Versão Garupa
CUBA
Versão Piloto
 


CUBA – Como assim, de moto?

“Hasta la vitoria, siempre”. Esta é uma das frases mais vista em Cuba (Che Guevara). Resolvi substituí-la por “Hasta la moto, siempre”. Depois de muitos anos viajando de moto, confesso que senti algo estranho na possibilidade de voar até Cuba. Infelizmente não dá para ir direto de moto até lá, mas nada nos impediria de alugar uma e rodar livre para conhecer o máximo possível nos 10 dias que teríamos disponível.
Tentamos alugar uma moto com sidecar via internet com algum cubano, mas não tivemos sucesso. Além do mais a internet é rastreada e e-mails não circulam livremente nem dentro e nem fora do país.

Procurei me informar o mínimo possível para poder chegar e sentir exatamente o local, não queria ser sugestionada e sim ter minhas próprias opiniões, as quais tentarei passar neste texto para vocês.

A idéia surgiu pelo Zé Carlos, que queria conhecer Cuba antes de Fidel morrer. Eu não tinha interesse algum, pelo contrario, achava que teríamos que ir a outros lugares bonitos e interessantes. Pensava que Cuba era um lugar muito pobre, abandonado, cheio de regras e limitações. Acredito que muitas pessoas pensem assim. O meu preconceito quase me impediu de conhecer um lugar fantástico.

Nosso roteiro foi – Havana (quatro dias) / Cayo Largo (três dias) / Varadero (três dias). Se fossemos novamente provavelmente mudaria para: Havana (cinco dias) / Cayo Largo (cinco dias). E por que não Varadero? Deixe-me explicar: Cayo Largo é uma ilhota e é necessário pegar um avião para chegar até lá, enquanto Varadero fica a 130 km de Havana e é possível chegar de moto, isto é, se tiver muita disposição, porque não tem moto para alugar e sim scooter 50cc.

A operadora em São Paulo que escolhemos para fechar o pacote foi a Sanchat Tour, mas chegando em Cuba nosso receptivo foi a Cuba Tur, agência de turismo do governo. Hoje em dia 90% das atividades ainda são do governo. Já existem alguns negócios particulares, como restaurantes (paladares), taxi, lojas e hotéis. Com Raul Castro a frente do governo, algumas coisas estão mudando, ainda que lentamente. Os cubanos percebem uma certa flexibilidade, mas ainda impera a ditadura.

Vejam alguns tópicos que achei importante relatar sobre o país:

Segurança - Um dos países que me senti mais segura. O índice de criminalidade é muito baixo e as penas são realmente aplicadas. Andávamos a pé nas ruas durante a noite sem problema algum, aliás, isso é muito comum em Havana apesar das ruas não serem muito iluminadas.
Moeda – A moeda dos cubanos é o peso, e dos turistas é o CUC, que na minha opinião é um dinheiro que não existe, que não tem lastro, tanto é que não tem valor nenhum fora de Cuba. Aceita-se melhor o euro do que o dólar. Tudo que é americano é desvalorizado. $1,00 CUC corresponde a U$0,80 (dólar). Se usar o cartão Mastercard, eles acrescentam 1,4%. Por isso o melhor a se fazer é levar euro. A maioria dos hotéis tem casa de cambio e funcionam aos domingos.
TurismoTudo gira em torno do turismo. Os melhores empregos estão nesta área. Quem trabalha para o turismo tem mais chances de ser bem remunerado por causa das propinas (caixinhas). Percebemos que tem muita coisa que rola por baixo dos panos, por exemplo, charutos e Ron vendidos no mercado paralelo. Enquanto na loja uma caixa de charuto Cohiba custa $150,00 CUCs, no paralelo são oferecidos a $40,00. Os cubanos são muito criativos, assim como nós brasileiros, às vezes temos que dar nó em pingo d’água para conseguir um pouco mais.
Quando for a Cuba, não se esqueça de deixar as caixinhas, estas com certeza os ajudarão muito. Valor indicado de $1,00 a 5,00 CUCs.
Onde tem turismo geralmente tem os espertalhões e em Cuba não é diferente. Vão aparecer pessoas querendo te acompanhar para indicar um lugar ou outro, geralmente homens. Cuidado! Não que seja perigoso, mas com certeza vão querer “regalos”, alguma coisa em troca. São pessoas simpáticas, envolventes e bom papo e quando você menos percebe já estão te acompanhando. Se achar que vale a pena, que pode ajudar então relaxa e fique a vontade.

