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*Este roteiro é parte integrante da Expedição Estrada Real.
Piloto – A Estrada Real, começando
na cidade de Diamantina (MG) e terminando em Paraty (RJ) pelo caminho
antigo, foi o primeiro roteiro em formato de expedição que
planejamos fazer de moto, e só agora depois de mais de trinta viagens
pelo Brasil e América do Sul conseguimos realizar mais esse sonho,
sem dúvida valeu a pena esperar.Inicialmente a nossa idéia
era percorrer todo o caminho de uma só vez, mas como tínhamos
apenas cinco dias, e não queríamos mais adiar, optamos por
dividir em duas fases, a primeira o Caminho dos Diamantes e na segunda
o Caminho do Ouro. Nessa primeira fase percorremos o Caminho dos Diamantes,
são 380 km por estradas de terra entre Diamantina e Ouro Preto.
1º Dia - Deslocamento – 882 km. Como moramos em São
Paulo, e para chegar até a BR 381, temos que atravessar a cidade,
resolvemos sair bem cedo para evitar todo o estresse do trânsito
paulistano, principalmente em vésperas de feriado.
Às 7:30h já estávamos na estrada prontos para encarar
os 882 km até Diamantina, pela BR 381 e BR 040 a primeira uma estrada
bastante cansativa pela grande quantidade de curvas e de caminhões,
mas com um bom piso em todo o trajeto, e agora pedagiada para nós
motociclistas também. A BR 040 estava em obras quase em toda a
extensão, o que acabou atrasando bastante a viagem.Chegamos em
Diamantina às 18h e logo de cara tivemos uma grata surpresa, o
centro histórico lembra bastante a cidade de Cuzco no Peru, ruazinhas
apertadas, piso de pedra, casarões coloniais, lojinhas de souvenirs,
suntuosas igrejas, barzinhos com mesas na rua, que por sinal eu adoro,
e um astral muito bom. Como não conseguimos um camping, e estávamos
cansados da viagem, resolvemos ficar numa pousada e curtir um pouco a
noite da cidade para encarar as estradas de terra no dia seguinte.
Garupa - Finalmente chegou o grande dia de realizar
um sonho antigo, conhecer a Estrada Real. Apesar de ter muitas curiosidades
sobre o local, resolvi não pesquisar e sim sentir todas as emoções
em cada quilômetro rodado.
Queria ver com meus próprios olhos os caminhos percorridos pelas
pessoas que levaram toda a riqueza de nosso País, mas de uma coisa
tive certeza, não levaram o melhor dele, a paisagem magnífica
e a diversidade cultural que por ali ainda reina.
Apesar de ser uma viagem longa e com muitas opções de turismo,
sendo eles, cultural, artístico, natural ou até mesmo para
o simples descanso, nosso objetivo era fazer todo ele por terra, passando
por diversos distritos e conhecer cada pequena comunidade.
Sabíamos que cada uma delas tinha sua beleza natural, com diversas
trilhas e cachoeiras e que não seria possível, pelo menos
desta vez, fazer estes passeios, mas nos deixaria com uma vontade danada
de voltar outra vez.
Depois de onze horas sobre a moto, afinal foram quase 900 km, chegamos
em Diamantina. Durante todo o percurso passamos por locais com paisagens
maravilhosas, como a região de Joanópolis, Camanducaia.
Avistávamos colinas verdinhas com formatos diversos. A impressão
que eu tinha é que era uma pintura, destas que crianças
pintam com lápis de cor no primário.
O mais interessante é que uns 200 km antes de chegar em Diamantina
a paisagem muda completamente, lembra muito o serrado na região
do nordeste. As colinas ficam para trás com seu verde exuberante
e se transformam em morros e montanhas todo de pedra e a vegetação
fica bem seca e rasteira. Esta diversidade natural de nosso país
cada vez mais me encanta. Este é um dos motivos que mais me agrada
quando viajo e me faz querer viajar cada vez mais.
Fiquei muito surpresa quando vi Diamantina, não imaginava que era
uma cidade tão bonita e simpática. A vantagem de viajar
e não ter informações sobre o local é que
passamos a vê-lo sem expectativas e tudo parece mais bonito. É
verdade que às vezes pode ocorrer surpresas ruins, mas temos que
estar preparados. Andando pela cidade vi que vale a pena passar pelo menos
três dias por ali. Diamantina tem diversas opções
de passeios para todas as idades e conta com um receptivo chamado Caminhos
Reais e que dispõe de alguns roteiros, como por exemplo: City Tour,
Trilha do Caminho dos Escravos, visita a parques, visita ao garimpo e
até alguns roteiros radicais. Os preços variam entre R$
30,00 a R$ 250,00. Não deixe de conhecer a Casa de Chica da Silva
e nem de comer a típica comida mineira que é uma tentação.
A idéia inicial do nosso projeto era acampar, pra ficar um pouco
mais emocionante, mas resolvemos nos hospedar em uma pousada porque chegamos
à noitinha e ficaria complicado localizar o camping e até
mesmo montar acampamento. Esta noite a barraca não seria usada,
então continuaria a sina de encontrar um bom local para dormir,
bom, bonito e barato. Desta vez usamos um recurso para não estressar,
enquanto o Zé tomava uma cervejinha bem gelada eu sairia em busca
do local. Nada mais justo, pois ele já tinha pilotado todo o percurso
e eu sou a mais exigente mesmo, então caberia a mim tal tarefa.
Por sorte de cara achei uma pousada bem legal. Com preço e serviço
justo. A cidade dispõe de diversos hotéis, que variam de
R$ 80,00 a R$ 300,00. Tem que procurar bem, porque tem algumas que não
tem bom senso.
O bom do interior é que as pessoas são super prestativas,
quando percebem que você precisa de alguma coisa, logo se oferecem
para ajudar. O Sr. Salvador, um comerciante do local, nos deu muitas dicas
e ficou proseando um “cadinho” com a gente. É por este
e por outros motivos que eu sempre escolho as cidades pequenas.
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