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“Ando devagar porque já tive pressa e levo este
sorriso porque já chorei demais...”
Esta foi mais uma daquelas viagens que nos ensinam muito
sobre a vida.
Foram 12 horas de garupa quase sem parar, nossa sorte é o fuso
de 1 hora que faz a gente ganhar tempo na chegada.
Pantanal Express foi o tema deste roteiro por causa da rapidez que tivemos
que ir, conhecer e voltar de Mato Grosso do Sul. A princípio seria
apenas uma viagem para conhecer o Trêm do Pantanal, já conhecido
como o Trem do Lula.
Saímos na sexta feira cedinho para então pernoitar em Campo
Grande e logo pela manhã pegar o trêm e viajar durante 12
horas até Miranda, que é uma pequena cidade que faz parte
do imenso Pantanal. Logo imaginei que não agüentaria todo
este tempo. Já fiz outras viagens de trem, mas não tão
demorada assim. Engano total, na realidade nem percebemos o tempo passar,
pois a viagem é muito interessante, com belas paisagens, paradas
em alguns vilarejos com direito a recepção dos moradores
do local. Além de tudo isso tivemos também interatividade,
isso mesmo, a Trupi do Pantanal, que são dois artistas com um repertório
muito bom de músicas e textos com propostas ecológicas e
culturais, divertidíssimos. Sem contar com os monitores que estão
presentes o tempo todo tornando a viagem ainda mais agradável.
Só um detalhe, se comprarem a classe econômica, não
terão direito as estas vantagens, por isso indico a classe turística.
O trem dispõe também das classes executiva e super luxo.
As poltronas são confortáveis e caso venha viajar com amigos
ou familiares, elas viram e formam tipo um lounge.
Acho importante também avisar que por enquanto eles estão
com saídas aos sábados retornando aos domingos (consulte
a BWT operadora)
Viajar de trem é literalmente desacelerar. Às vezes, na
correria do dia a dia nem paramos para observar e apreciar as coisas simples
da vida. Quem vive nos grandes centros, sabe muito bem do que estou falando.
Não dá nem para imaginar o que vem a ser 30km/h, a não
ser no engarrafamento do trânsito.
Por esse e outros motivos é que de vez em quando temos que desacelerar,
e esta viagem de trêm, por durar 12 horas, nos dá a oportunidade
de reaprender a observar e perceber que nem tudo na vida tem que ser pra
ontem. Que os detalhes realmente fazem a diferença. Acreditem se
quiser, mas no decorrer da viagem teve momentos que achei que o trêm
estava rápido demais, pois quando queria tirar uma foto já
tinha passado e eu perdia a cena.
Fora tudo isso, tivemos a oportunidade de conhecer parte da maior planície
alagadiça do mundo e ela está aqui no Brasil e é
todinha nossa.
Nosso plano era voltar no dia seguinte no mesmo trêm que sai por
volta das 8h. Mas seguindo a sugestão da BWT, a operadora que nos
proporcionou este passeio, resolvemos conhecer um pouco do Pantanal, pois
durante a viagem de trêm não é possível avistar
os jacarés e nem ter uma idéia o que vem a ser uma fazenda
pantaneira.
Chegamos à noite e a nossa intenção era ganhar tempo
e fazer uma focagem noturna, que é uma espécie de safári,
mas devido ao horário não foi possível. Aproveitamos
então para fazer um outro tipo de focagem, a festa Junina, com
direito a pau de sebo, fogueira, leilão, barraquinhas e música
típica.
No hotel em que nos hospedamos em Miranda, a proprietária Fátima
nos sugeriu visitar duas Fazendas muito conhecidas na Região, a
Fazenda San Francisco e a Fazenda Cacimba de Pedra. Por ser também
operadora de turismo, ela nos presenteou com estas duas visitas por meio
período em cada. Geralmente você pode dormir nestas fazendas,
pois elas viraram pousadas ou se preferir ficar na cidade, pode passar
o dia e fazer as seguintes atividades: safári fotográfico
para conhecer os animais diurnos/noturnos e seus hábitos; passeio
de chalana, pescaria; cavalgadas; canoagem.
