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Tem coisas na vida que não tem explicação e esta
parte da viagem eu não posso deixar de relatar.
Todas as vezes que colocamos a moto na estrada, felizmente fazemos grandes
amigos. Na última expedição conhecemos um casal encantador
que mora em Curitiba e que por acaso estava indo para o Atacama. De Salta,
na Argentina pra frente passamos a rodar juntos, nós de moto e
eles como “anjos da guarda” (de carro de apoio). Isso aconteceu
o ano passado (2008), em dezembro. Na volta passamos em Curitiba pra jantar
e depois voltamos para São Paulo. Depois disso perdemos o contato.
Por causa da tecnologia, tínhamos o telefone deles na agenda do
celular a adivinha o que aconteceu? Isso mesmo, perdemos devido a uma
pane que deu no aparelho. Este era o nosso único contato.
Quando resolvemos ir para Morretes, que fica bem próximo de Curitiba,
fiquei louca de vontade de revê-los, mas não tinha idéia
de como. Pois bem, pasmem, duas horas antes da viagem, depois de um ano
sem contato algum, por um motivo qualquer eles entram em contato com a
gente. Tem explicação??? Só sei que fiquei super
espantada e ao mesmo tempo muito feliz por poder ter a oportunidade de
encontrá-los.
“Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe
nossa vã filosofia”, já dizia William Shakespeare.
Por aí já imaginava que esta viagem tinha muito a revelar.
Nosso principal objetivo era fazer o passeio de trem que sai de Curitiba
e vai até Morretes. A estação de trem fica bem no
centro e caso queiram acordar um pouco mais tarde meu conselho e dormir
por ali mesmo, no Íbis ou Fórmula 1, pois a moto pode ser
embarcada no vagão, máximo de 7 motos grandes, e tem que
começar por volta das 6h45min. O custo para embarque da moto é
R$ 20,00 e é obrigatório levar 3 cintas para fixa-la no
vagão de carga. É bom entrar em contato coma a Serra Verde
Express ou com a BWT operadora para não ter surpresas.
O trem parte da estação ás 8h e dura cerca de 3h
até Morretes. Esta estrada de ferro foi construída em 1890
e é hoje uma das mais antigas estradas em funcionamento no país.
Passa pela região considerada a mais conservada da Mata Atlântica.
As paisagens são deslumbrantes. Além de pontes e túneis,
o trem passa também por penhascos dando-nos a sensação
de que estamos voando. Quem nos orientou no passeio foi a guia Aline,
uma simpatia de pessoa, super prestativa. Além de relatar os fatos
históricos dizia o momento certo de cada click fotográfico.
Portanto quando optarem pelo passeio escolha o vagão turístico,
que custa aproximadamente R$ 62,00 por pessoa e de preferência escolha
um lugar do lado esquerdo, pois é deste lado que estão as
mais belas paisagens.
Nossa sorte é que um casal simpático de Natal nos ofereceu
uma parte do banco para podermos fazer nossas fotos. Olha aí, quem
sabe uma nova história! Já temos dicas de vários
locais naquela região.
Chegando em Morretes fomos recepcionados pelo Tiago da Calango Expedições
que nos deu várias dicas de passeios. Caso queiram fazer uma programação
de 1 ou 2 dias, eles montam um pacotes de acordo com o perfil de cada
turista. É possível realizar vários esportes de aventura
como, rafting, cachoeirismo, cicloturismo e outros, e custa por volta
de R$ 50,00 a R$ 100,00 por pessoa.
Como tínhamos pouco tempo resolvemos fazer nossas trilhas de moto
mesmo. Nossa primeira tentativa foi conhecer a trilha do Marumbi, passar
pelo final do caminho de Itupava e chegar até a Usina de Chico
Lange, dali fazer uma pequena trilha a pé de mais ou menos 800m.
