Versão Garupa
CUBA
Versão Piloto
 


Alimentação – Pra ser bem sincera não gostei das comidas de Cuba. Não sei se é porque nos hotéis e resorts eles não capricham ou porque eles não tem tantas opções. O que mais se come é frango e batata. As hortaliças são raras e os legumes também. Neste período do ano, dezembro, posso dizer que quase não vi tomate, alface ou outras verduras, o que tinha de sobra era repolho e pimentão. Pode ser que em outras épocas seja melhor, mas pelas andanças deu pra perceber como esses produtos são difíceis tanto para o turista como para os cubanos. A comida típica é a Criolla, mistura da cozinha espanhola e africana com alguns pitacos da cozinha caribenha.
O arroz congris é uma mistura de arroz com feijão preto, também conhecido como “Moros y Cristianos”, onde Moros são o frijoles (feijão) preto e Cristianos é o arroz branco. Papas (batatas) esta presente na maioria dos pratos, tanto assada, frita ou cozida. Sorte a nossa, pois assim não fica tão difícil a alimentação. Quem gosta muito de Coca Cola pode ficar sossegado, inacreditável, porque achava que não encontraria por lá. Até questionei, mas eles dizem que vem do México, aliás, tem outros produtos de origem americana, mas se forem produzidos no México, tudo bem...
A cola deles e a  Tukola. Argh??? Eu odiei, nem com muito gelo dá para beber. Tem uma tal de Gaseosa que é semelhante a nossa Sprite, pode beber sem medo. A limonada é uma bebida muito comum em todos os lugares de Cuba, e se acrescentar uma dose de Ron vira um Daiquiri. O famoso Mojito que tem que experimentar no Havana Club, o melhor que já bebi. Cuba Libre só se for com Coca Cola, porque com Tukola nem pensar. Tem também a Pina colada, que se for consumido fora dos resorts com certeza será bem melhor.
O café da manhã (desayuno) é bem diversificado, eles servem feijão branco, almôndegas, arroz, repolho e outras coisas que jamais comeria pela manhã. Vai um suco de pepino? O leite e o café são aguados, mas da para se virar bem com os sucos, pães e omeletes.
Se pensar em fast food vai ter que ir no “El Rápido” e pedir uma hamburguesa, que não passa de um pão com hambúrguer e pepino. Com certeza não encontrará nenhum Mc Donalds ou Burger King.
Comer em Cuba não é nada barato, se for a um paladar, restaurante permitido pelo governo em casa de cubanos, vai gastar aproximadamente R$ 120,00. Minha sugestão é comer frutos do mar, às vezes sai até mais em conta.

Transporte – Geralmente nos hotéis de Havana tem ônibus gratuito para o centro histórico ou se preferir pode fazer um city tour por $10,00 CUCs por pessoa. Para quem gosta de nostalgia vale à pena pegar um taxi nos famosos carros antigos de Cuba. A hora rodada custa $20,00 CUCs, mas negocie antes de contratar. Carruagens, taxi bicicleta e os engraçados coco taxi também são interessantes. Pro turista não falta opção, já para os cubanos a situação é bem diferente, o transporte público deixa muito a desejar, eles chegam a ficar horas no ponto de ônibus. Havana é uma cidade plana, perfeita para andar de bicicleta, mas não é muito seguro porque os carros mal respeitam os pedestres, imagina as bikes. Não se assuste com as buzinas, não chega a ser igual à Índia, mas se aproxima.
Optamos por alugar uma scooter. Vale mais a pena, o aluguel de 24hs é $24,00 CUCs. Tem que deixar uma reserva de $50,00 CUCs e fazer uma vistoria na moto se estiver tudo OK eles devolvem o dinheiro. A gasolina custa $1,40 o litro e eles orientam a deixar a moto no estacionamento. Não entendi, Cuba não é uma cidade segura? Pois é, não é em todo lugar que se pode estacionar e também é um jeito deles ganharem dinheiro. A moto nos proporciona liberdade por isso considero a melhor opção.

