, uma flor linda do cerrado. Depois fomos nos deliciar na águas gélidas do Rio dos Couros.
À noite resolvemos nos aventurar até São Jorge, mas conseguimos rodar só 4 km na terra. Foi uma loucura, a estrada estava tão ruim que desistimos. Não dava para enxergar nada quando um carro passava e levantava aquele poeirão. Lembrei daquele trecho da bíblia “Do pó viestes ao pó retornarás”. Pensei, será que vou virar pó?
Pra que isso não acontecesse resolvemos voltar e passar em um posto, pegar o calibrador de pneu e retirar todo aquele pó.
Terceiro dia, finalmente vamos conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
No caminho paramos para fotografar o Jardim de Maitréa, trata-se de um grupo místico de cavaleiros que acreditava que ali se encontrava a 5º dimensão. Conhecemos também um dos morros mais famosos da chapada, o Morro da Baleia, dizem que ali está a maior placa de cristal do mundo. Logo em seguida chegamos em São Jorge e matei a minha curiosidade. Fiquei pouco tempo, foi só uma passagem e a impressão que tive é que o local é bem rústico, com as ruas todas de terra. As pessoas que optam por se hospedar ali vão encontrar diversas pousadas com preços que variam de R$ 80 a R$ 300,00. Quem quer sossego total pode optar em ficar de segunda a quinta, mas geralmente aos finais de semana o local fica bem agitado.
Na entrada do parque tem todas as regras para poder fazer as trilhas, que por acaso são duas, ambas com aproximadamente 12 kms. Impossível de fazer no mesmo dia pelo grau de dificuldade. Só é possível fazer com guia, nem adianta insistir porque eles são super rigorosos quanto a isso. O valor é R$ 100,00 para grupo de até 10 pessoas.  O dia estava muito quente, a umidade do ar em 6%, extremamente ruim para caminhada, mas não podíamos deixar de conhecer. Algumas pessoas do grupo resolveram não ir. Compramos mais água para ir se hidratando até chegar a cachoeira mais próxima e poder se refrescar. No Rio dos Couros até podíamos beber da água, mas no Rio Preto, devido ao dióxido de ferro era melhor não arriscar. E por falar nisso, acabamos não experimentando uma comida típica chamada Matula, porque nos informaram que é muito forte e gordurosa e quem não tem costume pode estranhar, já o empadão goiano eu indico, é muito bom e vale à pena repetir.
Voltando ao Parque, em toda a trilha pisávamos em quartzo de cristal, acho que é dai que vem toda a energia deste local.
Saindo de lá fomos conhecer o Vale da Lua. Lugar único, muito diferente de tudo que já vi. Seria interessante passarmos mais tempo lá, mas tínhamos que voltar. Que pena!
Final de viagem, ou pelo menos final das trilhas. No dia seguinte, domingo, era o dia da volta. Mas antes de finalizar tenho que dizer que foi uma viagem muito especial. A nossa turma era formada por pessoas interessantes e bem diferentes, assim como o cerrado. Se for comparar posso dizer que era composto por diversas espécies e tenho certeza que eles não se importariam, porque fazemos parte da natureza e diferente do que muitas pessoas pensam o cerrado é muito rico, e por sorte pude perceber uma riqueza em cada um deles. O ecoturismo é assim, nos dá a oportunidade de respeitar cada um com suas diferenças e limites e faz a gente perceber que quando somos respeitados passamos a viver melhor e em harmonia.

“Tire apenas fotografias, deixe apenas suas pegadas, mate apenas o tempo e leve apenas suas memórias”

 

   



COMO CHEGAR

Partindo de São Paulo são 1.200 km até a cidade de Alto Paraíso de Goiás.
Seguimos pelas rodovias Bandeirantes e Anhanguera e na seqüência pela BR 050, BR 040, GO 436, BR 251, DF 230, DF 345 e BR 010 até chegar ao nosso destino final.

ESTRADAS

Como já é de conhecimento de todos, as rodovias paulistas são famosas pela qualidade e também pelo alto preço dos pedágios que se paga para poder desfilar sobre elas, mas no caso da Bandeirantes e Anhanguera, nós motociclistas não pagamos, pelo menos por enquanto, melhor assim!
Nas demais rodovias, apesar de não terem as mesmas condições das rodovias paulistas citadas, não deixam muito a desejar, apenas na BR 050 próximo a Araguari é que está em obras para duplicação.

 

TERÇA-FEIRA – São Paulo / Ribeirão Preto

Conhecer a Chapada dos Veadeiros já estava no meu caderninho de projetos futuros há bastante tempo, não pelo lado esotérico que a região também é conhecida, mas pela riqueza do ecoturismo, só precisava arrumar tempo. E a oportunidade surgiu num feriado de 7 de setembro que caiu numa quarta-feira. Resolvemos sair de São Paulo na terça a noite e dormir em Ribeirão Preto para ganhar tempo.

QUARTA-FEIRA – Ribeirão Preto / Alto Paraíso - GO

Acordamos cedo e seguimos por mais 900 km até Alto Paraíso, no coração da Chapada dos Veadeiros. Como chegamos no final da tarde, fomos direto para a pousada Recanto de Grande Paz e depois de um merecido banho resolvemos experimentar o famoso empadão goiano, na própria pousada, acompanhado de uma cerveja gelada para descer a poeira da garganta. Muito bom.

