Uruguai – UR

VERSÃO PILOTO

COMO CHEGAR

Partindo de São Paulo até o Chuí, cidade que faz fronteira com o Uruguai são 1.700 km; depois são pouco mais de 500 km para cruzar todo o país até Colônia do Sacramento.

 ESTRADAS

Pela BR 116 até Curitiba é uma estrada que requer bastante atenção, pelo alto número de caminhões e porque sempre que eu passo por lá tomo chuva, é incrível. Depois, pela BR 101 ou 116 não é muito diferente, muita atenção, porque o fluxo de caminhões é incessante e estradas que circulam muitos caminhões pesados sempre deixam alguns buracos pelo caminho.

No Uruguai as estradas são bem conservadas e bem tranquilas para pilotar. Para ingressar no país vizinho também é bem tranquilo, na aduana é exigido RG ou passaporte, o documento da moto deve estar em nome do usuário, caso esteja alienada é preciso de uma autorização do banco ou instituição financeira. Além disso é obrigatório o seguro carta verde, que é uma espécie de seguro contra terceiros nos países integrantes do Mercosul.

O QUE FAZER

Como essa não é nossa primeira viagem ao Uruguai e já conhecemos bastante Punta del Este, um de seus principais cartões postais, resolvemos fazer algumas paradas diferentes, primeiro em Punta del Diablo, uma praia mais alternativa, mais bicho grilo e depois La Paloma, um balneário distante 160 km da fronteira com o Brasil, com uma boa quantidade de bares restaurantes e hotéis, a cidade possui diversas praias e um farol construído em 1874 que proporciona um linda vista e belas fotos de recordação.

No dia seguinte seguimos para Montevideo, e por sorte tivemos que passar novamente por Punta del Leste, essa cidade faz bem para os olhos, como é bonita e bem cuidada, não é por acaso que é considerado o balneário mais luxuoso da América do Sul. Quem ainda não conhece, não perca mais tempo.

Em Montevideo ficamos hospedados no hotel Vivaldi, que além de muito confortável é muito bem localizado. A capital uruguaia é uma cidade muito tranquila e acolhedora, onde podemos caminhar a noite pela rambla, a avenida da praia, sem medo. Vale a pena conhecer também a cidade velha e saborear o famoso assado.

Outro ponto imperdível é o mercado municipal, reserve um dia para almoçar lá e comprar suas lembrancinhas.

Seguindo nossa viagem fomos em direção ao nosso principal destino, a 180 km de Montevideo fica a charmosa cidade de Colônia do Sacramento.

Colônia lembra um pouco de vários outros lugares também simpáticos e charmosos, como Paraty e Búzios no Brasil e Cartagena na Colômbia. Vale muito a pena curtir a noite nos bares e restaurantes ao ar livre e durante o dia passear pelas ruas do centro ou até mesmo pegar uma praia e tomar um banho no rio da prata.

Resumindo o Uruguai é o nosso vizinho simpático, que sabe receber com gentileza e cordialidade, que entende nosso idioma sem precisar franzir o nariz e nem fazer cara de espanto, que tem cidade grande com jeitão de cidade pequena, que tem praia de água doce e de água salgada, e que sabe assar uma carne e servir com uma Patrícia gelada.

Gracias Hermanos, hasta la siguiente.

VERSÃO GARUPA

“Viajar é trocar a roupa da Alma” – Mario Quintana

Às vezes me pergunto: Vivo para viajar ou viajo pra viver?
Todo ano nos programamos pra uma viagem de final de ano. Quase sempre na América do Sul, porque assim podemos fazer o percurso inteiro de moto. Acabamos rodando muito, afinal o Brasil é grande demais e só para sair dele demoramos vários dias. Já o Uruguai é um país bem pequeno, para você ter uma ideia, do Chuí até Colônia do Sacramento são 504km. Pra gente, esta distância é praticamente de um estado para outro.

Voltando a questão acima, vivo para viajar... logo quando voltamos já estamos pensando no próximo roteiro, na realidade o Zé Carlos fica ansioso para a próxima. Eu ainda fico degustando um pouco, selecionando as fotos e organizando o site. Mas o ano começa, trabalhamos, nos irritamos e logo vem a vontade do ano acabar para podermos fazer aquilo que mais gostamos: Trocar a roupa da alma. Sábia frase de Mário Quintana. Viajar é renovar a alma e com ela renovamos nossos conceitos, nossos objetivos, nossa forma de encarar a vida. Pena que quando voltamos, depois e um tempo, entramos na rotina e os mesmos problemas reaparecem, daí a questão de “viajar para viver”. Meio filosófico, mas quando viajamos vivemos melhor. Não precisa ser uma viagem sofisticada, longa ou com uma turma, pode ser qualquer tipo de viagem onde você possa dar oportunidade de sentir novas emoções, conhecer pessoas e culturas, descobrir novos sabores e fragrâncias e dar a oportunidade de todos os seus sentidos experimentar algo diferente. Todo este texto só para dar uma dica de onde você pode trocar a roupa da sua alma, no Uruguai!

Já estivemos em Punta del Este em 2014, mas não foi o suficiente para dizer que estivemos no Uruguai. Resolvemos voltar e conhecer outros lugares e com mais tempo para usufruir.

Punta continua linda, ou melhor mais linda. Desta vez nós pulamos, só passamos para dar uma espiadinha e logo seguimos viagem. Na realidade, antes de Punta tem um povoado de pescadores chamado Punta del Diablo. Interessante, mas um tanto quanto alternativo.
Se tem um lugar onde o baseado é liberado no Uruguai, o local é aquele.

Seguindo viagem, naquele dia resolvemos nos hospedar em La Paloma, depois fomos para Montevideo e finalmente para Colônia do Sacramento.  

O Uruguai é muito parecido com o Brasil, mas tem algo especial que aqui anda faltando, segurança. Lógico que é um pais muito pequeno, fica muito mais fácil administrar. Já fazia tempo que eu não tinha esta sensação de segurança e relembrei o quanto é bom poder andar pelas ruas sem medo. Aliás, andar a pé foi o que mais fizemos nesta viagem, daria para aumentar mais uns 100km no roteiro.

Apesar de estar de moto, poderíamos ter sido orientados pelos faróis que auxiliam a navegação pelas águas do país. Só nesta viagem conhecemos três. Seria bem interessante montar um roteiro pelos faróis do Uruguai. Muitos podem ser visitados e geralmente a vista é muito bonita lá de cima.

Agora tenho que ser sincera quanto a gastronomia no Uruguai, confesso que não gostei. Tive algumas dificuldades para comer. Chega uma hora que não dá mais para ver batata frita. Nesta hora senti muita falta do Brasil. Sem contar que os preços estavam mais caros que aqui, mesmo pagando em Real. Isso mesmo, todo mundo aceitava real e a conversão do nosso dinheiro valia mais só simbolicamente.

Vamos falar um pouco de cada ponto que escolhemos para conhecer melhor.

LA PALOMA

É uma cidade bem pequena, um bom lugar para descansar entre os deslocamentos. Não tem muitas opções de hospedagem. Dormimos num hotel duas estrelas bem no centro, onde ficam os restaurantes e lojinhas de artesanatos. Há algumas opções econômicas como Hostel, por exemplo.
Visitamos o Farol Cabo de Santa Maria, principal ponto turístico. Lá de cima dá para ver a cidade em 360º. Além disso, tem muitas praias para conhecer, mas como ficamos só um dia, optamos por ficar andando pelas ruas e vendo as casas com as lindas hortênsias. Quem for ficar mais dias, uma dica é alugar uma bicicleta, além de se exercitar dá para apreciar os caminhos que levam as praias, que são muito extensas por sinal.

MONTEVIDEO

Ah...Montevideo! Moraria fácil nesta cidade. Muito tempo atrás tinha passado por ela, mas não dei muita importância. Era 10 anos mais jovem e nosso interesse era outro. Hoje já penso mais em qualidade de vida. Ficamos dois dias em Montevideo, mas indico pelo menos uns 4 dias. Fizemos muitas coisas, mas acho que alguns dias nos deixaria mais amigos da cidade.

