Versão Garupa
CONCEIÇÃO DO IBITIPOCA - MG
Versão Piloto
 


Jijoca, Airuoca e agora Ibitipoca.
Terra indígina? Não deixa de ser. Antes do descobrimento eram os índios que viviam aqui. Depois vieram os exploradores e retiraram as nossas riquezas e enviaram para a Coroa, surgindo assim a Estrada Real. Realmente Conceição do Ibitipoca faz parte destes caminhos de Minas Gerais, terra de muitas riquezas naturais, incluindo o Parque Estadual de Ibitipoca. Daí surgiu a nossa curiosidade de descendentes de índio. Quem já esteve por estas bandas pode dizer com certeza que é um programa de índio, mas diga onde tem aventura que nós iremos.
Ibitipoca é muito conhecido pelos trilheiros, de jipe, os de moto e os que adoram caminhar e ver belas paisagens. Não importa o meio de transporte o importante é visitar para aprender a preservar.
Saímos de São Paulo acreditando que não iria chover, mas nos enganamos. Foram 300km de chuva na ida e 450km de chuva na volta. Como diz o Zé Carlos, programa de índio número 5.

Encharcados antes de chegar em Lima Duarte, ainda teríamos que enfrentar praticamente 27km de estrada de terra até chegar em Ibitipoca. Só não foram exatos 27km, porque pelo meio do caminho tem um pedaço da estrada que tem muitas pedras. Ibitipoca significa “ pedra fendida”. Estas nós encontramos pelo caminho, aliás, pra quem está de moto chega a ser um problema, pois não é toda moto que passa por este caminho, até carro tem um pouco de dificuldade em dias de chuva. Como adoro este tipo de “PI” (programa de índio), abri um sorriso na hora que entramos nesta estrada. O piloto me perguntou se liguei o “cupiscômetro” que em tupi-guarani significa “acessório de alerta geral”. Toda atenção é pouca, escorregar é ir direto pro chão. Com sol tudo ficaria muito mais fácil, principalmente para fazer belas fotos.

Nos hospedamos na pousada Janela do Céu, que fica na parte mais alta da cidade em meio a uma mata cultivada pelo proprietário Cezar. Decorada com muitas peças da época de sua fundação, 1692, sua intenção é fazer da pousada um mini museu. Quem se hospeda ali, encontrará vasos de 300 anos, o primeiro telefone que foi instalado em Ibitipoca e muitas outras peças. Simplicidade e hospitalidade são as palavras chave de sua pousada.

Comida mineira é tudo de bom, quanto mais simples melhor. Depois da longa viagem chuvosa de 500km, nada como um banho quente e uma refeição bem servida para no dia seguinte acordar e conhecer o Parque Estadual de Ibitipoca. O que achei interessante é que são 3 tipos de trilha, uma curta de 7km, outra média com 10km e uma longa com 16km. Todas com belas paisagens, cachoeiras para se banhar e muitos ângulos para fotos. Neste dia tivemos sorte, o sol resolveu aparecer e nos favorecer. Apesar que para caminhadas um dia mais fresco é bem melhor. O Parque tem uma infraestrutura muito boa, como lanchonete, camping e monitores para grandes grupos. É possível fazer as trilhas sem guia, porque são bem sinalizadas.  O valor da entrada por pessoa de segunda a sexta é R$ 5,00 e nos finais de semana e feridos R$ 15,00. Tem um camping com local para fazer churrasco, banheiros com água quente dentro do parque e o valor por pessoa é R$ 30,00. Se quiser estacionar a 1 km da portaria, dentro parque, o valor pra moto é R$ 10,00.

Sobre a cidade, tem algumas peculiaridades, como por exemplo, cruzar com um lobisomem durante as caminhadas noturnas e não poder contar para os amigos, porque o celular não funciona, tomar uma cerveja rodeados de cachorros pidões e querer visitar a principal igreja da cidade e ela não estar aberta.
A maioria dos lugares aceita cartão, mas na cidade não tem agencia bancária e abastecer tem que ser em Lima Duarte, porque não tem posto de gasolina. Outra coisa interessante é que a cidade é bem úmida, mesmo no verão e a melhor época para visitar é do mês de junho a outubro período em que as chuvas dão uma trégua.