 

QUINTA-FEIRA – Alto Paraíso – GO

Hoje começa nossa aventura pelas trilhas da chapada, acordamos cedo e logo após o café da manhã o nosso guia Veri Junior já estava nos esperando na recepção da pousada. Junior nos explicou como seria o nosso dia, e partimos rumo a Fazenda São Bento, como a estrada de terra nesse trecho estava em boas condições, fomos de moto seguindo a Pajero 4x4 na companhia de outros aventureiros.
Logo cedo o calor já era forte e até o meio dia chegaria facilmente aos 34 graus, o tempo seco e a poeira parece que aumenta ainda mais a sensação de calor, ainda bem que por aqui no fim de toda trilha tem uma cachoeira para se refrescar.
Depois de vislumbrar e se deliciar nas águas das cachoeiras Almécegas I e II pegamos a trilha de volta e fomos conhecer o Portal da Chapada, parece pouco, mas aqui se caminha muito e mesmo com o lanchinho oferecido pelo Junior, entre uma trilha e outra, no final da tarde já estávamos ficando verde de fome. Como uma recompensa nosso almoço foi no restaurante Avalon, um dos melhores da cidade.
Depois de um dia cansativo, mas muito divertido, nada como um banho e rua de novo, dessa vez fomos tomar cerveja e dar um pouco de risada com nossos amigos de trilha Alex, Letícia, Pepe, Fabi, Paola e Rafael, depois cama porque amanhã tem mais.

 
SEXTA-FEIRA – Alto Paraíso – GO

Amanheceu e novamente após o café da manhã o Junior nos esperava nosso destino de hoje é a cachoeira da muralha, e como ela fica bem mais distante e a estrada não está em boas condições, resolvemos deixar a moto na pousada e seguir junto com o grupo de carro. O visual é mais fácil de ser definido através das fotos, mas, a sensação de se refrescar nessas águas num calor de mais de 30 graus, só estando lá para saber como é.
À noite, atendendo ao pedido da Débora, fomos até a cidade de São Jorge, ou melhor, tentamos ir. São Jorge fica a 36 km de Alto Paraíso, só que 12 de estrada de terra, nos primeiros quilômetros a sensação é que estávamos andando sobre todas as costelas de vaca da região, parecia que soltaria todos os parafusos da moto, para piorar um pouco mais, entramos numa piscina de areia fofa de uns 40 cm de profundidade, e para piorar mais ainda passaram por nós três carros que levantaram uma nuvem de poeira que eu achei que nunca mais iria ver a luz novamente. Isso foi motivo mais do que suficiente para fazer meia volta e encontrar nossos amigos novamente e tomar algumas cervejas para tirar o pó da garganta.

SÁBADO – Alto Paraíso – GO

Agora sim, com o dia claro, e agora de carro, vamos de novo para São Jorge, e quando chegamos no “trecho fofão” da estrada, aquele com 40 cm de profundidade, percebemos que havia um desvio lateral, que na escuridão da noite não vimos, mas mesmo assim não se pode ter dó do carro, a estrada estava bem ruim, mesmo para o carro, inclusive alguns acidentes aconteceram nesse dia.
Hoje faremos a trilha mais puxada, dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e finalizaremos no Vale da Lua, acho que as fotos falam mais e melhor do que as minhas palavras.

DOMINGO – Alto Paraíso / São Paulo

Depois de curtir as cachoeiras da chapada, subir e descer montanhas, caminhar por trilhas de pedra e muita poeira, acordamos as 5:30 da manha dispostos a encarar os 1.200 km que separam Alto Paraíso de São Paulo, foi praticamente um “Iron Butt”, e depois de 12 horas de estrada com três paradas, uma a cada 300 km chegamos de volta a São Paulo, cansados, com as bundas quadradas, mas já com o próximo destino na mira.
Sempre vale a pena!

RECOMENDAÇÕES

Para quem pretende conhecer a Chapada dos Veadeiros de moto, acho que a melhor opção é ficar hospedado em Alto Paraíso, pela infra-estrutura que oferece de pousadas, bares e restaurantes, além dos bons serviços de guia.
Como todos os passeios são por estradas de terra, e algumas delas não estão nada bem conservadas, o melhor a fazer é deixar a moto na pousada e contratar um guia, que te pega cedo na pousada num veiculo 4x4 e leva você para conhecer todos os segredos e encantos escondidos pela chapada.
Aceite uma dica, contrate os serviços da Alternativas Ecoturismo e diga que você quer ser guiado pelo Junior, nascido e criado em Alto Paraíso, além de conhecer tudo da chapada é um cara extremamente educado e capacitado.
A pousada Recanto da Grande Paz é uma das melhores da cidade, oferece chalés confortáveis, um belo jardim com piscina e tem um bom custo x beneficio.
Escolha os passeios que você pretende fazer de acordo com o seu condicionamento físico.
Respeite a natureza, não fume ou faça fogo, traga seu lixo de volta na mochila.

Até a próxima!


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIAGEM CARBONO ZERO
Moto Modelo
km Percorrido
KgCO2e
Árvores Plantadas
BMW GS 1200
2.400
239,4
2,39
Em respeito ao Planeta e apoio ao Programa Jovem Meio Ambiente e Inclusão Social (PJMAIS), nossas viagens levam este selo.
 Viagem realizada em:
 07/09/2011 a 11/09/2011
 Quilometros Rodados
 2.400 ida e volta
 Despesa Hospedagem

 Pousada Recanto da Grande Paz - www.pousadarecantodagrandepaz.com.br
 Tel.: 62 3446-1452
 R$ 144,00 a diária (baixa temporada)

 Despesa Passeios
 R$ Mais ou Menos R$ 600,00 o casal - Depende dos passeios escolhidos (inclui  lanches + guia + entradas dos passeios)
 www.alternativas.tur.br - Tel.: (62) 3446.1000 - 9669.8163
 Despesa Combustível R$ 486,00 (169 litros de gasolina)
 Despesa Alimentos
 R$ 320,00
 Classificação da Cidade
 Alto Paraíso - cidade mística e com turismo ecológico - boa infra-estrutura
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