Andar pela cidade é muito fácil, principalmente quando se tem o mar como referência. Não só por isso, o trânsito é bem tranquilo, as pessoas usam muito a bicicleta e andam a pé. À noite, a orla fica cheia de gente e é muito gostoso caminhar e observar como as famílias caminham juntas. Achei o Uruguai muito família, todos os lugares que passamos víamos muitos pais e filhos fazendo as coisas juntos.

Nos hospedamos em Punta Carretas num hotel chamado Vivaldi. Muito bom e muito bem localizado. O preferido dos brasileiros, nem precisávamos gastar o nosso espanhol. Chegamos com tanta fome que estávamos desesperados para comer um bom churrasco uruguaio. Só que era um horário desfavorável, nem almoço e nem jantar. Tivemos que esperar até as 19hs para abrir um restaurante muito interessante chamado La Outra. Se estiver em Montevideo, vale muito a pena conhecer. Churrasco típico e ainda com a vantagem de ir até a churrasqueira e escolher o pedaço de carne que você quer comer. Aprovadíssimo!

No dia seguinte fomos conhecer El Mercado del Puerto, famoso pelos seus restaurantes.
Para ser sincera não achei interessante. Muito pequeno e muito quente, pelo menos naquele dia. Como a maioria faz o típico churrasco, imagina como fica a temperatura lá dentro.
Tem algumas lojas de artesanatos, mas nada assim tão maravilhoso. Agora, um passeio pela ciudad vieja vale muito a pena.

A tarde saímos de moto por toda “rambla”, quase chegamos em Piriápolis que fica ao lado de Punta del Leste. Montevideo também é bem florida como Punta. Adorei andar pela cidade e apreciar aqueles jardins bem cuidados. Passamos por um bairro chamado Carrasco que é tipo os Jardins de são Paulo com muitas lojas de grife e restaurantes. Bem bonito!

Resumindo, Montevideo me surpreendeu muito, principalmente porque, quando viajo, gosto muito mais das cidades pequenas. É, com certeza eu voltaria e conheceria um pouco mais desta cidade encantadora.

Pausa para um tereré... Em breve minha opinião sobre Colônia do Sacramento!

Viagem Realizada22/12/2017 a 06/01/2018
Quilometros Rodados5.398 km
DespesasAproximadamente US$ 135,00 por dia (mais ou menos R$ 450.00) Inclui: combustível, refeições, passeios, hospedagem e manutenção da moto. Lógico que vai depender da exigência de cada pessoa quanto a hospedagem e refeições.
DiaDataD.Sem.SaídaChegadaKm
22/dezSEXSPCuritiba408
23/dezSABCuritibaFloripa350
24/dezDOMFloripaFloripa150
25/dezSEGFloripaS. Lourenço do Sul650
26/dezTERS. Lourenço, do SulLa Paloma480
27/dezQUALa PalomaMontevideo230
28/dezQUIMontevideoColônia190
29/dezSEXColôniaColônia120
30/dezSABColôniaColônia120
10º31/dezDOMColôniaColônia145
11º01/janSEGColôniaColônia145
12º02/janTERColôniaSant. Livramento530
13º03/janQUASant. LivramentoMissões450
14º04/janQUIMissõesTreze Tílias490
15º05/janSEXTreze TíliasTreze Tílias140
16º06/janSABTreze TíliasSP800
    Total5398

COLÔNIA DO SACRAMENTO

MONTEVIDEO

LA PALOMA

Províncias de Salta e Jujuy – Argentina

VERSÃO PILOTO

Nosso primeiro desejo, dentro desse roteiro, era conhecer as cataratas do lado argentino, já que conhecemos o lado brasileiro. Então, dormimos em Foz e no dia seguinte seguimos para Puerto Iguaçu, os trâmites nessa aduana é bem tranquilo, bem diferente de outras tantas que já enfrentamos.

O Parque Nacional Iguazú fica a 30 km de Foz e é bom lembrar que o pagamento tem que ser em Pesos.
Como o parque é bem grande o ideal é chegar cedo, a locomoção dentro do parque é feita por um trenzinho que leva até a entrada de cada passarela, depois é só caminhar e apreciar a quantidade absurda de água que desce pelas inúmeras quedas e os arcos íris que surgem um atrás do outro, vale muito a pena reservar um dia para curtir esse parque e para fechar com chave de ouro, um incrível e refrescante passeio de barco passando por baixo das quedas d’agua, pena que dura pouco.

Na sequencia da viagem começamos a atravessar o caliente Chaco, e para nossa sorte e azar ao mesmo tempo, estava chovendo. Sorte porque a chuva alivia o calor animal que faz nessa região e azar porque a chuva encobre os buracos da pista, e foi um deles que eu acertei em cheio e entortou a roda traseira, fazendo vazar todo o ar do pneu, no meio do nada pra facilitar um pouco, ainda bem que a roda é raiada, senão poderia ser bem pior.
Bem, depois de tentar desamassar com um toco de madeira e o auxilio de um motociclista brasileiro que parou para dar uma força, usei meus cilindros de ar comprimido para encher novamente o pneu, mas minha alegria durou só uns 200 metros, murchou de novo, minha única alternativa seria voltar uns 7 km onde tinha uma gomeria (borracharia) pra lá de meia boca. Então peguei carona com um caminhão até lá, assim que cheguei fui atrás de uma caminhonete que pudesse buscar a moto, feito isso chegamos os três na gomeria, eu a Débora e a moto.
Com a moto no barro, ou melhor, na gomeria, o gomeiro pegou sua marreta cirúrgica e sem dó nem piedade desceu a porrada na roda, é verdade que ela não ficou muito bonita, mas resolveu e deu para seguir viagem.

Ufa! Chegamos em Salta, que é uma cidade muito legal, mas que já conhecíamos e é uma grande cidade, e como gostamos das pequenas cidades, dormimos e resolvemos seguir viagem, no dia seguinte, para Santo Antônio de los Cobres, de onde sai o Trem das Nuvens, o nosso próximo desejo.
O caminho até lá não é dos mais fáceis, boa parte ainda é de rípio, e como estão em obras alguns trechos da estrada ficam Punk.

Em Santo Antônio, não tem muito o que fazer, além de dar umas voltinhas pelas poucas ruas e voltar pra pousada, porque à noite, como estamos a quatro mil metros de altitude, esfria bastante. Jantamos moderadamente na própria pousada e tentamos dormir, porque dormir nessa altitude é bem difícil. Depois de uma noite de dorme/acorda/respira... acordamos de uma vez, tomamos o desjejum, mais um rolezinho pela city e embarcamos no Trem das Nuvens, um dos mais altos do mundo, num passeio sobre as cordilheiras dos Andes que dura cerca de três horas, vai até o ponto principal, o viaduto La Polvorilla, que fica a 4.220 e volta para Santo Antônio. Adoro trens e esse é mais um pra minha coleção.

Desembarcamos do Trem das Nuvens e embarcamos na Moto das Nuvens com direção a Salta novamente, dessa vez nos hospedamos na mesma pousada que ficamos há uns cinco anos atrás, “Las Forolas” a simpatia dos proprietários e as meias lunas do café da manhã continuam ótimas, que bom.
Dia seguinte partimos de Salta com direção a Cafayate, 200 km ao sul, por uma bela estrada, toda asfaltada e com alguns cartões postais pelo caminho, como o Mirador Três Cruces ou a Quebrada de las Conchas, lugares para parar e se encantar. Cafayate é uma cidade bem legal, com boas pousadas, uma grande praça onde se concentram a maioria dos bares e restaurantes, vale a pena ficar uns dois dias por aqui.

No dia seguinte partimos com direção ao nosso próximo destino, Cachi 170 km de rípio, subindo pela ruta 40, mais uma estrada cheia de cartões postais para apreciar. Apesar da distância parecer pequena, a estrada tem trechos difíceis e o calor estava de matar, na metade do caminho existe um verdadeiro oásis, uma fazenda / pousada que também serve de apoio para quem está de passagem, além de servir lanches e bebidas geladas, é um lugar maravilhoso para descansar e esperar o sol dar uma trégua.

