02º DIA
04 /09/09

DIAMANTINA (MG)
CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO
137 KM

   


Piloto - Diamantina a Conceição do Mato Dentro

Parece pouco né? Mas rodar 137 km por estradas de terra não é nada fácil, ainda mais em terras mineiras, que só tem montanhas e principalmente se você estiver com uma Big Trail com três malas e garupa. Sem dúvida nenhuma nossa experiência em off-road foi fundamental para conseguir transpor esse trecho, mesmo assim não saímos ilesos, depois de vários “quase” acabamos caindo num dos areões por onde passamos. Felizmente nada grave, mas vale lembrar da importância de adequar a velocidade com o tipo de terreno, quando se viaja sozinho. Pilotando por trilhas, com muitas subidas e descidas fortes, depressões, areões que apareciam de repente, uma queda era muito provável de acontecer, o importante era não se machucar.
Mas também tinham situações engraçadas, como o botequinho a beira da estrada em Bom Jesus do Amparo. Na placa no sentido para quem ia dizia “Bar Zé Braga - Primeiro Gole” e pra quem voltava “Bar Zé Braga - Último Gole” sem dúvida o Zé Braga além de dono de boteco é um marqueteiro nato.


Garupa - Hoje realmente começa nosso roteiro. Iniciaríamos em Diamantina (MG) e só pararíamos em Paraty (RJ). Deixamos para sair mais tarde, pois queríamos ver como era Diamantina a luz do dia e ficamos mais impressionados ainda. Com muito pesar tínhamos que partir e felizmente era para seguir viagem. Haveria muitas surpresas pela frente, como de fato houve. Localizamos o primeiro marco de nossa viagem. A partir daquele momento muitos viriam pelo caminho.

Trata-se de um pilar feito de concreto que demarca todo o trajeto da Estrada Real. Pegamos a estrada e já senti aquele friozinho no estômago. Muita felicidade além de tudo. Me sinto muito livre quando ando em estrada de terra. A impressão que eu tenho é que estou mais próxima da natureza ainda. A velocidade diminui, mas o coração acelera. È um prazer enorme, até difícil de explicar, deve ter alguma ligação com os meus antepassados. Começamos bem, mas não demorou muito para percebermos que não seria nada fácil.

Como não chovia há algum tempo a estrada estava com muito pó, e o pó era tanto que parecia que estávamos andando na areia, sem contar com a quantidade enorme de pedras. A velocidade teve que ser realmente diminuída, pois estávamos em apenas uma moto e qualquer acidente teríamos que nos virar sozinhos. Nada que fosse impossível, mas atrapalharia muito a viagem. Como somos do lema “devagar e sempre” resolvemos dobrar a atenção. Já estava me preparando mesmo assim para alguma eventualidade, sabe como é né, um tombo. Pensei nos baús (cases) que poderiam me proteger. A única coisa que não poderia fazer era me proteger com os braços ou tentar evitar que isso acontecesse. Pois bem, seguimos viagem e a cada quilômetro a coisa ficava mais difícil.

Percebi que para fazer este roteiro tem que ter muita noção de como pilotar em estrada de terra e no caso de garupa tem que não ter medo de andar neste tipo de terreno, e olha lá, mesmo assim dá um medinho, pois o tombo parece certo. Se fosse no areão, tudo bem, pior seria se fosse numa descida cheia de pedra. Não podia nem pensar, mas de tanto pensar deu uma sede. Pra nossa sorte encontramos o “Primeiro Gole”. Bem sacado o nome do boteco, de uma originalidade incrível. Pra quem ia era o primeiro e pra quem vinha era o último, gole, é claro. Era assim a placa que se apresentava logo em frente do bar. Digno de uma foto, não é?

Este dia, não sei por que cargas d água, tinha um movimento enorme de carro na estrada. Não agüentava mais comer tanta terra. Pensa que eles andam devagar? Portanto tem ter muito cuidado em estrada de terra, sem contar com os animais que cruzam a estrada. Passamos pelos distritos de Vau, São Gonçalo do Rio das Pedras, Milho Verde, Três Barras e finalmente no Serro, local onde mataríamos quem estava nos matando: a fome. Nada de exageros, pois ainda tinha chão pela frente.

O Serro é um lugar bem simpático, dos que passamos até ali, era o que tinha mais estrutura. Os meninos da Secretaria de Turismo queriam que pernoitássemos por lá para conhecer melhor a região, mas como ainda era cedo resolvemos seguir viagem. Seguimos por alguns kms e logo aconteceu o que imaginávamos, aquele tão esperado tombo. Até que demorou!

Preciso descrever, pois pra mim aconteceu tudo em câmera lenta e pro Zé Carlos foi tudo muito rápido. Quando a frente da moto saiu do alinhamento, pronto, Moto para um lado e piloto pro mesmo, é claro. Só que como a frente da moto torceu quem caiu primeiro foi o Zé. Vi o corpo dele se torcendo e a cabeça dentro do capacete batendo contra o chão. Sabe aquelas cenas de luta de Box quando o sujeito leva um soco em câmera lenta e a cabeça mexe dentro do capacete, foi assim mesmo. Como eu estava na garupa fui arremessada bem depois, então fechei os braços, protegi a máquina fotográfica, fiz como se fosse um tatu bola, rolei por cima do Zé Carlos e fiquei estendida no areão morrendo de rir. Não sei se foi por nervoso ou porque foi engraçado mesmo. Me diverti pra caramba, a parte ruim é que tive que fazer força pra ajudar a levantar a moto e em alguns trechos achei melhor descer e fazer a pé mesmo.

Resumindo chegamos em Conceição do Mato Dentro. Era tarde, procuramos um camping e nada feito. Como tinha um show na cidade, as pousadas estavam praticamente lotadas. E como nossa proposta era acampar, fomos até uma pousada que também tinha um camping, mas estava desativado e eles gentilmente nos cederam um espaço e um banheiro. Foi o melhor banho frio que tomei, podem acreditar, depois do perrengue de um dia inteiro foi o que salvou.

Agora não posso deixar de falar de um figuraça que conhecemos no bar Café com Rosas. Uma pessoa única, todo atrapalhado, mas de uma ingenuidade sem igual. Tudo ele errava, mas a simplicidade do sujeito só fazia agradar.
Toda hora ele vinha na mesa e dizia:
- Se precisar de alguma coisa é só chamar – Ohh Marquinhoooo!!!
Quando estiver passando por lá e tiverem a oportunidade de conhecê-lo, vai entender perfeitamente o que estou dizendo. O Marquinho é artesão durante o dia e a noite trabalha como atendente em um bar, ou melhor, o único atendente daquele bar, então já deu pra imaginar a confusão. Sabe que até tempo pra sentar-se à mesa e contar sua história de vida ele arrumou. Oh Marquinho, manda aí uma caipirinha.
Muita caipirinha para poder encarar a noite na barraca, também a R$ 4,00 cada, dava para tomar de balde. Foi um dia e uma noite incrível!

 

 

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
 
  Quilômetros Rodados  137 km
  Horários  Saída: 11h  Chegada: 17h
  Despesa Combustível  R$ 58,00
  Despesa Alimentos  Almoço: 17,00 / Jantar: 60,00
  Despesa Hospedagem  R$ 40,00 com café da manhã
  Despesa Passeios  -0-
  Classificação da cidade

 Simples e com algumas opções de hospedagem

 
 
 
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