O ideal é ficar um dia em cada e usufruir de tudo um pouco, mas
como o tempo estava curto optamos pelo safári fotográfico
na Fazenda San Francisco, onde fomos orientados pelos simpáticos
guias, Leandro e Armando. Não tivemos a oportunidade de fazer um
passeio de chalana, mas acabei fazendo algo muito diferente, pesquei um
jacaré, não estava nos meus planos, mas acabou acontecendo.
É que enquanto pescávamos piranha para alimentar um Gavião
amigo da fazenda, o faminto do jacaré veio roubar a minha isca.
Na hora pensei que fosse um dourado, por causa do peso, mas de repente
aparece o guloso enganchado no anzol. Isso não é estória
de pescador não, é pura verdade.
Bonito mesmo foi ver o vôo rasante do gavião para pegar o
peixe, só aí já valeu muito, o passeio da chalana
fica pra próxima.
Para passar o dia na fazenda custa por volta de R$ 90,00 por pessoa ,
mas acredito que cada uma deve praticar um preço de acordo com
as atividades que proporcionam. É só pesquisar.
Depois de almoçar com um casal super simpático e com histórias
interessantes, fomos para a Fazenda Cacimba de Pedra. Lá fomos
guiados pelo Cláudio, irmão do Armando, lembra? Acho que
a família toda é guia. Gente boa demais da conta, eles falam
assim mesmo, lembra muito o povo de Minas. Esta fazenda tem um criadouro
de jacarés para abate. Incrível, mas mais uma vez vocês
não vão acreditar, fizemos um passeio de barco num lago
cheio de jacarés enormes, na realidade eu não sei onde estava
com a cabeça, o que a gente não faz por umas fotos. Pensando
bem, acho que eu não faria novamente, vai que o barco vira. Tivemos
a oportunidade de saber tudo sobre os jacarés, desde o nascimento
até o fim de seus dias, no caso da fazenda, na hora do abate. Ali
os jacarés têm os dias contados. Mas não se preocupem
tudo é feito corretamente de acordo com o Ibama.
Hora de tocar o berrante, várias tentativas e nada. Etá
coisinha difícil. Desta vez não deu, tenho que treinar,
quem sabe daqui um ano. Neste caso vamos experimentar o Terere. O que
é isto? É uma bebida típica da região, lembra
muito o chimarrão.
Fim de tarde, mais um presente fantástico, lua cheia, lindíssima,
não poderia ter final mais encantador. Tínhamos que ir embora,
nosso ônibus partiria as 19h40minh. Valeu muito a pena. Faria tudo
de novo, mesmo com essa correria toda.
Foi uma viagem única, daquelas que ficará em meu coração
por muitos anos, quem sabe pra sempre. Conhecer o Pantanal, de moto, de
trem, de ônibus, a pé, de barco... seja como for é
muito bom. A vida simples das pessoas do campo, o jeito lindo de ver a
vida e saber agradecer a cada momento através do respeito à
natureza, faz com que eu tenha uma admiração muito grande
por estas pessoas e me motiva a voltar mais vezes e a dizer para vocês
que não deixem de conhecer o Pantanal.
“Hoje me sinto mais forte, mais feliz
quem sabe ,eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada
sei...”
Tocando em frente – Almir Sater e Renato
Teixeira
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COMO CHEGAR
A 1.030 Km de S. Paulo. Pela Castelo Branco / BR 262
ESTRADAS
Até a divisa de estados entre SP/MS, no lado paulista,
as estradas são ótimas, com excelente asfalto, postos de
combustível, socorro mecânico da concessionária, mas
é só atravessar
a divisa que você já
percebe a diferença no asfalto.
Daí em diante é preciso redobrar a atenção,
a pista oscila entre trechos de piso bom e trechos com muitas irregularidades.
Por ser pista única de mão dupla e com muitos caminhões
deve-se ter atenção o tempo todo.
Pra quem curte fazer uns lanchinhos pela estrada, aproveite enquanto estiver
por São Paulo depois as opções são poucas.
O QUE FAZER
Essa é uma viagem pra quem curte rodar muito de
moto e não faz muita questão de curvas (como alguns amigos).
É reta praticamente todo o tempo. Depois de rodar 1.030 km até
Campo Grande, nos hospedamos no Concord hotel, que além de bem
localizado tem uma ótima cama. Claro que antes fomos aproveitar
uma festinha junina na
Casa do Artesão ao lado do hotel, tudo “de grátis”.