Assim que chegamos, parei a moto debaixo de uma árvore e comecei a ouvir um barulho dentro do tanque, achei estranho e abri a tampa para verificar, a pressão dentro do tanque estava tão alta que a gasolina jorrou para cima lavando a moto e o motor que estava super quente. Na hora pensei, puts vai pegar fogo. Fechei novamente o tanque, e por sorte estava com uma garrafa de água na mão, que aproveitei para jogar sobre o motor e o escapamento. Foi só o susto, mas depois disso a cada 10 km parava para abrir o tanque e aliviar a pressão. Nesse trecho encontramos um grupo de Jipes do Brasil, que também estavam passando por esse mesmo problema de pressão nos tanques de combustível.
Chegamos em Cachi no dia 31/12, onde passaríamos mais um réveillon longe de tudo. Cachi é uma cidade bem pequena e com uma infra de pousadas e restaurantes que deixa a desejar, principalmente para essa data. Mas, a região é muito bonita e acabamos ficando amigos de dois jovens casais de brasileiros que viajavam de carro, o Neto e a Amanda e o Paulo e a Mulher Bombinha, comemoramos a passagem do ano juntos, na verdade mais bebemoramos do que comemoramos, porque a comida não deu para encarar, mas valeu pela companhia.

Dia seguinte nos despedimos de nossos amigos e partimos para S. Salvador de Jujuy, chegamos na cidade e como era dia 01/01 as ruas estavam vazias, quando passou por mim uma moto com placa da Argentina, pedi para o amigo parar e perguntei se ele conhecia algum bom lugar para se hospedar na cidade, e de primeira ele respondeu:
-Sim, na minha casa, eu adoro brasileiros, tenho muitos amigos lá.

Depois de alguns minutos de conversa, fomos até o apartamento do Mario, que inclusive estava fazendo aniversario no dia, enquanto comemorávamos com uma garrafa de Torrontes, falei com o Mario que gostaria de ficar numa cidade bem menor, afinal cidade grande já chega São Paulo, onde moramos. Ele então sugeriu Purmamarma, que fica a 70 km de Jujuy. Concordamos e o Mario de imediato se prontificou, vou com vocês, e fomos.
Assim que chegamos no charmoso povoado, descemos da moto e fomos nos refrescar num bar. Quem encontramos?
Nossos quatro amigos brasileiros, de novo o destino nos colocou no mesmo caminho.
Conversando com o Mario sobre a região surgiu mais um convite. Vamos subir as cordilheiras até as Salinas Grandes?
- Só se for agora, respondi.
Já passava das 21hs quando começamos a subir até os cinco mil metros de altitude, chegamos nas Salinas no começo da noite para apreciar as estrelas e fazer algumas fotos que ficaram show, principalmente porque o casal Neto e Amanda são profissionais no assunto.
Para fechar a noite, fomos comer empanadas e ouvir tango até às três da manhã. Ai que me dei conta de que ainda não tínhamos pousada para dormir. Mais uma missão para o Mario, que rodou com a gente até encontrarmos. Valeu Hermano.

A partir daí começamos a retornar ao Brasil, pelos mesmos caminhos que nos levaram a tantos lugares bonitos e diferentes, e que nos apresentaram novos amigos e novas histórias, que guardaremos para sempre em nossas memórias. Afinal viajar e colecionar experiências.

Até a próxima!

VERSÃO GARUPA

Depois de um ano tão difícil como 2016, nada como chegar em casa e receber a noticia de que iríamos viajar.
Mas como? Depois de tudo que passamos este ano? O Zé responde, por isso mesmo! Fiz um roteiro para América do Sul. Eu disse: - De novo?
Ele Responde: -É o que temos, a moto, os acessórios, um pouco de dinheiro e a vontade.
Como toda mulher que pensa com a emoção, pensei...Será?
E, como homem que pensa mais com a razão ele disse:
-É agora e já.

Ok, eu tenho opção? Ainda bem que não, porque se fosse por mim, não iriamos. Por isso é bom ter um parceiro que nos impulsiona. A rotina e o medo às vezes nos afastam dos nossos desejos.
Ele realmente precisava pegar a estrada depois de tanto estresse, e eu não estava diferente.
Sair da  rotina, nos renova para enfrentar uma nova etapa, sempre pensei assim, mas com o tempo vamos nos acomodando e cultivamos outros vícios, a mesmice.
Hora de mudar e ir mais uma vez para Argentina, Bolívia e Chile, pelo menos este era nosso roteiro inicial, mas como sempre, mudamos tudo pelo caminho. Como tínhamos poucos dias, preferi pedir para fazer uma viagem mais tranquila, sem muita pressa.

E como viajar junto é chegar a um consenso, resolvemos que seria só a Argentina mesmo e se desse tempo, estenderíamos para os outros países. Enfim, tinha muita coisa para conhecer, apesar de eu achar que já tínhamos visto tudo por ali. Ledo engano, a Argentina também é misteriosa, assim como o Chile e Peru.

Visitamos alguns lugares surpreendentes. Veja bem, nem sempre surpreender é para melhor, tiveram lugares inóspitos, que nem imaginei que existia na Argentina. Uma paisagem que lembra mais o Chile, Bolívia e Peru, estou me referindo as províncias de Salta e Jujuy. Já havíamos passado por lá, mas o entorno não tinha feito parte dos nossos roteiros.

Desta vez não tinha pesquisado os lugares junto com o Zé, aliás, prefiro nunca pesquisar, porque é uma forma de aprender a encarar o novo. Não que pesquisar não seja interessante, mas quero me surpreender com o que vem pela frente, sendo bom ou ruim, não importa, simplesmente quero me surpreender.
De fato me surpreendi com tudo. Com as pessoas, com as paisagens, com as atitudes do Zé e comigo mesma. Então entendo que foi uma viagem interessante, não é?

Vamos por parte:

PESSOAS: Os argentinos são pessoas muito prestativas. Todas as vezes que precisamos fomos bem atendidos e ajudados. A começar pela carona que tivemos que pedir para nos socorrer na estrada. Várias pessoas pararam para nos ajudar, um caminhoneiro deu carona até o borracheiro mais próximo para o Zé buscar socorro para consertar a moto que ficou com a roda amassada depois de passar num buraco. Quando conto esta história, as pessoas se assustam quando digo que fiquei no acostamento junto com a moto esperando o socorro chegar. Confesso que em momento algum senti medo, pelo contrário, a Argentina sempre me parece mais segura que meu próprio país.
Acredito não ter dado chance pro azar, se tivesse me sentido insegura, não teria ficado com certeza. Sempre confio no meu sexto sentido, se não confiasse acho que nem teria viajado de moto, concorda?

A primeira coisa que faço quando saímos de viagem é estar pronta pra tudo, comida ruim, horas de viagem sentada, hospedagem nem sempre de acordo, chuva, desentendimentos e algumas coisinhas mais. Então, falando em sexto sentido, nem sempre ele acerta, mas protege. Por exemplo, em Jujuy o Zé pediu uma informação sobre hospedagem e no mesmo momento o motociclista Mário nos levou para casa dele.

Como assim? Eu, indo dormir na casa de um estranho, que acabei de conhecer a menos de um minuto?  Pra minha surpresa, o Zé o seguiu e quando menos eu esperava estávamos na sala da casa dele.

Falei: _Zé, quero ver como você vai nos tirar dessa. Eu realmente não queria ficar ali. Pra mim tudo isso é muito estranho, mesmo os motociclistas dizendo que são uma irmandade. Prefiro conhecer antes. Acho que ele percebeu minha desconfiança, aliás, não sei nunca disfarçar. De fato, meu sexto sentido se enganou, o Mário se mostrou uma pessoa muito prestativa, pronto para nos receber bem e nos mostrar o melhor da sua região, tanto é que nos levou até Purmamarca e nas Salinas Grandes e se tivéssemos mais dias iria nos mostrar até um vulcão que fica na divisa da Argentina com o Chile. Questionei: A Argentina tem Vulcão? Diz ele que sim, mas não tivemos a oportunidade de conhecer. Esta vendo porque sempre temos que voltar. Não dá para conhecer tudo de uma única vez, prova disso que é a quarta vez que vamos para a Argentina. Mário, não tenho como deixar de me desculpar e também agradecer a recepção, mas acredito que você deve ter me entendido, afinal você é advogado criminalista.

