| |
Simplesmente Cunha. Tão próxima a Parati, mas tão
diferente. Cada qual com sua beleza, é claro.
Cunha me agradou pela sua simplicidade. É a típica cidade
do interior mesmo.
Este lugar me surpreendeu muito com suas belas paisagens. Tivemos a grande
sorte de ir no período que se comemora a festa do Divino. A região
toda fica em festa. No mês de Julho esta região é
muito fria, mas vale a pena visitar, pelo menos não chove. Nossa
primeira opção de passeio foi conhecer a Pedra da Macela,
e não Marcela como está na placa rodoviária. Tem
este nome devido a pedra, em determinada época do ano, ficar coberta
por uma planta chamada “Macela”. O pico da pedra está
a 1800m de altitude. De lá se avista a cidade de Paraty, a baia
de Ilha Grande (outro lugar maravilhoso de conhecer), parte de Angra dos
Reis e toda parte serrana que circunda Cunha. A vista é simplesmente
maravilhosa, indescritível. Só indo conhecer para ter uma
idéia. Agora se preparem, porque tem uma subida de 2 km pela frente,
a não ser que estejam de moto. Isso mesmo, só é possível
chegar no pico a pé ou de moto. Quem quiser pode se arriscar de
bike, mas duvido. È bom levar água para beber, pois o local
não tem infra nenhuma, a única parte boa é que a
trilha, ou melhor, estradinha é cimentada. Depois de desfrutar
da paisagem fomos para a festa do Divino que se comemora na Igreja Matriz
da cidade. Ficamos horas ali comendo pipoca e observando a maneira
simples como as pessoas do interior aproveitam a vida. Uma coisa interessante
é observar a moçada paquerando. Enquanto os pais ficam na
missa rezando, eles dão diversas voltas na igreja a procura do
ser amado. E não é só a meninada não, tem
gente de toda idade.
No dia seguinte, sábado, fomos conhecer um dos parques da Serra
do Mar, é que existem diversos deles. O Parque tem uma paisagem
e é bem estruturado. Fizemos uma trilha de mais ou menos 40 minutos
em meio a mata Atlântica margeando o Rio Paraibuna. Dá pra
conhecer diversas espécies de árvores, pois a trilha toda
tem placas
denominando-as. É uma trilha bem curtinha e tranqüila, até
os caminhos são preparados com pequenas pontes e pedaços
de madeiras para evitar acidentes. Ah! A entrada é franca.
Saindo de lá fomos conhecer a cachoeira do Pimenta, antiga hidroelétrica
da região, hoje desativada. No meio do caminho paramos na Fazenda
do Cume para ver os búfalos. Esta é a única fazenda
da região que cria estes animais e produz o queijo do leite da
búfala feito exclusivamente pelo proprietário Fábio,
que por sinal é uma simpatia. Acabou nos dando uma aula sobre a
espécie interessante que é o Búfalo. É impressionante
o amor que ele tem por estes sensíveis animais. Pode parecer estranho,
mas eles são realmente amigáveis.
O caminho para a cachoeira não é lá grandes coisas,
mas mesmo assim arriscamos, pois o simples fato ser uma moto dual trail
ajuda muito, sem contar com o piloto é claro... (puxa saco). Não
fomos a cachoeira do Desterro porque marcamos uma cavalgada com o pessoal
da pousada onde estávamos hospedados. São 5 pousadas que
preparam este evento e a Dona Felicidade é uma delas. Taí
uma sugestão se forem a Cunha. A Lurdinha, que nos recepcionou
é muito simpática e nos deu diversas dicas de passeio, inclusive
nos falou da “Queima do RAKU”, trata-se de uma técnica
de queima de cerâmica muito antiga que nasceu no Japão e
acabou trazido para o Ocidente, mas como iríamos fazer a cavalgada
não foi possível conhecer desta vez. Cunha também
é muito conhecida pelos Ateliês de produção
de cerâmica artística.