Cidade de Havana – Quem te vê e quem te viu. Parece que há alguns anos Havana estava bem abandonada, mas agora muitos casarões de arquitetura espanhoa, situados ao longo do Malecón, estão sendo restaurados. A parte central se divide em Havana Vieja e Havana Centro, onde fica também o centro histórico que é muito bonito, charmoso e bem conservado, mas quando a se trata das vielas, estas sim estão bem abandonadas. Tem muito lixo e as casas parecem cortiços. Passamos por elas sem problemas nenhum, os turistas andam a pé tranquilamente.
Até paramos em um local onde vende pizza somente para os cubanos e fomos bem recebidos. Se quiser comer bem barato o local é ali, $1,00 CUC duas pizzas e dois copos de Tukola.
Existe desigualdade sim, coisa que achei que não veria, cubanos pobres e os cubanos ricos. Miramar é um bairro afastado 6 km do centro onde estão os hotéis, a casa dos militares e os consulados e é ali que percebemos esta diferença de classes.
Com a moto tivemos oportunidade de explorar Havana de ponta a ponta, chegamos até a ir para as “Playas del Este, Santa Maria Del Mar e Guanabo, cerca de 40 km de Havana. Não fomos para Matanzas porque havíamos saído tarde e mais um pouco, 80 km, chegaríamos a Varadero. Havana é muito arborizada e florida, isso dá um toque especial na cidade.

Los Cubanos – Brancos e Negros convivem muito bem, como no prato típico “moros y cristianos”. Lembra? Tudo junto e misturado. Discriminação foi um sentimento que não percebi nos cubanos, o que me deixou muito feliz. Alegres por natureza e conformados por opção? Não vi nada de revolucionário nos cubanos. Parece que é um traço de personalidade só de Fidel. Apesar de politizados e educados eles aceitam esta ditadura de forma serena e tranqüila, sem manifestações. Uns até comentam, outros preferem se calar. Sabem das dificuldades e injustiças que sofrem, mas aceitam.
Na minha visão superficial, nestes dez dias que estive por lá, me pareceram pessoas felizes, atenciosas, tranqüilas e muito criativas. O simples fato de não serem consumistas os tornam pessoas menos angustiadas, menos ansiosas, menos frustradas e mais espiritualizadas. A saúde é o que o cubano mais presa.Tendo saúde eles conseguem viver em paz e trabalhar para o seu sustento. Sei que lhes faltam muitas coisas que com certeza ajudaria muito no dia a dia, mas o nosso sistema acaba com a nossa saúde. Talvez a mistura dos dois sistemas seja o ideal. O estranho é que eles não são privados de nada, mas a dificuldade gerada pelo sistema os impedem até de conhecer o próprio país. Isso pra mim é revoltante. Viajar para eles é quase impossível, poucos conseguem fazer uma viagem para Varadero ou Cayo Largo.
Agora entendo a adoração dos cubanos pelos gatos, como naquela música: Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres... A diferença aí é a privação indireta de liberdade.
Parece que em janeiro de 2013 existirá uma lei que desburocratizará pelo menos a papelada para que eles possam sair do país. Do que adianta se lhes faltam recursos? Mas uma vez sobrará para os mais privilegiados.
Diferente do que muitos pensam os cubanos não fumam tantos charutos como mostram nos filmes e artes. Até para eles é caro.
Colonizados por espanhóis, de repente, a influencia de Pablo Picasso sobre as artes cubanas tenha sido muito forte. Tanto os quadros como as esculturas em madeira demonstram o lado artístico dos cubanos. Os africanos influenciaram na expressão corporal demonstradas pelas músicas e danças, tais como salsa, merengue e rumba.