E como brasileiro tem em todo lugar no mundo, acredito que até na lua, não seria difícil encontrar alguns pelos caminhos. Por incrível que pareça, sempre adotamos uns filhos e não poderia ser diferente com o Neto e Amanda (casal imagem) e Paulo e Ana Cláudia (casal intelectual) que viajavam num Astra, que batizamos de “Astralha”. Era tanta bagagem que às vezes achávamos que um deles ficaria para trás. Nos conhecemos em Cachi e passamos o Ano Novo juntos, com uma ceia perfeita, onde nos serviram “Trucha” (truta) estragada. Mais uma ceia divertida para nossa história. Acabei jantando uma bola de sorvete, pensando pelo lado bom, deixei de ingerir algumas calorias.

PAISAGENS: Pelas fotos, dá para ter uma ideia do que vimos nesta viagem. Algo parecido vimos em Uspallata, província de Mendoza, na Bolívia e no Peru, mas como estão todos ali, um perto do outro, era natural que a região fosse bem parecida. Me surpreendi, porque de fato não pesquisei nada, então atingi o meu propósito. Mas por outro lado, me surpreendi também com o calor.
Não imaginava que enfrentaríamos 64 graus no asfalto. Agora imagina esta temperatura com toda aquela roupa, cheguei a ter alergia do calor.

Loja de conveniência com ar condicionado era nosso oásis. Apesar das pequenas distancias entre nossas paradas, a viagem era bem cansativa, o calor nos consumia. Teve um dia que tivemos que parar por 3 horas e esperar o sol se por para seguirmos viagem.

Em contrapartida, outros dias enfrentamos muitos ventos, tanto é que a máquina caiu do tripé quando fazíamos uma foto. Por sorte em Salta consegui dar um jeito na lente e continuar usando a máquina. Me preparei pra tanta coisa, mas confesso que pra isso não. Deu um aperto no coração.
Resumindo, as paisagens destas províncias são muito parecidas, o que difere um pouco é a infraestrutura de cada lugar. Por exemplo, Salta, Cafayate, Purmamarca e Tucumán tem boas hospedagens e bons restaurantes dentro da média de gastos, já os outros deixam a desejar nos dois sentidos, preço x qualidade.

Nós, Piloto e Garupa – Mais uma viagem que nos ensina muito. Desta vez com menos ansiedade e mais compreensão. Com certeza a maturidade ajuda muito. Me recordo da primeira viagem que teve muitos desencontros e contratempos.

Agora um pouco mais rodados, aprendemos a nos respeitar e a decidir de forma mais tranquila o que fazer e como fazer. Algumas pessoas nos perguntam se não enjoa. Interessante, quando mais viajamos de moto, menos temos vontade de viajar de carro. A sensação de liberdade de agilidade e de simplicidade é muito maior. Lógico que tem alguns problemas, mas aprendemos superar juntos. Talvez seja por isso que viajamos sempre sozinhos.

Acho que dificilmente com outras pessoas dá para enfrentar os mesmos desafios e o mesmo ritmo sem estressar. Os tempos e desejos são diferentes.
Pode até parecer egoísmo, mas na  realidade é o momento que temos para ter nossa individualidade, apesar de estarmos o tempo todo juntos. É tempo para refletir, aprender observar e a cuidar um do outro.  Quando voltamos temos sempre a sensação de mais uma missão cumprida e que estamos prontos para novos desafios e com muito mais cumplicidade.

Se vocês ainda têm alguma dúvida de viajar a2, posso garantir que a experiência é única. Nos limita um pouco no que diz respeito a aventura, mas para o casal é o momento de reforçar a amizade, a confiança e o companheirismo.

Que tal começar pela Argentina? Fica a dica!

Viagem Realizada24/12/2016 a 06/01/2017
Quilômetros Rodados6.100km (ida e volta + passeios)
DespesasR$ 400,00 por dia(combustível, hospedagem, alimentação e passeios)
DIASCIDADECIDADE*Dist. KM
São Paulo - SPFoz do Iguaçu - PR1100
Foz do Iguaçu - PRPuerto Iguazu - AR60
Puerto Iguazu - ARPres. Roque Saens Peña - AR850
Pres. Roque Saens Peña - ARSalta - AR680
Salta - ARSanto Antônio de los Cobres - AR180
Santo Antônio de los Cobres - ARSalta - AR180
Salta - ARCafayate - AR200
Cafayate - ARCachi - AR170
Cachi - ARPurmamarca - AR490
10ºPurmamarca - ARSan Miguel de Tucumán - AR420
11ºSan Miguel de Tucumán - ARCharata - AR540
12ºCharata - ARFoz do Iguaçu - PR940
13ºFoz do Iguaçu - PRSão Paulo - SP1100
TOTAL - 6.100 Km

San Andrés – Colômbia

VERSÃO PILOTO

A sequência de nossa viagem foi para um paraíso a 700 km da costa colombiana, Isla de San Andrés, mar do caribe, mar das sete cores, um espetáculo, mas não dá para ficar só vendo esse paraíso e achando que tudo será flores, tínhamos que arrumar uma pousada, mais uma vez chegamos no finalzinho da tarde, então resolvemos alugar primeiro uma scooter para agilizar.

Depois de rodar bastante arrumamos uma pousada que “peloamordedeus” quando amanheceu saímos a procura de outra rapidinho.
Arrumamos outra, a pousada “peloamordedeus II”, mais uma noite mal dormida e no dia seguinte partimos a caça da próxima, dessa vez encontramos um hotel, agora o “hotelpeloamordedeus”, até finalmente encontrarmos uma pousada descente que nos acomodou durante o resto dos nossos dias por aqui. Mas tirando a busca pela pousada encantada, esse lugar é realmente um paraíso.

A ilha tem algumas peculiaridades, a começar pelos meios de transportes mais utilizados, carrinhos de golfe de 2 e 4 lugares e scooters, que você pode alugar em quase toda esquina, outro detalhe curioso é que o capacete só é utilizado pela polícia, ninguém na ilha usa esse acessório e o transito é super tranquilo.

A ilha tem 27 quilômetros asfaltados, que você percorre várias vezes, e a cada vez descobre um novo cantinho. O mar das 7 cores, como é conhecido, é um show que se renova todos os dias.

No centro da Ilha fica o agito, bares, bons restaurantes, lojas e toda a muvuca, ah! A ilha é zona franca também. Um pouco mais afastada fica nossa praia preferida, Rock Cay, de areia fofinha, muitos coqueiros e melhor serviço de bar da redondeza.

A ilha é tão bonita e a estrada é tão gostosa que todas as vezes que íamos da pousada para Rock Cay e vice-versa, escolhíamos o caminho mais longo. Da praia dá para ir caminhando até uma ilhota em frente que é um show à parte.

Há muitas opções de mergulho também, com cilindro, com snorkel ou com uma mangueira de ar engatada, e até aqueles capacetes, para quem curte deve ser uma diversão.

Da ilha também saem passeios de barco para outras ilhas menores, como Johnny Cay, aquário natural e Cayo Bolívar, por aqui tudo é muito bonito e recomendado.

No total ficamos 9 dias em San Andrés e 8 em Cartagena, nossa ideia inicial era ficarmos menos dias nesses destinos e incluir Medellín e Cali no roteiro, mas devido ao alto preço da locação de uma moto não deu certo.

Acredito que um período legal é de 3 dias em Cartagena e 4 ou 5 em San Andrés. Mas se puder dar uma esticadinha também vale a pena.

VERSÃO GARUPA

Que tal ser um Pirata?
Não aqueles que roubam riquezas e pilham navios por este mar afora. Falo de pirataria do bem, onde saqueamos culturas, capturamos paisagens encantadoras e nos tornamos reféns de belezas naturais do caribe colombiano.  Estou falando de ser pirata na Isla de San Andrés.

Há muitos anos atrás esta ilha foi alvo de piratas, mas hoje ela é invadida pelo turismo que algumas vezes tem seu lado bom e às vezes não.

Quando pensamos em ilha logo vem à imagem de um paraíso, sossego total e simplicidade. San Andrés não é bem assim, dependendo da época do ano é extremamente agitada. Na ilha existem muitos resorts e centros comerciais, principalmente porque é zona franca. Com tudo isso vem o lixo e a falta de infraestrutura para atender tanta gente.

Estávamos em Cartagena e resolvemos conhecer San Andrés. Procuramos uma agencia de viagens para comprar um pacote, mas nesta época do ano já não havia mais nada, somente passagem aérea e elas não arriscavam indicar um hotel ou hostel. As passagens custaram por volta de 850.000COP ida e volta por pessoa (R$ 1.200,00).