No dia seguinte às 7:30 embarcamos no Trem do Pantanal, rumo a
Miranda, são 230 km percorridos a 30km/h. Não se assustem
não, é pra desestressar mesmo, tá com pressa?
Chegamos às 18h. E pra quem pensa que demorou se enganou. A paisagem
é linda, parece que durante toda a viagem uma pintura vai passando
pela janela. As poltronas são muito confortáveis, e dá
pra virar uma de frente para a outra, fica ótimo. Durante toda
a viagem rimos muito com uma dupla de palhaços/cantores que animam
a viagem. Além de todas as histórias bem humoradas dos guias
Bruno, Samantha e Fábio, que vale um agradecimento especial pela
atenção e carinho que tiveram conosco. Ah, e ainda tem o
vagão bar/restaurante. Almoçamos em Aquidauana, onde o trem
faz uma parada.
Em Miranda, que é uma cidadezinha pra lá de simpática,
ficamos hospedados na Pousada Águas do Pantanal, que além
de estar localizada próxima das principais fazendas, tem até
uma piscina pra descansar e tomar uma cerveja na volta dos passeios.
Pra variar um pouco a noite fomos a uma grande festa junina que rolava
na cidade.
Dia seguinte 8h já estávamos na Fazenda San Francisco, uma
típica fazenda pantaneira, fizemos o tour pelas trilhas numa pick-up
adaptada para levar turistas a um safári fotográfico. Após
contemplar a natureza e conhecer de perto várias espécies,
ainda deu tempo de conhecer a famosa chalana. Almoçamos, Ufa! E
seguimos para a Fazenda Cacimba de Pedra,
que é um criadouro de jacarés, onde até beijo em
jacarés você pode dar.
Depois de conhecer todo o processo de criação e preservação
desses animais, conhecemos também um pouco da estrutura da pousada
da fazenda, tudo de muito bom gosto e muito bem cuidado, sem dúvida
vale muito a pena conhecer.
No começo da noite estávamos nós de volta a Miranda,
um rápido banho, beijos e abraços de despedida, com promessas
de voltar com mais tempo, e embarcamos agora no ônibus que nos levou
de volta a Campo Grande. Chegando lá, agora sem festa junina, dormimos
e no dia seguinte às 8h embarcamos na V-Strom rumo a São
Paulo, chegamos na Marginal Pinheiros exatamente às 18h, da pra
imaginar o contraste? Já começou o estresse de novo!
Aproveito o trânsito e já começo a planejar a próxima
viagem.
COMER & BEBER
Nesse quesito vou apenas destacar o que mais gostei,
até porque nossa viagem foi bem corrida e realmente o que mais
queríamos era comer com os olhos.
Tomamos nosso café da manhã chacoalhando no trem, e olhando
as pinturas passar pelas janelas, chato né?
Almoçamos muito bem na Fazenda San Francisco, simples, mas delicioso.
O café da manhã da Pousada Águas do Pantanal, super
bem servido.
MEUS COMENTÁRIOS
Acho que uns dois ou três dias a mais, para
fazer esse roteiro, não seria uma má idéia. Daria
para ir até Bonito, que fica a 140 km de Miranda ou ainda, até
Corumbá 220 km e depois até a Bolívia quem sabe,
melhor não. Chega! se não daqui a pouco estamos no Peru
de novo.
Mas na verdade o Pantanal é muito grande e tem muita coisa pra
se fazer e conhecer. É um excelente roteiro pra se fazer de moto,
com boas estradas, mesmo as de terra que levam até as fazendas,
são tranqüilas até para motos custom. E pra quem pretende
fazer essa viagem em grupo, consulte o Trem do Pantanal, eles pretendem
colocar um vagão para transportar as motos, ai vai ficar perfeito!
Quer um conselho? Programe sua próxima viagem para o Pantanal.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Stely
– Serra Verde Express
Patrícia – BWT
Operadora
Concord Hotel
Fátima e Luiz –
Pousada Águas do Pantanal
Rosaura e Gerson – Fazenda
Cacimba de Pedra
Fazenda San Francisco
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