E agora, será que tem mais um espaço para eu descrever as belezas naturais de Cuba?
Isso eu não posso deixar de fazer. É Simplesmente maravilhosa!
Aquele tom de azul é inesquecível. Aliás, o tom é uma discussão, uns falam que é azul e outros que é verde. Não importa, só sei dizer que é lindo. Areia branquinha, praia tranqüila, poucas pessoas o que faz as praias serem bem limpas. Em Cuba chove muito pouco. É verão praticamente o ano todo. Em dezembro, no inverno, o clima é super agradável, a temperatura é de aproximadamente 28º. A brisa refresca o tempo todo o que faz a gente aproveitar o dia inteiro. À noite, o céu estrelado é um convite para a contemplação. Nestas horas a gente acaba sendo turista mesmo, só sombra e água fresca. Não há lugar melhor para descansar, a gente pode ficar sossegada sem o tormento dos ambulantes vendendo coisas na praia.” Entre e fique a vontade”, é assim que eu me senti nas praias de Cayo Largo e Varadero. Existe uma diferença entre estas
duas, por exemplo, Cayo Largo é fascinante, nesta praia o topless é super normal e se andar mais um pouquinho pode conhecer uma praia de nudismo ou naturalismo como eles preferem chamar. Não se preocupe com isso, é estritamente familiar. Nos hospedamos em um resort super legal, o Meliá. Não se vê brasileiros nesta parte do Caribe, os estrangeiros se dividem na maioria entre russos, franceses, canadenses e argentinos. Toda noite tem um show de dança típica e depois tem uma discoteca para aprender a dançar os passinhos dos bailarinos.
Como alugamos uma scooter tivemos a oportunidade de conhecer a Praia do Paraíso e a Praia Sirena. Uauuu!!! Quando cheguei ali não pensava mais em voltar. Tivemos a oportunidade de ver golfinhos bem de pertinho e se quiséssemos poderíamos nadar com eles pela bagatela de R$ 190,00. Como cobram caro estes golfinhos. São tão charmosos que posam para fotos dando beijinhos por apenas R$ 20,00. Um show! A ilha é bem pequena, com uma diária da moto da para conhecer tudo no mesmo dia. Já Varadero é praia para a moçada. Tem muito mais agito, com a moto também tivemos a oportunidade de conhecer tudo em um dia. Bem maior que Cayo Largo, com seus 22 km de praia, opção é o que não falta. O número de resorts é impressionante, um melhor que o outro e as construções não param de crescer. Uma solução para quem não agüenta mais as comidas do resort é ir até o centro e escolher um restaurante. Muitas feirinhas de artesanato para quem ainda não se desligou do consumismo.  Depois de passar por esses três destinos, cheguei à seguinte conclusão:
Primeiro chegar a Havana e conhecer o que é realmente Cuba, depois conhecer Varadero, uma vez que está por lá, acho interessante, mas para descansar minha opção é Cayo Largo. Existem outras ilhotas tipo Cayo Coco ou mesmo Isla de la Juventud, mas desta vez não foi possível conhecer, quem sabe numa próxima.  

Ainda não cheguei a uma conclusão sobre esta experiência de 10 dias em Cuba. No que se refere a beleza natural eu até já me expressei, mas falar profundamente sobre o seu sistema, sua cultura e seu povo é bem complicado. Posso dizer que gostei muito e me surpreendi com o que vi pela frente. Me senti muito confortável por não existir uma exposição gritante de produtos e marketing o tempo todo. Pra ser sincera achei muito saudável. Acredito que seríamos muito menos ansiosos e frustrados se adotássemos parte deste sistema. Por outro lado pode faltar muita coisa para o povo, mas quem disse que para nós também não falta? O que mais incomodou, por adorar viajar, foi o fato deles não terem oportunidade de conhecer outros países e fazer sua própria escolha.

Nestes últimos anos tenho aprendido que cada um deve governar sua própria vida, fazer suas escolhas, sendo elas boas ou ruins e abomino o fato de um único homem determinar o que seu povo deve ou não fazer de uma forma ditatorial. Não existe sistema ou ser humano perfeito, acredito no autoconhecimento e no amadurecimento e espero que um dia Cuba encontre o seu caminho.




   


Havana /  Guanabo

Manhã de calor e muito sol em Havana abastecemos nossas barriguinhas no café da manhã, abastecemos a poderosa fumacenta e barulhenta 50cc e seguimos rumo a Matanzas, 100 km de bom asfalto pela Vila Blanca a uma velocidade de cruzeiro de quase 60 km/h. Pode parecer pouco, mas para os padrões de estabilidade, suspensão e freio cubano ta ótimo. Sem dizer dos motoristas que fazem qualquer coisa na estrada, tipo parar na faixa da esquerda para dar carona para um pedestre que aguardava no acostamento. Só buzinando mesmo! Ah, a buzina da poderosa tinha a voz muito fraquinha.
No caminho uma parada nas Playas del Este, em Santa Maria Del Mar. Não são as praias mais bonitas de Cuba, longe disso, mas vale para conhecer um pouco das estradas e dos costumes locais, além de toda a tecnologia embarcada na fumacenta.