Voamos pela empresa Copa airlines, a única que faz voo direto. É obrigatório pagar uma taxa de 60.000 cop (U$ 20,00). Este bilhete é vendido no próprio aeroporto e é importante guardá-lo, porque tem que apresentar na
entrada e saída da ilha.

Sabíamos que era complicado chegar na ilha e encontrar algo bom para dormir, mas como todo bom pirata resolvemos arriscar.

Nossa ideia foi alugar uma scooter e sair à procura do tesouro perdido… Rodamos duas horas e nada de encontrar uma hospedagem. Seguimos para San Luís, a parte rústica da ilha e como estava anoitecendo, já não dava para enxergar mais nada, sem contar que os hostels geralmente não tem placas de sinalização.

Voltamos para região central e nos hospedamos no hostel Forbes II, 120.000cop a diária (R$ 160,00). Como chegamos à noite não tínhamos ideia de como era o lugar, pela manhã quando vimos, queríamos mudar, não só por isso, mas já não havia mais água e energia elétrica. Aliás, este é um problema sério da ilha. Como não tem rio, são utilizadas água de chuva, água comprada de caminhões pipa ou também água dessanilizada. Nem todo proprietário de hostel tem esta preocupação, mesmo porque o custo é muito alto e quando menos se espera ficam sem água.

No dia seguinte, já sem dormir direito os ânimos ficam a flor da pele. Já não tínhamos feito um bom negócio no aluguel da scooter. Pegamos a primeira que nos ofereceram e o custo saiu alto. Por isso é muito bom pesquisar. Uma dica é ver se no hotel ou hostel que se hospedar, o proprietário também aluga scooter. O custo é bem baixo, sem contar com a praticidade de devolver no mesmo lugar. O custo da diária varia de 60.000 cop a 100.000cop (R$ 85,00 a R$ 142,00). Na baixa temporada é possível alugar até por 40.000cop (R$ 57,00).

Decida quantos dias quer ficar e negocie bem. Pra ser sincera, dependendo de onde se hospedar, o melhor é alugar por todo o período. Fica muito mais fácil para conhecer toda a ilha e com liberdade para fazer as coisas na hora que der na telha.

Segundo tesouro a ser conquistado, segundo hostel a nos decepcionar. Este foi o pior, Miss Luz. Impossível dormir. Minha vontade era pegar o primeiro voo e ir embora para qualquer lugar que tivesse uma cama boa. Agora veja se não tenho razão, o quarto tinha um cheiro insuportável, o ventilador não tinha a tela de proteção e o banheiro dito privativo era comunitário.

Pagar por uma coisa e levar outra é extremamente revoltante. Já dormimos em lugares piores, mas pelo menos não éramos extorquidos.

Detalhe, ele está no booking e com uma aparência muito boa. Se possível, em San Andrés o melhor é escolher no local, sem fechar pela internet. Conhecemos um casal de brasileiros que ficou hospedado 14 dias. Por Deus!!! É que eles pagaram tudo de uma só vez. Como a ilha está muito requisitada, os moradores fazem de suas casas simples hospedagem com custo de hotel, sem planejamento nenhum.

Terceiro e penúltima hospedagem, Caribean hotel, próximo ao aeroporto, o único que tinha um quarto vago. O valor era o mesmo dos hostels, 120.000 cop. Tudo limpinho, apesar do colchão ser extremamente duro, enfim conseguimos dormir. Mas teve algo que nos fez desistir no dia seguinte, na primeira hora, o cheiro da água. Sem condições, não dava nem para tomar banho. Como já tínhamos descoberto um hostel que era uma gracinha, onde os proprietários Rose e seu marido alemão eram muitos cuidadosos, fomos direto pra lá, Karibbik Haus

Agora só nos restavam mais 2 dias e mesmo assim resolvemos reservar até o dia 19 com a intenção de trocarmos as passagens. Todos os dias passávamos num posto de venda da Copa, mas nunca tinha passagem até que resolvemos ir direto ao aeroporto. Engraçado, lá tinha para todos os dias que procurávamos, lógico que os preços e a multa variavam. Pronto, conseguimos ficar mais tempo e não precisávamos nos preocupar com o que fazer nos próximos dias.

Acho que agora posso começar a falar bem da ilha. Demorou, mas conseguimos nos acertar. Tudo foi válido para podermos agradecer pelos últimos dias. Só para ter uma ideia, minha máquina fotográfica no início nem queria sair da mala, agora já estava pronta para curtir suas férias trabalhando.

A ilha tem algumas particularidades. Estamos em um só lugar, à medida que vamos nos deslocando temos a impressão de estarmos em outros. Deixa-me explicar:
Tem uma praia no centro chamada Sprat Bay, que parece que estamos em Miami. Já no lado sul da ilha, parte mais rústica, a gente se sente realmente em uma ilha. Quando vamos para dentro da ilha, a impressão que estamos no interior de uma cidade sem praia. Isso pra mim foi incrível e por este motivo não dá para enjoar do lugar. Cada dia a gente descobria coisas novas. Chegamos até a fazer um off- road de scooter acredita?

Se você for um peixe, vai se sentir em um aquário. Todo lugar da ilha dá para fazer diversos tipos de mergulho. E pra quem nunca fez e quer fazer, o que não falta são cursos. Deve ser um lugar lindo para fazer o batismo.

Esportes radicais de água e ar também são bem explorados na ilha, de jet-ski , 40.000 cop 15 minutos, cerca de R$ 60,00, a parasailing, um pára-quedas puxado por uma lancha.

Mas o que eu mais gostei na ilha foi andar de moto. Todas as manhãs dava uma volta inteira nela e depois escolhíamos onde ficar. Sentir aquela brisa me fazia muito bem, tanto é que em 8 dias rodamos mais de 600 quilômetros. Estranho, mas legal é que podíamos andar sem capacete e de biquíni, assim dava para aproveitar e pegar um bronze. Outra coisa muito gostosa era dar a volta na ilha à noite. No primeiro dia achamos perigoso, mas depois nos familiarizamos e tudo era festa.

Poderia indicar alguns lugares, mas o ideal é andar pela ilha e escolher um cantinho pra chamar de seu. Nos últimos dias elegemos um lugar que fica em San Luis, a praia de Rock Cay, na barraca chamada The Grog, precisamente embaixo de uma árvore. Se quiser procurar, ali enterramos nosso tesouro. O serviço era bom e não precisava pagar nada para sentar, só tinha que consumir alguma coisa, diferentemente de outras praias.

Gostei também de conhecer Johnny Cay e o Aquário, são passeios mais próximos e com um custo razoável, 50.000 cop (R$ 70,00 casal) já incluso a taxa de visitação da ilha.

Na Cueva de Morgan poderá conhecer toda a história da ilha e quem sabe achar o tesouro escondido do legendário pirata inglês Sir. Henry Morgan. Caso não ache, terá que deixar então o seu. O valor é 15.000cop (R$ 20,00) por pessoa.

Quem gosta de altura poderá conhecer a primeira Igreja Batista. Eles cobram 3.000cop para subir ao topo dela e fazer fotos. Só não pode estar em trajes de banho. Esta é a parte da ilha que falei que parece uma cidadezinha do interior.

Agora vamos falar da parte gastronômica da ilha. A comida islenha, como eles chamam é composta por arroz de coco, patachones,peixe frito e uma minúscula salada. Todo passeio eles servem este tipo de prato podendo substituir o peixe por frango.
Simples, mas até interessante se bem preparado. Não tivemos sorte em comer em algum lugar bom este prato típico.

Mas como havia dito no texto anterior, a melhor comida da Colômbia foi à peruana. A maioria das vezes jantávamos no Peru Wok, a comida deste lugar é maravilhosa. Nos fundos tem uma parte que dá para o mar e tem uma iluminação que deixa o ambiente super agradável. Achei os preços justos e o atendimento perfeito.

Jantamos também no famoso La Regatta. Comida boa, mas tem que fazer reserva com antecedência por causa da grande procura. Ele também não abre aos domingos. O interessante é que fica em cima do mar e alguns peixes ficam passeando por ali, mas acabamos não vendo, no máximo uma moréia escondida atrás de uma pedra.