A noite de sábado estava muito fria e a lua estava redondamente
cheia. Pra fazer a cavalgada estava ótima, sem contar com o céu
estrelado. Esta é uma experiência interessante de fazer.
Foram 2 horas de passeio e logo em seguida veio a melhor parte,
um jantar regado a viola caipira, percussão e muitos causos
com Oswaldinho e Marisa Viana. Todos em volta da fogueira bebendo quentão
para espantar o frio.
Domingo é dia de despedida. Chegou a hora de partir e levar com
a gente toda a cultura e costume do povo do interior. Se você não
conhece Cunha não sabe o que está perdendo, principalmente
se for na garupa de uma moto.Valeu muito a pena.
Inté!
|
|
 |
|
COMO CHEGAR
A 220 km de S. Paulo. Pela Via Dutra.
ESTRADAS
Dutra até Guaratinguetá depois siga pela SP-171 que leva
até Cunha. Com convicção a Dutra não é
das minhas estradas favoritas, além de ter que dividir as duas
pistas com muitos caminhões, ter um trânsito pesado até
Taubaté, ainda tem que pagar pedágios, em compensação
os 47 km pela SP-171 são para desestresar e ir curtindo a paisagem.
O QUE FAZER
Essa região tem muito o que fazer, desde passeios em fazendas,
cachoeiras, mirantes, parques, curtir o “agito” das cidadezinhas
e até chegar à praia se tiver a fim, depende unicamente
da sua disposição e tempo. Tempo, aliás, é
uma das vantagens de viajar de moto, conseguimos conhecer tudo o que queríamos
graças a ela.
COMER & BEBER
No centro de Cunha, além da Igreja é claro, você tem
poucas opções de restaurantes ou barzinhos, como ficamos
na pousada Dona Felicidade, acabamos almoçando por lá ou
apenas tomando um reforçado café da manhã antes de
sair para os passeios.
MEUS COMENTÁRIOS
Cunha foi uma grata surpresa. Resolvemos fazer essa viagem numa quinta-feira
à noite, pesquisamos na web e reservamos a Pousada Dona Felicidade
pelas fotos do site e pela simpatia do atendimento da “Lu”.
Saímos de S.Paulo às 10h para evitar o trânsito na
marginal, ledo engano, o trânsito em S.Paulo não tem mais
horário, e com as malas laterais na moto nem sempre dá pra
andar no corredor. Bom, mas vamos esquecer esse começo de viagem
até Guaratinguetá pela Dutra. Nossa viagem começa
na SP-171 com bom calçamento, cheia de subidas e descidas e muitas
curvas serpenteando os vales e montanhas, é um trecho legal pra
se fazer a 80km/h para ir curtindo a vista e oxigenando o cérebro.
Nossa pousada fica a uns três ou quatro km do centro, vale a pena
pela tranqüilidade o silêncio e o visual. Assim que chegamos,
almoçamos e fomos conhecer o Mirante do Pico da Marcela, é
incrível a vista que se tem de Paraty e até da bacia da
Ilha Grande. E nessa trilha a moto faz uma enorme diferença, depois
de um trecho por estrada cascalhada tem uma porteira que impede a subida
de carros, a moto da pra passar pelo lado (graças a Deus, porque
são 2 km de subida cascuda).
No dia seguinte conhecemos Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Cachoeira
das Pimentas e o Sitio do Cume onde tem uma criação de Búfalos.
Um detalhe importante é o tipo de moto a ser utilizada nessa viagem,
porque todos esses roteiros são por estradas de terra, e alguns
trechos difíceis, mas vale muito a pena, acho que as fotos ao lado
não me deixam mentir. Pra finalizar algumas coisas que
eu recomendo:
A noite ficar sentado numa mesinha de bar na calçada, observando
a meninada andar em volta da Igreja, são dezenas de voltas.
Uma visita ao Pico da Marcela,
Ao Parque Estadual da Serra do Mar
Ao Sitio do Cume e ficar batendo um longo papo com o Toninho
A Pousada Dona Felicidade e uma cachaça envelhecida
12 anos que eles vendem.
|
|