Tentativa frustrada, chegamos até determinado ponto, mas a moto
não subiu por causa das pedras que tinham pelo caminho. Ali só
a pé mesmo ou com moto de trilha, até uma pick up 4x4 desistiu
e não éramos nós que bancaríamos o herói,
afinal quando se viaja de moto, capacete e bom senso é muito bom.
Desistimos, pois a caminhada era longa e pelo horário não
dava mais tempo. Aliás, não posso deixar de dizer, quem
gosta de caminhadas longas, existe uma trilha que sai de Quatro Barras
chamada Caminho do Itupava, dura cerca de 9h e passa por tribos indígenas.
Uma delas bem interessante, trata-se de índios albinos, isso porque
eles se reproduzem entre eles e deixam de produzir a melanina. Interessante
não?
Há diversas hospedagens no centro de Morretes, como por exemplo,
a pousada Dona Laura que me pareceu bastante simpática.
Nos hospedamos na Pousada Ilha do Rio que fica em Porto de cima, mais
ou menos 8km de Morretes. Pelo nome já dá pra ter uma idéia,
é uma ilha cercada por um rio e o acesso à pousada é
pura emoção, uma ponte de mais ou menos 100m. A moto fica
de um lado e a pousada do outro cercada pela mata atlântica. Paz
total, ideal pra quem quer se isolar e desestressar. Muitos passarinhos
para te acordar de manhã e suave som do rio que corre logo ali
pertinho. Tomar o café da manhã sem pressa e depois quem
sabe até pescar. É que a pousada dispõe de vara de
pesca caso queiram praticar o esporte. A ponte realmente me surpreendeu,
mas muitas pessoas se hospedam ali por causa da fama que ela tem.
Este rio, o Nhundiaquara, é o que refresca a cidade. Por estar
entre os morros, daí o nome Morretes, e ser toda cercada pela mata
atlântica, a cidade é bastante abafada e úmida. As
pessoas passam o dia todo no rio se banhando. Eles alugam bóias
gigantes e assim se pratica o boiacross, muito explorado na cidade. Mas
fiquem atentos, é necessário a liberação dos
bombeiros, pois em épocas de cheia não se deve praticar
o esporte. Quando alugarem estas bóias é necessário
usar também os equipamentos de segurança.
A Noite a cidade é bem tranqüila, sem muito agito, ideal para
jantar e fazer uma caminhada. Experimente neste passeio o sorvete de banana,
é muito bom!
Muitos curitibanos vão até Morretes simplesmente para almoçar
e voltam no mesmo dia. Eles apreciam o prato mais famoso da cidade que
é o Barreado. A maioria dos restaurantes serve somente este prato.
O Barreado é um prato típico feito com carne bovina e leva
aproximadamente 24 horas para chegar ao ponto. Depois se mistura com a
farinha, como se fosse um pirão. Pensei que fosse bem forte, mas
não achei não. Vale a pena experimentar, e custa aproximadamente
R$26,00 por pessoa se servido com frutos do mar.
No dia seguinte, domingo, tínhamos que ir embora, mas não
antes de conhecer Antonina, que fica aproximadamente 15km de Porto de
Cima. É uma cidade portuária e por ser domingo estava vazia,
ninguém nas ruas, parecia fantasma. Saímos de lá
e finalmente fomos conhecer a famosa Estrada da Graciosa. Um passeio e
tanto pela serra. Muitas motos pelo caminho. Imagino que quando as hortênsias
estão floridas, a estrada deve ficar mais bonita ainda. O percurso
todo tem que fazer muito devagar, primeiro para poder apreciar e depois
porque tem muitos parques com churrasqueira e quiosques onde as pessoas
passam o dia e tudo isso com o Pico do Marumbi ao fundo formando um cenário
deslumbrante. Fim de viagem e prontos pra próxima, afinal viajar
é avançar, é abrir horizontes, é mudar as
perspectivas.
Inté
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COMO CHEGAR
A 407 Km de S. Paulo pela BR 116.