Agora cuidado com o coco loco, tem que ser um bom lugar para experimentar, senão é dor de cabeça na certa. Se não quiser correr risco tome limonada de coco ou natural, além de refrescante é uma delícia.
Muitas opções de restaurantes, mas já que está ali, escolha os que oferecem frutos do mar.

Lembra que falei da impressão de estar em outros lugares? Então, tive a sensação de estar na Jamaica. Encontrei muitos Bob Marleys e Jimmy Cliffs pelo caminho, principalmente no lado sul da ilha. Conhecemos o David, um sujeito inteligente que nos fez um breve resumo da história, dos seus antepassados e dos problemas que a ilha enfrenta hoje em dia. São só 27 km de extensão, mas com problemas enormes que chegam com o turismo e com alguns piratas não desejados.

Quem tiver tempo de sobra pode conhecer Isla Providencia. Para chegar até lá tem que ser com barco grande ou de avião, vai depender de quanto tem para gastar. Necessário uns dois dias, não dá para fazer bate e volta. Pelas informações de outros piratas aventureiros o mar é extremamente agitado e a embarcação balança muito, com certeza vai enjoar.

Não tem mais nada para fazer? Já visitou tudo? Superou os contratempos? Então agora vem o melhor! Ficar contado as sete cores do mar maravilhoso que tem o caribe colombiano. Tirando todos os problemas da ilha, se fechar os olhos vai sentir vontade de morar ali só para acordar e ver os tons de azul que tem o mar. A água quente para se banhar, as variações de clima da ilha, o barato de não fazer nada e nem se importar o que vestir, porque o menos importante é isso. As pessoas se sentem livres para fazer o que quiser e isso nos causa uma sensação muito boa. Quer mais liberdade do que tem os piratas? Livre das obrigações e sempre dispostos a novas aventuras!

De pirata pra pirata, agora você já tem o mapa do tesouro, só não vai deixar passar um século para explorar a ilha, né?

Acompanhe a primeira parte desta viagem - Colombia Cartagena

Viagem Realizada10/12/2015 a 19/12/2015
Valor de moeda na épocaDólar - U$ 1,00 = R$ 3,85 / Dólar - U$ 1,00 = 2900,00cop (pesos) O valor do Real - R$ 1,00 = 700,00cop
Despesa AlimentaçãoDólar Americano 80,00$ por 03 refeições para duas pessoas Hostel geralmente sem café da manhã
Despesa HospedagemU$ 41,0 -Média diária hotel três estrelas - R$ 157,00 ou 120.000,00 cop
HospedagemPousada Forbes II - centro - Péssimo Hostel Miss Luz - a PIOR de todas as hospedagens desta viagem Hotel New Caribean - Próximo do aeroporto - Não indicamos Hostel Karibbean Haus - melhor custo x benefício
Aluguel de Scooter60.000cop por dia - corresponde a u$ 21,00 (alta temporada) Valor do galão de gasolina - 10.000,00 cop

Cartagena de Ìndias – Colômbia

VERSÃO PILOTO

Mais um final de ano e mais uma grande aventura programada, dessa vez essa será a mais longa e cansativa de todas. Serão mais de 14 mil km a serem cumpridos em 24 dias, sem choro, nem vela. Média diária de 597 km com muito sol, calor, chuva, frio, neblina, tempestade de areia e até um pouquinho de gelo (no whisky).

O Texto acima é da nossa Viagem Ao Meio do Mundo, marco histórico no Equador, realizada no final de 2014. Resolvi começar com esse texto porque essa viagem a Colômbia é quase que a continuação da viagem anterior. Vou me explicar:
Na viagem ao meio do mundo fomos praticamente até a fronteira do Equador com a Colômbia, não continuamos por falta de tempo, afinal de contas, de vez em quando alguém tem que trabalhar também.

Pois bem, esse ano resolvemos finalizar a América do Sul, fechando com a Colômbia.  Claro, que partir de moto de São Paulo até a Colombia, passando por todos os roteiros já realizados seria loucura e um enorme tempo perdido, então, nossa opção foi ir de avião e alugar uma moto por lá, sem muitos roteiros detalhados, assim como tem sido nossas últimas longas viagens.

Chegamos em Bogotá, a capital do país, com quase 9 milhões de habitantes, e como grandes cidades nunca foi nosso foco, passamos apenas uma noite nela, antes de seguir para Cartagena de Índias. Aproveitamos a noite em Bogotá para conhecer um dos principais pontos turísticos da cidade, o Cerro Monserrate. Bogotá fica a 2.640 metros acima do nível do mar, e do alto do Cerro, depois de subirmos de funicular, chegamos 3.152 metros de altitude, de onde pode-se observar toda a cidade. Um detalhe muito importante nesse tipo de passeio é levar um agasalho, coisa que eu esqueci e subi só de camiseta. Os colombianos me olhavam achando que eu era natural da Sibéria.

A primeira baixa da viagem foi a ideia de alugar a moto, já havíamos pesquisado e não conseguimos achar nada interessante abaixo de 1.300 dólares por semana, ou seja, para 2 semanas 2.600 dólares, com o nosso realzinho super desvalorizado, sairia algo em torno de 10.400,00 reais, totalmente fora de cogitação.

Partimos então para a famosa cidade amuralhada. Deixamos a fria Bogotá para chegar na caliente e abafada Cartagena de Índias. A cidade é totalmente turística, e pode ser dividida em duas partes, dentro e fora das muralhas. Dentro é a parte histórica, com muitas pousadas, lojas, bares e restaurantes e muitas ruas que você anda o tempo todo, dia e noite, essa cidade parece que não dorme, tem turistas de todas as partes do mundo. Do lado de fora é o lado mais moderno da cidade, sem o mesmo charme de dentro dos paredões. Apesar de ser uma cidade praiana, as suas praias não são muito convidativas para um mergulho ou mesmo ficar sentado à beira mar. Acho que o tempo ideal para ficar por aqui são uns três dias, acabamos ficando um pouco a mais do que isso, e hoje conhecemos essas ruas melhor do que os carteiros locais.

Um dos passeios mais indicados por aqui é a Playa Blanca na Isla Barú, que na verdade deixou de ser uma ilha porque construirão uma ponte que liga Cartagena a Barú.
A praia até que é bonita, com areia branca realmente, mas... como é muito próxima a Cartagena e com acesso de barco ou até de ônibus, tem muita gente, e não tem água doce então imagina como fica a higiene.

Em Barú é muito recomendado passar uma noite naquelas cabanas a beira do mar. Você já deve ter visto algumas fotos, parece muito lindo mesmo e romântico também, só nas fotos. Essas cabanas estão mais para barracos de madeira com apenas a cama dentro e uma janela, que segundo informações, durante a noite é melhor permanecer fechada, devido aos pernilongos, e sem banheiro. No passeio de barco incluía o almoço na ilha, que pela desorganização e falta de higiene preferi não comer. Passamos o dia e voltamos para Cartagena. Pode até ser que não demos sorte nesse dia, mas segundo informações dos guias a ilha está sempre lotada.

VERSÃO GARUPA

Amarelo, azul e vermelho, a Colômbia é assim!. Não é à toa que as cores primárias foram escolhidas para compor as cores da bandeira. É que a mistura de todas elas geram outras cores (secundárias) e assim a Colômbia fica ainda mais colorida. Somando são seis cores, mas na realidade são sete as cores do mar do caribe colombiano. Para quem não sabia, como eu por exemplo, o mar do caribe colombiano é lindo, adorável e fantástico de apreciar.

Mas nem sempre tudo é colorido, vai depender de alguns fatores, como data, hospedagem, tempo de viagem, proposta da viagem e estado de espírito.
Tudo depende de escolhas. Nós preferimos viajar mais dias com menos conforto. Isso aconteceu porque estamos acostumados a viajar de moto e sempre precisamos de mais dias. Só que no meio dos nossos projetos, a economia do país mudou, nossa moeda desvalorizou e o dólar subiu para 4 reais. Para ter uma ideia, o aluguel de uma BMW 1200cc saía por U$ 1.300,00 a semana, mais ou menos R$ 5.400,00. Colocando na ponta do lápis, quase ¼ do valor da moto que temos no momento se alugássemos por duas semanas.

