Versão Garupa
CAMINHOS DA CORTE - SP
Versão Piloto
 



Quando um homem olha para seu passado ele não está sendo só nostálgico, com as coisas ruins ele aprende a melhorar e as boas lembranças ele leva para o futuro. Toda vez que passamos pela estrada real isso sempre vem a mente. Como era difícil a vida naquela época, fico imaginando os meios de transportes, as péssimas rotas, o tipo de roupa que se usava, mas em compensação as maravilhosas comidas ainda são preparadas da mesma maneira. Quem não gosta de uma comidinha típica preparada no fogão a lenha?

No roteiro Caminhos da Corte no Circuito Vale Histórico você poderá vivenciar um pouquinho daquela época. Lógico que as estradas hoje em dia são outras e os meios de transportes nem se fala. Que estradas maravilhosas para rodar, só isso já valeu o passeio. Quem gosta de natureza, serras, curvas, santuários, antigas construções, parque ecológico, nascentes e muita história, vai encontrar tudo neste roteiro.

Nesta região foram construídas as primeiras fazendas cafeeiras, hoje, muitas delas abertas para o turismo. Algumas já se transformaram em pousadas e outras só para visitação. A estrada dos tropeiros é a rota para todos estes destinos, e fica entre as serras da Bocaina e Mantiqueira.
Toda a história você pode aprender e vivenciar fazendo este roteiro, agora, quero descrever um pouco da emoção que foi transitar por estas estradas.

Entramos por Rezende-RJ, mas o ideal é por Queluz ou Silveiras (SP). Como adoramos andar de moto, partimos do princípio que quanto mais longe melhor. A gente nunca erra, no máximo prolonga o prazer.
Nosso primeiro destino era chegar ao Restaurante da D. Licéia, que fica no pé da Pedra de Caxambú, 4km da cidadezinha de Arapeí. Atenção, a melhor opção é chegar com moto que anda na terra, porque senão o tombo é certo. Neste dia, antes de chegarmos, choveu. Estava parecendo um sabão, e como o assunto é emoção,  deu pra sentir mais ou menos como era naquela época.

Chegamos e logo vimos um monte de animais espalhados pelo quintal; peru, pato, galinha D’Angola, marreco e outros. Mal podíamos imaginar que nossos amiguinhos seriam mais tarde nossos pratos principais.
O restaurante D. Licéia é diferente de tudo que eu já vi. A impressão que tive foi que estava na casa da minha vó esperando ela preparar o almoço, a única diferença é que naquela época eu ficava brincando no terreiro, o que não pegaria muito bem neste momento, não é?  Minha sugestão é começar devagar, porque não tem miséria, é muita comida pra uma pessoa só. Ela começa servindo uma entrada de queijos e tomate seco com torradas. Depois vem os patês, mais ou menos uns 12 tipos. Saladas completas com todos os ingredientes vindos da horta da fazenda. Satisfeito? Ainda tem mais. Ela se aproxima da mesa e oferece uns 6 pratos a sua escolha, pato, truta, galinha, feijão tropeiro, coelho  e marreco. Optamos pelos mais simples, tropeiro e truta, pelo menos não sacrificaríamos os bichinhos do quintal. O Sr. Peru se tornou até amigo do Zé, chegaram quase a dividir um copo de coca-cola. Mas pra mim ele pareceu mais um garoto propaganda do que um prato principal, pois não parava de posar para as fotos.
Pense em sobremesas, pense mais um pouquinho, acredito que tinha umas 30. Fique a vontade, não é enfeite, é para comer mesmo. Agora acabou... Ainda não, tem o cafezinho passado na hora, algumas bolachinhas e um bolo de fubá feito com milho moído ali mesmo no quintal.

Hora de ir embora, mas quem disse que dá coragem. Depois de comer tanto, dá vontade de dormir. Pena que não podíamos, já era tarde e tínhamos que voltar antes de escurecer. Foram mais ou menos 2h30 literalmente dentro da cozinha de D. Licéia. O segredo é não ter pressa e se você gosta de prosear, fique a vontade.

Ainda estava claro e resolvemos explorar mais um pouquinho a região. A topografia é maravilhosa, se não fosse a ameaça de uma chuva, ficaríamos rodando até cansar de ver tanta coisa bonita. Ela não só ameaçou, mas chegou de fato e nos molhou inteiro. Adivinha, não tínhamos roupas. Legal né? Tivemos que parar em Areias e nos hospedar. Escolhemos uma pousada que é um casarão de 1728, chamado Hotel Solar Imperial. O mais engraçado desta história é que não podíamos sair do quarto, pois nossas roupas estavam molhadas. Acho que valeu a lição, quando erramos no passado, tentamos acertar no futuro. Lembra do início deste texto?