Depois de 4 dias em Havana ainda não deu vontade de ir embora, o consolo é que o ir embora é embarcar para Cayo Largo.

Havana dos contrastes, hasta la vista.

Cayo Largo – O paraíso é aqui.

 Deixamos a fumacenta em Havana e embarcamos no bimotor ATR 42 rumo a Cayo Largo, num voo de 30 minutos super tranqüilo, só esqueceram de avisar para abrir as portas do aeroporto quando chegamos, pode parecer brincadeira mas só depois de uns 10 minutos apareceu um funcionário correndo para abrir as portas, coisas de aeroportos muito movimentados.
Logo que chegamos no resort a primeira coisa foi deixar as malas no quarto e correr para dar uma olhada na praia:

-Uau! Sem palavras.

Claro que o resto do dia foi curtindo essa praia maravilhosa, e olha que por aqui nem é verão, mas mesmo assim a temperatura é de 28º, perfeito.

E os contrastes de Cuba continuam, agora nas cores do mar, do céu e no pôr do sol.

Dia seguinte vamos explorar as praias de Cayo Largo, e para isso nada como contar com a colaboração da fumacenta II, essa sim, logo de saída dava para perceber que ela já tinha perdido pelo caminho parte das tecnologias embarcadas, a velocidade de cruzeiro agora era de 40 km/h, mas pelo menos a bateria estava boa, mais tarde precisaríamos muito dela.
As praias de Cayo Largo são de embasbacar, uma mais bonita que a outra com uma combinação de areia branca, água verde, azul, transparente e um céu inesquecível, difícil descrever melhor apreciar as fotos.

Obs.1 – Cayo Largo é uma ilhota com muitos resorts e turistas de toda a parte do mundo, como não existem restaurantes nem bares, todos os resorts são no sistema all inclusive.

Uma das melhores praias é Serena que além do visual de tirar o fôlego tem um casal de golfinhos que são um espetáculo a parte. Pena que a dupla é capitalista, cobra 90 dólares por pessoa para um mergulho.

Outra diversão é caminhar pela praia, enquanto seguimos refrescando nossos pés nas cristalinas águas do caribe vamos observando barquinhos deslizando suavemente, conchas gigantes, iguanas, estrelas do mar, peixinhos coloridos, águas vivas e bundas brancas. Bundas brancas?
Sim, chegamos numa praia de naturismo, o paraíso dos europeus branquinhos e pelados, tudo numa boa, quem quer andar sem roupa anda, quem não quer não anda. Tranqüilo.

Final de tarde é hora de tentar voltar, subir na fumacenta II e depois de quase descarregar a bateria de tanto tentar dar a partida, pegar uma carona de volta. Mas não desistimos trocamos a fumacenta II pela fumacenta III, agora sim!

Como a fumacenta III já era o modelo plus tinha até farol, sendo assim aproveitamos para conhecer o pueblo, um pequeno povoado onde moram os cubanos que trabalham nos resorts de Cayo Largo.

Três dias nesse paraíso é muito pouco, mas ainda não acabou, agora é Varadero.

Varadero – 22 km de praia. Ta bom?

De Cayo para Varadero embarcamos num Embraer EMB 110 quase novo, dos anos 60 mas o voo foi perfeito e o aeroporto dessa vez estava aberto.
Como Varadero tem 22 km de praias, pensei!
Por que não alugar uma scooter?
A bordo da fumacenta IV começamos a desbravar Varadero, mais uma vez as fotos expressam muito melhor tudo que eu possa escrever.
Pena que tudo que é bom acaba, e Cuba foi muito bom.

É muito difícil, em poucos dias, entender o modo de viver, o sistema de governo, o que é certo ou errado.

Principalmente tentar entender um país socialista com nossa cabeça capitalista.

Não tive e não tenho a intenção de julgar o regime, o governo ou se há justiça social ou não, meu objetivo era apenas conhecer os Contrastes de Cuba.