O fato de Ibitipoca ficar distante dos grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte faz com que se torne um lugar menos badalado, mais preservado, mais natural e rústico, que no meu ponto de vista o diferencia de outros lugares.
Fazer amizade por aqui é muito fácil, as pessoas que visitam este lugar adoram parar e bater um papo degustando um cafezinho ou uma pinguinha da região, bem típico mineiro.

No dia seguinte, sábado, o tempo amanheceu bem fechado. Nossa opção foi arrumar as malas e enfrentar a chuva que nos acompanhou por muitos quilômetros. O presente que ganhamos na volta foi um arco-íris de cair o queixo, nunca vi tão lindo. Viu, se não estivesse chovendo não teríamos presenciado tal fenômeno.


Voltar às origens é muito bom. Praticar por uns dias o lado simples da vida e se distanciar da loucura que é viver sob o stress das grandes cidades é primordial para nos sentirmos parte do todo. Afinal somos índios, somos da terra e nosso maior objetivo é caçar para sobreviver. Pode ser a caça por um lugar para cultivar a nossa essência, a caça por um pássaro para admirar sua liberdade, a caça pela água que nos ensina fluir e ir pelo lugar mais fácil e que nem sempre é o mais curto.


   


COMO CHEGAR

Partindo de São Paulo são 500 km pela Dutra ou 520 km pela Fernão Dias.
Optamos pela Carvalho Pinto até Taubaté, depois Dutra até Cachoeira Paulista, onde encontramos a nossa companheira que nos faria companhia todo o tempo até o nosso destino final, a chuva.
Em seguida, siga em direção a Caxambu, na rotatória desse município, siga sentido Juiz de Fora, entre na BR 267 com indicação para Lima Duarte. Pronto agora faltam só 27 km para chegar. 27 km de subida, de barro e de pedras. Valeu para colocar minhas habilidades off-road em dia.
Depois de muita água e muito barro, chegamos.
Um lembrete importante, na Vila de Ibitipoca não tem posto de gasolina, portanto, se precisar, abasteça em Lima Duarte.

ESTRADAS

A Carvalho Pinto despensa comentários é uma das melhores rodovias do país, tanto no visual como na qualidade do asfalto e no baixo fluxo de caminhões, A Dutra, no trecho até Cachoeira Paulista também é tranqüila. Depois relaxe um pouco e aproveite as paisagens e as curvas até chegar em Lima Duarte. Os 25 kms finais para chegar até a Vila não são muito fáceis de serem vencidos, principalmente se estiver chovendo, grande parte desse trecho é de estrada de terra e no final uma subida bastante íngreme em pedra, é aconselhável um pouco de experiência off-road.

 

O QUE FAZER

Depois de rodar de moto por belas estradas, na Vila não tem muitas opções do que fazer, na verdade, diminua sua velocidade e se ajuste ao ritmo local, descanse porque você vai precisar de suas energias quando for visitar o Parque Estadual de Ibitipoca.
Afinal, viemos até aqui para isso!
No dia seguinte a chuva deu uma trégua, mas o céu continuou encoberto com muitas nuvens, mesmo assim fomos fazer uma trilha e conhecer um pouco do Parque, que logo na entrada já dá para perceber que é muito bem estruturado para receber os turistas.
Mas, para não ser repetitivo, deixo os detalhes e impressões na narrativa de minha fiel escudeira.
Só posso dizer que como gosto muito de terra, ecoturismo, trilhas, cachoeiras, cavernas, cachaça e cerveja, valeu muito conhecer Conceição do Ibitipoca.

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Viagem realizada em:
 11/04/13 a 13/04/13
 Tipo de viagem:
 Feriado
 Quilometros Rodados
 500km
 Despesa Hospedagem

www.janeladoceu.com.br
Baixa temporada aprox. R$ 160,00

 Despesa Combustível
R$ 180,00 / Pedágio ida e volta - R$ 20,00
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