Compras – Muitas vezes se pechinchar conseguirá um preço melhor, principalmente no mercado San José em Havana, onde são vendidos os artesanatos. Não compre na primeira loja, os cubanos são insistentes, ande primeiro, pois poderá encontrar muitas coisas interessantes.
Os supermercados são para pessoas que tem condições de comprar em CUCs, pois para a maioria dos cubanos existe o “El Carrito”, tipo de mercadinho, com poucas opções e que aceita só Pesos cubanos. Mesmo nos supermercados as opções são poucas, apesar que eu me surpreendi com alguns produtos que vi nas prateleiras. A parte de balas, chicletes e chocolates ficam trancados em um departamento e tem que chamar o vendedor para pegar, assim também como os cremes e sabonetes nívea.

Comunicação - Em Cuba existem 03 canais de TV do governo os quais passam muitas novelas brasileiras, motivo pelo qual os cubanos nos conhecem muito bem. Nos hotéis tem TV a cabo.  A internet não é para todos, sem contar que é muito cara. Muitos sites são bloqueados e os e-mails são rastreados. Nos hotéis são vendidos cartões de 1 hora que custão $10,00 CUCs, mas como a internet é muito lenta, uma hora não é nada. Um detalhe, este cartão só pode ser usado no mesmo hotel em que foi comprado e no computador deles, não serve no seu notebook. Telefone também é algo muito caro. Além de não poder ligar a cobrar para outros países, o minuto para o Brasil é $3,30 CUCs, aproximadamente R$ 7,00. O celular é comum entre os cubanos, mas não tão utilizado como no Brasil, o que me deu um certo alívio. Estamos com uma compulsão que chega a beirar uma síndrome. Deste mal os cubanos por enquanto estão livres. Portanto é o local ideal se quiser se livrar do celular por um tempo determinado.
Os cubanos falam muito rápido entre eles, mas com o turista eles tem toda paciência do mundo. Este tipo de comunicação saudável pode ser muito praticada, pois eles adoram conversar. Aproveite e pergunte tudo o que quer saber, mas no que se trata de Fidel, eles tem uma certa restrição em falar, apesar de serem bem politizados e terem sua própria opinião sobre o sistema.

Saúde – Falam tanto da medicina de Cuba que fiquei um pouco decepcionada quando vi a universidade de medicina, os centros de saúde, os hospitais e as farmácias. Os cubanos me pareceram muito saudáveis, mas tenho as minhas dúvidas quanto à qualidade da medicina.  Pode ser que seja a medicina preventiva e a importância da alimentação e da saúde que faça com que eles sejam saudáveis. A maioria dos equipamentos e remédios são americanos e eles não têm acesso, então, como podem ter diagnóstico sobre uma enfermidade e tratamento para elas?
Todos têm acesso a consultas sem gastar um centavo, mas pelo que ouvi os médicos sempre querem um “regalo” (charuto, galinha, bebida, souvenires) para complementar a renda que é de $40,00 CUCs por mês.

Vi uma grande botica em Havana Vieja, mas os remédios de laboratórios ficam em uma pequena prateleira fechada com cadeado.

Continua na próxima página...

Click na seta abaixo das fotos.

   


Cuba – Terra dos Contrastes

Cuba já estava nos meus sonhos de viagem há muito tempo, e a sensação que eu tinha é de que quanto mais tempo se passava mais eu perderia desse contraste de cultura, de sistema de governo e de filosofia de vida, e claro tinha que conhecer enquanto El Comandante estivesse entre nós, afinal ele ainda é a garantia de continuidade do regime cubano.

Começamos a planejar essa viagem assim que chegamos do Ushuaia, em janeiro/12, em julho já estávamos sentados na mesa da operadora de turismo para fechar nossa viagem para dezembro.

Depois de quatro anos seguidos esse será nosso primeiro final de ano que não sairemos do Brasil de moto.

Partimos do aeroporto de Guarulhos às 6h da manhã e depois de seis horas e meia de voo, fizemos uma escala no aeroporto da cidade do Panamá, de lá mais duas horas e meia até aterrizarmos em Havana.
Dentro da Van, a caminho do hotel, já comecei a me surpreender com o que via, imaginava Havana uma cidade bem menor do que ela se mostrava pela janela. Ficaremos quatro dias por aqui e acho que conseguirei alugar uma moto de algum cubano para tentar desvendar os segredos dessa cidade. Mas, depois de algumas tentativas frustradas um motorista de taxi me alertou “Você não vai conseguir alugar nenhuma moto particular aqui”.
Então vamos começar a entender um pouco do sistema, veículos com placa azul são do governo (a grande maioria), com placa amarela são particulares, placa verde militares e placa vermelha locação. Muito bem, segundo o mesmo motorista de taxi, “nenhum cubano em sã consciência alugará ou emprestará nenhuma moto porque o único que pode fazer isso é Fidel”, ou seja, caso algum policial pare um turista com um veiculo que não seja placa vermelha, o responsável pelo veiculo será preso.
Tinha esquecido que aqui quase tudo pertence ao governo, inclusive as locadoras de moto, ou melhor, sccoter. E, como aqui é o pais dos contrastes todas as scooters são de 50cc e com motor 2 tempos, o que significa muita fumaça, muito barulho e pouca velocidade, mas tudo bem, ninguém está com pressa mesmo.