Você também pode escolher viajar menos dias com mais conforto, falo isso porque, apesar de ser um país considerado pequeno, perigoso e subdesenvolvido, também possui resorts caríssimos e hotéis suntuosos. Tudo vai depender da sua proposta, como por exemplo, uma viagem de lua de mel.

Como sempre, viajar em baixa temporada também é o mais indicado, além de preços mais baixos, você poderá desfrutar do lugar com menos pessoas e mais tranquilidade fazendo boas escolhas. Mês de novembro até início de dezembro é bem interessante, porque o sol não tira férias, só você.
Com esta experiência, descobrimos a seguinte fórmula:
2 dias em Bogotá, 4 dias em Cartagena e 6 dias em San Andrés, totalizando 12 dias. Mais que isso, acredito que a viagem fica um pouco repetitiva. Agora se tiver mais tempo para poder dar uma esticada até Medellín ou Ilha Providência também será bem interessante.

Falaremos um pouco sobre estado de espírito. Indicar um lugar para viajar é bem sério, tem que conhecer bem a pessoa. Não é à toa que existem os agentes de viagens. A pessoa se prepara o ano todo para as férias e de repente se decepciona. Isso é possível sim, mas vai depender do poder de resiliência de cada um. Transformar o ruim em bom é difícil, mas quando se viaja, principalmente, muitos dias sem muitos planos é um risco que se corre e uma técnica que se aplica.

Isso foi que aconteceu com a gente. No início só decepção. Sentimos até vontade de voltar antes do tempo, mas não tinha como trocar as passagens, então fomos obrigados a alterar nosso estado de espírito querendo ou não ou seriam 15 dias de frustração.
O novo sempre assusta, apesar de estarmos acostumados a viajar de moto para diversos lugares, ficamos pouco tempo em cada local e neste caso seriam muitos dias no mesmo.

Usamos nossa criatividade e resolvemos nos aventurar. Vou falar um pouco de cada lugar e o que fizemos nestes dias de viagem para dar uma ideia do que escolher quando for para a colorida Colômbia.
BOGOTÁ

Nossa primeira parada foi em Bogotá. Até aí tranquilo. Chegamos a tarde e nos hospedamos no Ibis Museo, próximo a Monserrate, um ponto turístico famoso. Foi interessante conhecer, mas como era sábado à noite e próximo ao Natal, a fila para o funicular era imensa para ver a iluminação natalina la de cima do morro. Bogotá já é bem friozinho, imagina a 3152m de altitude? Para ajudar enfrentar o frio, nada como luvas, gorro, jaqueta e uma AROMÁTICA. Não sabe o que é, né?

Então vamos explicar, AROMÁTICA é um chá bem quente e doce feito de várias ervas e você pode escolher com rum ou sem e custa em torno de R$ 6,00. Para subir usamos o funicular e para descer foi um bondinho. O valor por pessoa é 18.000 COP, cerca de R$ 25,00.
Outro lugar bem interessante para conhecer é o famoso restaurante Andrés Carne de Res. Na realidade o conhecemos na volta, quando tivemos um intervalo de 10 horas de espera para o próximo voo. Pensamos em diversos pontos turísticos, como a La Candelaria, centro histórico de Bogotá, mas como tínhamos vindo de Cartagena, já imaginávamos que seria muito parecido. Gostaríamos também de conhecer a Catedral de Sal, que fica em Zipaquirá, mas demoraríamos cerca de 7 a 8 horas entre ida, volta e uma hora de passeio, fora o custo do taxi que seria cerca de 230.000,00 COP só ida.

Escolhemos então a Zona Rosa, um bairro moderno de Bogotá, onde ficam os bares e restaurantes da cidade, ideal para o tempo que tínhamos. Fomos de taxi e custou 35.000,00 COP (R$ 50,00) fora a taxa que se paga para sair do aeroporto que é 5.000,00 COP (R$ 7,00), detalhe, para entrar também paga esta taxa, portanto não se assuste quando o taxista te cobrar mais do que aparece no taxímetro.

Na saída do aeroporto ficam diversas pessoas te abordando para fazer um City Tour, o valor é U$30,00 (R$ 116,00) por hora, achei muito caro.

Voltando ao Restaurante Andrés Carne de Res, foi uma excelente escolha. Ainda bem que chegamos as 12h, pois é preciso fazer uma reserva com dois dias de antecedência, mas como estávamos por lá decidimos arriscar e esperar uma mesa desocupar. Diferente do que pensávamos não toca só rumbia, mas todo tipo de música, o que torna o ambiente muito agradável. A decoração é incrível, diferente de tudo. Pasmem, são cinco andares e todos lotados. O cardápio é assustador, mais ou menos 20 páginas. Se for a Bogotá não deixem de conhecer este restaurante mundialmente famoso. O almoço para o casal sai por volta de 120.000,00 COP (R$ 170,00). Vale muito a pena!!!

CARTAGENA

Cartagena de Índias, você pode amá-la ou odiá-la. Falo isso por causa do imenso calor, mas com um pouco de paciência a gente se acostuma. Quando chegamos, me assustei um pouco por causa do hotel que escolhemos, Casa Baluarte. O hotel era até bonzinho, mas a localização um pouco assustadora. Ficamos só dois dias e depois optamos por um hotel dentro da cidade amuralhada.

Esta viagem planejamos até a página 2, explicando melhor, sem plano algum, só com algumas ideias e pra ser sincera ir para Colômbia nestas condições não é uma boa, principalmente no mês de dezembro. Enfim, como já estávamos por lá, o negócio era se preparar para o que viesse pela frente. Depois de perceber que realmente era muito melhor se hospedar dentro da cidade amuralhada, nas nossas caminhadas aproveitávamos para ver hotéis.

Mas deixa eu explicar um pouco mais sobre esta “cidade amuralhada”. É a parte antiga e histórica de Cartagena, cercada por um enorme muro que protegeu a região por séculos. Isso é que dá o charme a este lugar. Com muitos hotéis, restaurantes, museus, lojas, joalherias, artesanatos e futuramente até um shopping construído nos padrões e estilo do local. E é simplesmente por tudo isso que você deve se hospedar por ali. Se quiser fazer uma viagem top, ali dentro também tem hotéis maravilhosos e se quiser gastar bem pouquinho, tem hostels com preços bem acessíveis.

Sem esperança do que fazer nos próximos quinze dias, resolvemos sair do hostel e ir se aventurar numa cabana na ilha Baru, que fica uns 40 minutos de lancha. Playa Blanca, este é um lugar para nunca se esquecer, não pela sua beleza, mas pela sua sujeira. Já começou errado pela prestação de serviço da empresa de turismo que nos levou. A pessoa responsável por nós, sumiu e nem se preocupou em orientar para o serviço incluso, o almoço. Andamos pela praia, linda, porém lotada num calor insuportável com nossa malas em busca de uma hospedagem descente e honesta, mas esqueça, tudo que se vê em foto ou sites não corresponde ao que vimos ali. As cabanas são barracos de madeira. Como não tem água na ilha, a higiene fica em segundo ou quem sabe em último plano. Já dá para imaginar como seria o almoço que nos venderam, não é? Quando desistimos de nos hospedar por ali, não só pela sujeira, mas também pelo absurdo que queriam nos cobrar, 120.000,00 (R$ 160,00) por um quarto só com uma cama e mais nada. Banheiro não era privativo. Banho? Como assim se não tem água nem para lavar as mãos. Não tem energia elétrica, portanto ventilador é um luxo que não combina com a ilha e o calor tem que ser suportado por uma noite de janelas abertas onde você ira dividir espaço com os inúmeros mosquitos que habitam a ilha. Até já passamos por situação semelhante, mas não tão explorado deste jeito. Fiquei brava e resolvi que não ficaríamos e voltaríamos para Cartagena. Uma pena porque o lugar é lindo, o mar é incrível, mas a quantidade de pessoas no lugar quebrou o encanto de uma história que poderia se comparar a “Lagoa azul”.

Chegamos no porto e desta vez já sabíamos que ficaríamos na cidade amuralhada. Descobrimos um hotel que tinha acabado de inaugurar, tudo novinho e o melhor, bem localizado, o El Viajero II. Quarto amplo, bem arejado, ar condicionado, diferente de muitos que vimos, pois algumas hospedagens os quartos não tem janelas, deve ser por causa das adaptações dos casarões antigos.
Em Cartagena tem muitos passeios com saída de barco, resolvemos não fazer, porque ficamos cismados com o tipo de prestação de serviço, poderia muito bem ser semelhante ao da Isla Baru. Se quiser arriscar, pode escolher a Isla del Aconchego, um pouco mais longe e por este motivo deve ser bem menos movimentada.

