DESAFIO IRON BUTT

1000 milhas em 24 horas

 

 

Pintou a idéia de encarar esse desafio, pilotar por 1.000 milhas em até 24h, resolvi então convidar uns amigos, e para ficar mais emocionante um deles sugeriu: - Por que não de Scooter? Desafio aceito, eu e meus amigos Edrey Momo e Paulo Bertozzi marcamos a data da partida, 19/04/08.
Começa então a fase mais importante da viagem: O Planejamento – reuniões para definir o roteiro, horário de partida, estudar condições das estradas, calcular distâncias, média horária, autonomia, antecipação de problemas, documentação, revisão, test drive, check list, ufa. A primeira impressão que as pessoas têm é de que trata-se de uma loucura, mas como pode se ver, não é bem assim, dá bastante trabalho para preparar tudo minimizando os riscos.
Para completar nossa equipe mais três amigos de fundamental importância nesse desafio se juntaram a nós. Em nossa imponente Picape Mitsubishi Triton de apoio seguirão os tripulantes Fernando Moreira, João Maciel e Dinarte M. Leão, com as funções de: navegar, fotografar, filmar, reabastecer as Scooters e cuidar das planilhas e comprovantes dos postos de abastecimento, além de pilotar o carro de apoio, é claro. Dias antes da partida, mais um piloto se juntou a nossa equipe, Ricardo Chaibub. Agora somos 4 pilotos em 4 burgmans 125cc.
O Roteiro – decidimos fazer todo o percurso dentro do estado de São Paulo, pelas condições das estradas serem favoráveis. Partiremos às 20h do primeiro posto da Rod. Dos Bandeirantes com destino as cidades de: Rio Claro / Catanduva / Pereira Barreto / Presidente Venceslau / Presidente Prudente / Lins / Lençóis Paulistas / Tatuí / S.Paulo. Optamos por largar a noite para rodar pelas melhores rodovias nesse período.
Com as Scooters e a Picape devidamente personalizadas, chegou o dia. Largamos do local e no horário previstos, somente quem não estava convidada era a chuva, que iria nos acompanhar por toda a noite. Seguimos o roteiro previsto, parando a cada 150 km e seguindo sempre o mesmo ritual, enquanto o apoio cuidava do reabastecimento e dos demais trâmites, nós, pilotos engolíamos um lanche e um energético e voltávamos para a estrada, sem descanso, tínhamos que cumprir uma média de 87km/h para não ultrapassar às 24h. Tarefa difícil para as quatro motinhos. Nossos primeiros 150 km foram tranqüilos, o primeiro “pit stop” também, seguimos então para Catanduva, nosso 4º piloto Ricardo, começa a enfrentar problemas de cansaço e o pior, sono. Em Catanduva uma bronca da equipe de apoio no Ricardo: Acorda cacete!
A 614 km de S.Paulo, no trevo de Pereira Barreto, às 5 da manhã, eu o Edrey e o Paulo paramos para esperar o Ricardo e a Picape, da pra imaginar a escuridão que estava no lugar? Vinte minutos depois começamos a ficar preocupados, será que aconteceu alguma coisa? Ligamos para o Maciel - caixa postal, Fernando - caixa postal, Dinarte - caixa postal, só nos resta tentar o Ricardo, está chamando:
- Alô Ricardo, Ricardo está ouvindo, alô?
Ouvimos uma voz tremula atender, parece o Dinarte:
- Meu Deus, estou ouvindo vozes, estou ouvindo vozes.
Logo em seguida chegam a Picape e a Scooter, pilotada agora pelo valente Dinarte. O Ricardo e seu capacete com Bluetooth tinham desistido. Enquanto isso nosso piloto reserva que clamava proteção para São Benedito ouvia vozes dentro do capacete. Éramos nós: São Paulo, São José e São Edrey. Esse Dinarte não é uma figura!
Agora o Ricardo faz parte da tripulação da Picape e sua Scooter pega uma carona na caçamba. A essa altura a minha Scooter já começa a ter uma queda de rendimento, tenho que acompanhar o Paulo de perto a cada subida para não perder contato. Em Andradina nosso amigo Edrey resolveu adquirir um terreninho, ao passar do acostamento para a estrada o degrau foi mais ligeiro que ele, graças a São Benedito, nada grave. Começa a clarear o dia e a chuva, enfim, fica para trás, estamos indo bem, melhor do que esperávamos em termos de horário, isto é, até chegarmos perto de Rancharia, e o começo de uma subida, o que para mim era um sacrifício, porque a Scooter perdia muita velocidade. Bem na minha frente tinha um caminhão, a minha esquerda a faixa dupla e a minha direita um posto da Policia Rodoviária, numa fração de segundo tinha que decidir por onde ir, frear jamais, e foi com a agilidade de um piloto de caça que decidi, pela direita. Cinco quilômetros mais tarde fomos alcançados pelo veloz Corsa 1.0 da Policia que nos fez voltar até o posto policial. Depois de muitas desculpas, 40 minutos perdidos e uma multa para cada um, seguimos para Lins. No caminho perto de Assis foi a vez do Paulo se encantar por um terreno, mais uma vez São Benedito estava de plantão. E a minha Scooter continuava me preocupando, agora além de perder rendimento, a embreagem começava a fazer um barulho estranho, seguimos, Lençóis Paulistas, Tatuí, falta pouco agora. Para nos acordar a nossa amiga da noite anterior resolveu voltar, chove forte agora, chegamos ao posto da Marginal do Pinheiros, perto do Jockey, depois de 22h33 e de conhecer boa parte das estradas paulistas. Missão cumprida, agora só mais uma esticadinha até a Vila Mariana, onde nossos amigos e familiares nos aguardam na 1900 Pizzeria, nossa querida e gostosa patrocinadora.
E como disse meu amigo Edrey, agora somos uma família. A família Butt.



 

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
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