Ah! um detalhe, o motorista de taxi que eu falei nos levou num Cadilac verde ano 53 lindão.

Acho que a melhor maneira de se deslocar por aqui é de scooter mesmo, você aluga uma por 24h por 24 Cucs, a moeda cubana para turistas. Acho melhor explicar mais esse contraste, financeiro.
Cuba tem duas moedas, o Peso cubano, e o CUC, que é a moeda convertida para turistas e que é equivalente a 1 Dólar americano. 1 CUC equivale a 25 Pesos cubanos. Entendeu?

Então vamos esquecer um pouco a confusão das moedas e começar a curtir as ruas de havana, e claro o festival de carros antigos.

Havana Velha, com seus prédios históricos e os antigos carrões americanos, misturados com os russos e de outros países do leste europeu nos leva a fazer uma viagem ao tempo, parece que voltamos aos anos 50. Inclusive pelo trânsito, não pelo volume de veículos, mas pela ligeira desordem. Aqui até parece que o pedestre é o alvo, chega a ser engraçado, ninguém tira o pé do acelerador só buzina.
No fim do dia chegamos no hotel cansados, felizes e defumados pela fumaça da frota cubana.

Obs.1 – A frota cubana de carros antigos tem de tudo, desde carros soviéticos que eu nunca ouvi falar até os clássicos americanos dos anos 50, a maioria caindo aos pedaços, mas muitos ainda em ótimo estado de conservação, praticamente todos rodam com motores diesel e soltam fumaça a vontade.

Obs.2 – O transporte coletivo é ineficiente e vale tudo para o cubano ir e vir, desde caminhões apinhados de gente na carroceria, ônibus velhos, e a carona que é pratica muito comum entre eles.

Havana Centro, fica ao lado de Havana Velha e lembra um pouco a boca do lixo de São Paulo, sem os drogados e os mendigos paulistanos, e com a vantagem de poder andar por todas as vielas sem medo, aqui é onde o contraste social é maior, pelas vielas pode-se andar entre muitos casarões antigos que viraram um grande cortiço, com casebres mal iluminados e com roupas penduradas pelas sacadas.

Obs.3 - O Povo cubano é muito alegre e simpático, e aparentemente gosta muito dos brasileiros, ou principalmente das brasileiras, um deles até me propôs uma troca, cinco cubanas por uma brasileira. Tô pensando.

Obs.4 – Minha primeira decepção, cadê o comandante?
No alto de minha ignorância eu achava que Fidel morasse em Havana e que talvez eu até passasse em frente a casa dele, desse um tchalzinho, sei lá. Mas, nada disso, ele não mora em Havana, nem em Cuba, nenhum cubano sabe onde o comandante mora, pelo menos essa é a informação de todos os cubanos que conversei.

Havana não é só a parte histórica, tem também o malecón, que é o calçadão a beira mar, onde as pessoas se reúnem para tomar uns goles de ron, caminhar, namorar, pescar, fumar um cohiba, enfim... Tem também os bairros mais abastados, como Miramar onde fica o nosso hotel e as embaixadas (inclusive a americana), e as residências de muitos militares, espalhadas pelas grandes e bonitas alamedas arborizadas.

Obs.5 – Aparentemente a igualdade social não é tão igual assim, tem pobres, classe média e ricos também. As proporções podem ser diferentes das que estamos acostumados, mas existem. A minha impressão é que os militares estão numa classe privilegiada, os donos dos pequenos restaurantes, assim como aqueles que, de alguma forma, trabalham com turistas, fazem parte da classe média, agora aqueles que trabalham para o governo são os mais sacrificados, com salários que parecem uma brincadeira de mau gosto, como por exemplo, um salva vidas que trabalha na praia e recebe de salário 12 Cucs ou 12 dólares por mês, ou ainda um médico ou engenheiro que ganha 40. Os cubanos assim como os brasileiros também têm seus jeitinhos para sobreviver.

 

Continua na próxima página...

Click na seta abaixo das fotos.

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Viagem realizada em:
 09/12/2012 a 19/12/2012
 Companhia Áerea:  Copa Arlines
 Operadora de Turismo:  Sanchat Tour - www.sanchattour.com.br
 Moeda:  Peso cubano (dinheiro dos nativos) - CUC - Moeda turistica
 Locais Visitados:  Havana / Cayo largo / Varadeiro /Playa del Leste