Resumindo, faltou muita coisa para fazer, como por exemplo, trilhas pela Serra da Bocaina, apreciar um pouco mais cada cidade e visitar outros pontos turísticos. E isso é muito bom, nos fará voltar mais uma vez para o passado. Pensando assim, acho que vem coisa boa para o futuro, heim! Aguarde.

Inté.



   


COMO CHEGAR
Partindo de São Paulo são 300 km até a cidade de Arapeí, seguindo pelas rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Dutra e dos Tropeiros.

ESTRADAS
As estradas paulistas são reconhecidamente as melhores do Brasil, e nessas em particular e na Dutra, motos também pagam pedágio.
A rodovia dos Tropeiros merece um destaque especial, não pelo fato de não cobrar pedágio, mas pelo belíssimo visual que ela oferece e pelas inúmeras curvas que cortam as montanhas da região.

O QUE FAZER
Primeiro curtir o prazer de andar de moto, sempre. E, de preferência por lugares que privilegiam o verde, e as montanhas que rodeiam as cidades dos Caminhos da Corte.
Esse é um roteiro que se destaca pela arquitetura e culinária da região das fazendas paulistas de café, rota de tropeiros e parte da Estrada Real.
Cidades como: Queluz, Areias, São José do Barreiro, Bananal, Arapeí com suas fazendas e casarões históricos, oferecem muitas trilhas, cachoeiras e nascentes entre as Serras da Bocaina e da Mantiqueira. Por isso tudo vale muito a pena passar um fim de semana ou um feriado prolongado por essas bandas.

COMER & BEBER
Um dos locais de destaque do roteiro Caminhos da Corte é o restaurante da Dona Licéia, na cidade de Arapeí. Reconhecido e destacado por vários guias e revistas especializadas em gastronomia.
Depois de rodar por quatro quilômetros por estrada de terra, entre uma vaca e outra, chegamos ao Sitio do Vale e entre as galinhas da angola, patos e perus que passeavam pelo terreiro lá estava o restaurante da Dona Licéia.
O destaque inicial fica pelo lado lúdico, de voltar o tempo, do almoço de fim de semana na casa da vovó. A cozinha e o salão se fundem em um único ambiente rodeados de queijos, doces e licores e da simpatia da proprietária e seu filho e garçom Eduardo.
O cardápio não é muito democrático, a única opção é o menu degustação. De entrada uma cumbuca de queijos artesanais ao molho com tomate seco, na sequencia patês com torradas e em seguida salada com verduras e legumes colhidos na própria horta. O prato quente pode ser escolhido entre truta, coelho, galinha ou o feijão tropeiro e para fechar um farto buffet de sobremesas.
A indicação de um restaurante pode ser uma via de mão dupla. Pode-se chegar num dia em que tudo saiu perfeito, ou não.
Restaurante muito recomendado corre o risco de perder o poder de surpreender, e frustra toda a expectativa gerada.
 O restaurante da Dona Licéia não me surpreendeu.

MEUS COMENTÁRIOS
Essa viagem nasceu com a ideia de conhecer um restaurante muito recomendado, dentro de um sitio numa cidade a cerca de 300 km de São Paulo. Partimos não muito cedo, quase 10 da manhã, entramos na estrada dos tropeiros por Rezende e depois de rodar uns 20 km por estrada de terra chegamos a Arapeí e fomos direto almoçar. Na volta o planejado era seguir pela estrada dos tropeiros até Cachoeira Paulista, depois  Dutra e São Paulo, mas a chuva nos pegou no meio do caminho, e como estávamos sem roupa de chuva resolvemos dormir em Areias. Não vai dar pra falar muito da cidade porque como a roupa estava toda molhada e não tínhamos outra o jeito foi dormir cedo. Mas, sem dúvida essa é uma região que merece ser explorada com mais tempo.
Até a próxima!

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Viagem realizada em:
 31/03/12 a 01/04/12
 Tipo de viagem:
 Fim de semana
 Quilometros Rodados
 627km
 Horários
 Ida: Saída: 10h30 - sábado
 Volta: 11h - Chagada: 14h - domingo
 Despesa Combustível
 R$ 80,00 - Pedágio- R$ 35,00
 Despesa Alimentos
 Almoço: R$ 70,00 pp - Restaurante D. Licéia
 Despesa Hospedagem  Hotel Solar Imperial - Areias (SP) - R$ 80,00 - casal
 
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