ESTRADAS
Adoro viajar para o Sul do Brasil, mas sinceramente adoraria muito mais
se não tivesse que rodar pela BR 116, não dá prazer
nenhum pilotar nessa estrada, cheia de caminhões e pista simples
de mão dupla em alguns trechos, mas....fazer o que né?
De Curitiba embarcamos a moto e descemos de trem até Morretes.
De Morretes a Antonina seguimos por uma estrada de 15 km que vale a pena
pelo visual e pelas curvas com ótimo asfalto.
Voltamos de Antonina e subimos a Estrada da Graciosa, que justifica o
nome, nos seus aproximadamente 30 km ela é cercada por hortênsias
dos dois lados, alguns recantos com banheiros, churrasqueiras e mirantes
que você pode parar e admirar o lugar. Em parte dela o piso ainda
é de paralelepípedos, que tem seu charme, porem em dias
de chuva fica um sabão. Mas na verdade esse trecho é para
ser feito a 37km/h e aproveitar o visual e o cheiro das plantas.
Total percorrido ida e volta: 940 km
O QUE FAZER
Andar de Trem, porque é um grande prazer, principalmente
quando você pode levar a moto junto. Claro que você pode ir
para Morretes direto por rodovias, mas quando se viaja de moto a menor
distancia nem sempre é o melhor caminho.
Como Morretes é um lugar muito quente, por estar encravado entre
montanhas, os esportes aquáticos, como bóiacross e rafting
são boas opções para se refrescar e se divertir.
À noite, curtir algum barzinho no centro, tomando uma cerveja muito
gelada com uma porção de camarão é uma boa
pedida.
Passear pela Estrada da Graciosa e não ter preguiça de parar
a todo instante para tirar umas fotinhos.
COMER & BEBER
Sem dúvida, o prato principal de Morretes é
o Barreado, mas você também tem muitas opções
em peixes e camarões, sempre com ótimos preços, principalmente
para quem está acostumado ao custo São Paulo. Outra grande
atração da região é a banana, em suas diversas
formas de atuação, como: balas, sorvetes, doces, bolos,
geléias, e é claro in natura, pequenas, médias ou
grandes. Só espero que você goste de banana.
MEUS COMENTÁRIOS
Acho que esse é um roteiro legal de se fazer em pelo menos três
dias, claro que isso não vale pra quem é de Curitiba.
Minha sugestão é chegar em Curitiba na sexta, aproveitar
um dos bons e baratos restaurantes que tem por lá e dormir cedo,
porque você vai ter que estar na estação ferroviária
às 6:45 para embarcar a moto. O trem parte por volta das 8h e segue
descendo a serra por três horas, numa velocidade média de
25km/h, parece devagar né?
Mas tem lugares por onde o trem passa que são tão incríveis
que da vontade de pedir para o maquinista parar um pouquinho.
Enquanto isso eu ficava pensando na moto chacoalhando sozinha no vagão
de cargas, coitadinha, tão perto e tão longe. Durante a
viagem você não pode mudar de vagão, nem se você
ficar com muitas saudades da sua magrela.
Em Morretes se surpreenda ficando hospedado na Pousada Ilha do Rio, que
na verdade fica a mais ou menos 6 km do centro, no Porto de Cima. Tenho
certeza que você nunca entrou numa pousada atravessando a ponte
do rio que cai, pois é, a primeira impressão é muito
engraçada, logo na chegada tivemos que atravessar o rio por uma
ponte de cabo de aço e madeira para chegar na Ilha, com muito verde
e muito bem cuidada. Nos fundos dos chalés um rio de água
limpa cuida do som ambiente. Ideal para quem está a fim de não
fazer nada, só ficar revezando entre a piscina, a beira do rio,
observando os passarinhos, e de vez em quando um lagarto distraído.
Reserve um tempo extra para subir a Estrada da Graciosa, o nome já
diz tudo. Pena que são só 37 km e depois mais 370 de BR
116 até São Paulo, bem que poderia ser ao contrário.
Conheça Morretes, mas vá de trem e volte pela Graciosa.
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