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Garupa
Infelizmente não conseguimos realizar os quatro esportes no mesmo
dia. Às 16h30 o Centro de Paraquedismo de Boituva tinha encerrado
as atividades. Mas conforme informações de nossos amigos
pilotos, o que fizemos no dia anterior, praticar os três esportes
em cidades diferentes, é algo difícil de conseguir, não
só por por depender do clima e das condições dos
ventos, mas também pelo deslocamento.
Didi (voo livre) lança o desafio para qualquer pessoa que queira
tentar.
Domingo amanheceu feio em São Paulo e pensávamos que não
daria para fazer o salto de paraquedas. Mas recebemos a ligação
do Eliseu da Escola Paulista de Paraquedismo dizendo que o céu
estava lindo e que aquela era a hora. Às 12h estávamos lá.
E agora, quem seria? Será que o Zé iria amarelar?
Engano, adrenalina pura. Era a hora dele também desopilar o fígado,
sentir fortes emoções, e fazer o fio terra. Opa! Brincadeirinha.
Perco o piloto, mas não perco a piada.
Pra mim é um dos esportes mais seguros, porque como diz o Eliseu,
se não fosse, usaria mais de um paraquedas reserva.
Tive a oportunidade de fazer a 10 anos atrás e pra quem eu posso
eu indico, aliás, é um esporte que deveria ser praticado
pelo menos uma vez por mês. Não tem nada melhor que faça
você esquecer tudo o que está sentido durante uma queda livre.
Decisão difícil de tomar, mas uma vez tomada, verá
que valeu muito a pena. Escolhemos Boituva por ser o maior centro de paraquedismo
da América Latina e pela oportunidade oferecida pela Escola Paulista
de Paraquedismo, que além de salto duplo, eles realizam cursos
para iniciantes apaixonados pelo esporte.
E se você não quiser realizar o salto, dê uma passadinha
por lá só pra ver a cara dos que descem em suas quedas livres,
tenho certeza que você mudará de idéia, pelo menos
eu mudei.
O salto será relatado agora pelo piloto, mas quero aproveitar para
agradecer as pessoas especiais que nos proporcionaram estas experiências
fantásticas que ficarão pelos restos e nossas vidas, e acredito
que depois disso, renderá uns 10 anos a mais de horas extras.
Inclua em seu projeto de vida, que além de plantar uma árvore,
escrever um livro, realize um destes esportes de aventura, afinal a vida
é experimentar, então Experimente!
Piloto
De São Paulo a Boituva são 120 km pela Rodovia Castelo
Branco, em bom estado.
Agora chegou minha vez de experimentar o vento na cara de cima para baixo,
até aqui eu só tinha pegado vendo na horizontal.
Logo que chegamos no hangar da Escola Paulista de Paraquedismo fomos muito
bem recebidos pelo Eliseu que me apresentou para o Marcão, que
seria meu anjo da guarda, ou melhor, meu anjo da retaguarda.
Depois de um breve treinamento é hora de trocar de roupa e encarar
esse desafio. Apesar do friozinho na barriga me senti muito seguro e confiante
com a experiência e a tranquilidade transmitida pelo Marcos.
Sentados no chão do avião estávamos Eu, Marcos, Adriano
(nosso fotógrafo) e mais um bando de malucos, todos aguardando
alcançarmos 12 mil pés de altitude, (pouco mais de 3.600
metros), para abrir a porta do avião. Ai sim o frio na barriga
aumenta, depois do último ajuste nos cintos que me prendem ao Marcos
(nunca fui tão encoxado), seguimos para a porta do avião
e com o coração na boca mergulhei no infinito.
Sinto muito, mas a sensação é indescritível.
Por 40 segundos caindo a 200 km/h a queda livre é simplesmente
alucinante, sem comparação com nada, e ainda da tempo de
ficar brincando com o nosso fotógrafo.
Quando o paraquedas é lançado o tranco é forte, parece
que você esta subindo novamente, mas depois é muito suave
e dá tempo até pra brincar um pouco, fazer umas curvas de
um lado pro outro, bater um papinho e de repente você já
está no chão.
Ah que pena, já acabou!
Dá vontade de subir de novo.
Essa é uma experiência que quem puder e tiver um pouco de
coragem deve ter, pelo menos uma vez na vida. Nunca mais vai esquecer,
é muito bom mesmo, e super seguro.
Depois de dois dias de muita adrenalina, diversas sensações,
muito frio na barriga e de mais de 840 kms rodados, uma das melhores coisas
dessa aventura foi ter o prazer de conviver com algumas pessoas muito
especiais, que valem ser lembradas pelo espírito aventureiro e
ao mesmo tempo conscientes da responsabilidade profissional que cada um
tem ao nos proporcionar um pouco de toda essa miscelânea de emoções.
Obrigado Feodor e toda a equipe de resgate do lindíssimo balão
azul.
Obrigado Cláudio e equipe do voo a vela pela simpatia e o prazer
de voar.
Obrigado Didi pelo voo de Asa Delta e por achar eu pesado demais.
Obrigado Marcão, Eliseu e Adriano pelo salto, foi duca...
* Fotos aéreas e vìdeo:
Adriano Assunção
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