06º DIA
16/12/09


BARRA DO CAHI
CURUMBAU
CARAIVA
TRANCOSO
119km (TERRA)

   


Piloto
De Barra do Cahi até Trancoso, passando por Corumbau, Aldeia Pataxó, Caraiva, Itaporanga, pontes desmontando, erosões, piscinas de areia, atravessar rios sobre canoas, três tombos, enfim, eu sabia que iria ter que rodar mais de 100 km no esquema de aventura, fortes emoções, mas quando comecei a ler o texto da Débora, ai embaixo achei que tudo que eu dissesse seria redundância, sendo assim, com a palavra a Garupa...
Ah, só um detalhe, estou escrevendo esse texto debaixo de uma arvore no quadrado, em Trancoso, tomando uma caipirinha. Acho que eu mereço!

Garupa
Infelizmente tínhamos que partir, este lugar vai deixar saudades, mas como viajar significa avançar...
Estava apreensiva, não tínhamos mapeado no GPS as coordenadas pelo Google Earth, pegaríamos informações pelo caminho, se tivéssemos sorte. Optamos seguir viagem pelas estradas de terra e não pela praia, assim conheceríamos as fazendas da região e passaríamos por pequenos distritos. Só não imaginava o que vinha pela frente, a estrada estava pior do que a dos dias anteriores. A impressão que eu tinha é que estávamos passando sobre dunas. A quantidade de areia era imensa e não dava trégua. Vários tombos fizeram parte desta viagem, também era impossível ficar sobre a moto, muitas vezes eu tinha que descer e andar a pé, o que é pior, eu estava com toda aquela parafernália de equipamentos e o sol estava a pino.
Tivemos direito a várias emoções, inclusive a passar por uma boiada, fantástico não?
Tinha trecho do caminho que a gente perdia o rumo, como era areia não tinha trilha.
Chegamos em Corumbau, ficamos um pouco por lá, mas não houve empolgação. Soubemos que têm pousadas naquele local que chegam a R$ 1.800,00 a diária.
Chic não? Preferimos seguir rumo a Caraíva. Devido à dificuldade do caminho, pensamos em pegar um barco e atravessar o canal para Caraíva, mas conversamos com um nativo e ele nos convenceu a ir pelas tribos indígenas e que teríamos que passar por uma ponte. Disse que tinha um trecho de areia, mas não descreveu a dificuldade. Lembra dos anteriores, este era ainda pior. Mais tombos, tudo bem, já tínhamos passado por isso mesmo, agora a ponte, vocês não imaginam, ali pensei em desistir. Quando desci para tirar as fotos me deparei com uma carcaça. Respira fundo, pensa duas vezes e chega a uma questão: Será que dá para reformar? O Zé com todo seu lado engenhoso pega algumas madeiras e arruma um “jeitinho”. Não acreditei, será que esta ponte não cai? Ela estava toda podre, pulei diversas vezes para confirmar, mas acho que não ia adiantar, peso muito menos que a moto. Sucesso total, adrenalina pura, parece que não, mas se a moto caísse por ali, bye bye viagem.
Passamos pelas tribos dos índios Pataxós, que fica na reserva do Parque Nacional do Monte Pascoal, fomos muito bem recebidos, sempre nos acenavam e nos explicavam o caminho. Principalmente o Aruã Pataxó, o nosso “índio da guarda da bifurcação”. Se não fosse ele estaríamos lá até agora decidindo por qual lado seguiríamos.
Chegamos em Caraíva, iríamos pernoitar por lá, mas definitivamente não seria possível. É que nesta cidade não transitam carros e nem motos, apenas carroças. Logo no começo a moto atolou até segundo andar (veja nas fotos), precisamos de ajuda para desatolar.
Agora é que vem o pior de tudo, ou melhor, o mais emocionante. Lembra da ponte? Fixinha! Quase tive um infarto do miocárdio, tivemos que colocar a moto em uma canoa para atravessar o rio de Caraíva para Caraíva Nova e consequentemente para Trancoso. Ai, ai, ai. Ali o Zé teve muita coragem, por mim não colocaria, voltava tudo de novo. A moto ficou totalmente inclinada, a impressão que tive é que ela iria cair no rio. Eu ainda tinha que tirar as fotos, neste momento eu não sabia se rezava ou se fotografava. O Zé, que estava na canoa com a moto gritava “tira a foto se não eu te mato”. Aí minha Nossa Senhora dos canoeiros! Ufa, no final tudo deu certo.
Pensei que ali já teria asfalto, engano, tinha mais 31 km de terra, detalhe, com mais areia. Finalmente o asfalto, escolhemos seguir para Trancoso, antes paramos em Itaporanga para abastecer, não a moto, mas a gente e aproveitamos para bater um papinho com alguns nativos. Chegando em Trancoso ficamos muito surpresos, estava tudo mudado. Passamos por aqui uns 5 anos atrás e já mudou completamente. Ficamos, afinal depois de um dia inteiro de academia natural merecíamos descanso. Este é um dia que vai ficar eternamente em minha memória e que de fato esta aventura e este contato com a natureza só faz reforçar nosso relacionamento. A cada dificuldade solucionada percebia que pra tudo se tem um jeito, basta estar aberto e pronto para enfrentar. Valeu muito, mas muito a pena mesmo cada minuto.

Informações gerais:
-Todo este trajeto é feito por estradas de areia e terra e em determinados dias pode-se fazer pelo litoral, desde que a maré esteja baixa.
Se no meio do caminho desistir, há possibilidade de sair de Corumbau para Itamaraju e pegar o asfalto.
-As estradas não são totalmente sinalizadas.
-Geralmente não aceitam cartão, somente cheque ou dinheiro, detalhe, não é uma região de baixo custo.
-Em Barra do Cahi, a hospedagem é extremamente simples, outra opção é acampar. Não tem energia elétrica.
-Caixa eletrônico, somente em Trancoso.

Distâncias:
- De Prado a Cumuruxatiba – aprox.44km
- De Cumuruxatiba a Barra do Cahi – aprox. 15km
- De Barra do Cahi a Corumbau – aprox. 42km.
- De Corumbau a Aldeia Barra Velha – aprox. 20km
- De Aldeia Barra Velha a Caraíva – aprox. 10km
- De Caraíva a Itaporanga -
aprox. 23km
- De Itaporanga a Trancoso -
aprox. 14km

 

 

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
 
  Quilômetros Rodados  119 km (POR AREIA, BARCO E TERRA)
  Horários  Saída: 8:00h  Chegada: 16:20h
  Despesa Combustível  R$ 0
  Despesa Alimentos  Almoço R$0,00 / Jantar R$ 42,00
  Despesa Hospedagem  R$ 50,00 (Posada Bom Astral - no Quadrado)
  Despesa Passeios -0-
  Classificação da cidade  Muito turistica.
 
 
 
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