Não tive nenhuma dificuldade em ficar mais dois dias em Cartagena antes de viajar para San Andrés. Sinceramente gostei muito deste pedaço de Cartagena. Quando se dorme e come bem, o lugar fica bem melhor, até o calor ficou suportável. Cartagena parece um labirinto, sem o Minotauro, mas como muitos cavalos para passeios. Optei por não fazer, aliás, achei um despropósito aquele monte de animais explorados sem controle. O tempo todo passa pessoas gritando “coche”. Falo isso porque não vi nenhuma campanha explicando e orientando os turistas que os cavalos são bem tratados e estão trabalhando dentro de um regulamento.

Uma dica para conhecer toda a cidade amuralhada é alugar uma bicicleta, 4.000,00 COP por hora (R$6,00) ou se preferir 25.000,00 COP por 24hs(R$ 36,00). Tem que ter um pouco de cuidado, pois passam muitos taxis pelas ruas estreitas. Tem também moto elétrica, são as únicas que podem rodar todos os dias dentro da cidade amuralhada, pois as movidas a gasolina podem dia sim, dia não.

Pensamos em alugar uma moto, mas todas as pessoas diziam que era muito arriscado. Visualmente não parece, mas preferimos ter juízo a estragar nossas férias.
Descobrimos também que a melhor comida da Colômbia é a peruana. Todos os restaurantes peruamos que conhecemos foram incríveis e os preços bem honestos. Ceviche era o pedido certo, um melhor que o outro.

O que mais gostei em Cartagena foram as flores nos balcões dos casarões, os cafés, as obras de artes expostas nas ruas. Cartagena é pura cultura. Tem inúmeros museus, mas não é o nosso perfil de passeio, mas não deixamos de conhecer o forte de San Felipe, que foi bem interessante.

O que não gostei em Cartagena foi a abordagem de vendedores típico de cidades turísticas, principalmente na Plaza Santo Domingo, onde fica o monumento de Botero e também achei que poderia ter menos lixo nas ruas, não que eles não limpavam ,mas sabe como é o ser humano, né?
Elegemos uma bar como nosso preferido, o The Clock Pub, música boa e excelente marguerita, tome duas e pague uma no happy hour. Eita coisa boa! Ele fica bem no portal da cidade amuralhada, a Torre do Relógio.

Decidido que iríamos para San Andrés, não era mais necessário pensar em outros passeios por Cartagena. Compramos a passagem só para 5 dias e ainda teríamos mais 7 dias na volta. Talvés conheceríamos Medellin ou Santa Marta, mas isso deixaríamos para depois.

Descobrimos uma agencia de viagens bem no centro histórico e assim não era necessário ir até Bocagrande, mas é preciso sair da cidade amuralhada e enfrentar um trecho que lembra muito a 25 de março em São Paulo. As passagens custaram 850.000COP ida e volta por pessoa (R$ 1.200,00). Optamos por 5 dias porque estávamos inseguros em relação a hospedagem nesta época do ano.

Depois de voltar de San Andrés ainda tínhamos mais 4 dias para explorar Cartagena. Resolvemos não ir para Santa Marta. Viajar muitos dias nos priva financeiramente de fazer tudo quanto é passeio. Nos hospedamos no mesmo hotel, porém num quarto que dava de frente pra rua e em frente a uma boate. Imagina, aquela noite foi impossível dormir. Quer uma sugestão? Quando procurar uma hospedagem, escolha os quartos dos fundos, pois os barulhos das ruas são insuportáveis. Nossa sorte é que no dia seguinte desocuparia um quarto e poderíamos mudar.

Apesar de não ter o verde na bandeira colombiana, esta cor é a mais importante. A Colômbia é o país que mais produz esmeraldas e em Cartagena o que não falta são joalherias com muitas ofertas.

Muitas outras cores se espalham pelas ruas de Cartagena com as famosas “palenqueiras”, mulheres vestidas nas cores da bandeira e que vendem frutas ainda mais coloridas.

Não disse que a Colômbia era colorida? Vale muito a pena conhecer este lugar que apesar de alguns desencontros vai me deixar muitas saudades!!!

Acompanhe a segunda parte desta viagem - Colômbia San Andrés
Viagem Realizada05/12/2015 a 09/12/2015 e 19/12/2015 a 22/12/2015
Valor de moeda na épocaDólar - U$ 1,00 = R$ 3,85 / Dólar - U$ 1,00 = 2900,00cop (pesos) O valor do Real - R$ 1,00 = 700,00cop
Despesa AlimentaçãoDólar Americano 80,00$ por 03 refeições para duas pessoas Hostel geralmente sem café da manhã
Despesa HospedagemU$ 41,00 -Media diária hotel três estrelas - R$ 157,00 ou 120.000,00 cop
HospedagemCasa Baluarte - centro - Má localizada Hotel El Viajero II - cidade amuralhada - bom local e tudo novinho. Escolher quartos dos fundos porque tem muito barulho no quartos da frente
Links - Aluguel de Motohttp://www.adventures57.com/

Viagem ao Meio do Mundo – BOLÍVIA / PERU / EQUADOR

VERSÃO PILOTO

Mais um final de ano e mais uma grande aventura programada, dessa vez essa será a mais longa e cansativa de todas. Serão mais de 14 mil km a serem cumpridos em 24 dias, sem choro, nem vela. Média diária de 597 km com muito sol, calor, chuva, frio, neblina, tempestade de areia e até um pouquinho de gelo (no whisky).

Saímos do Brasil pela aduana de Corumbá com Puerto Quijarro na Bolívia, lugar que você tem que ter muita sorte ou muita paciência. Sorte para não pegar muita fila ou paciência de esperar por 6 horas para fazer todos os trâmites, que foi o nosso caso, infelizmente.
Mas, para quem vai encarar essa aduana é bom saber que depois de carimbar o passaporte você tem que atravessar a rua e fazer a declaração juramentada do veículo (é necessário cópia do passaporte, CNH e documento do veículo), feito isso fomos até Puerto Suárez, no departamento de trânsito, onde pagamos 50 bolivianos para fazer a autorização de circulação pela Bolívia.
Depois de feito todo o processo seguimos para Roboré, no caminho fomos parados num posto policial e tivemos que apresentar todos os documentos que tínhamos acabado de fazer, inclusive a autorização de veiculação.
Abastecer na Bolívia merece um pequeno capitulo.

Abastecimento

Na Bolívia, por lei, veículos estrangeiros pagam quase três vezes mais pelo litro de gasolina do que os nativos.
Na pratica funciona da seguinte forma, o posto de gasolina precisa ter uma nota específica para estrangeiro, claro que nem todos têm, então você pode chegar num posto e o frentista te dizer:
- O preço do litro é 3 bolivianos, mas para estrangeiros é 8, posso abastecer?
- O preço do litro é 3 bolivianos e você paga 3 bolivianos mesmo.
- Não temos nota para estrangeiro, então não posso abastecer, mas você pode tirar a moto do posto, trazer um galão e abastecer a moto lá fora.
- Não temos gasolina.
- Não temos sistema.
- Não temos energia.
- Não temos governo. Ops!!!
Mas no fim você sempre acaba abastecendo. Desde que você leve um galãozinho.

No dia seguinte acordamos cedo e seguimos rumo a La Paz, como o mapa do GPS resolveu não funcionar e por um erro de cálculo, tivemos que dormir em Entre Rios, um lugar horroroso que só tinha um hotel, muito meia boca, jantar nem pensar.
Depois de acordar bem cedo caímos fora de Entre Rios rumo a La Paz. A chegada à capital boliviana impressiona por dois aspectos, primeiro o visual do alto da estrada, onde se vê toda a cidade, como se estivesse num caldeirão, segundo o trânsito, que merece um capítulo exclusivo.

Trânsito

Se você tem alguma coisa que nunca tenha visto acontecer no trânsito, na Bolívia você poderá ver, aqui tudo é possível.
Primeiro não se assuste com as buzinas e não se acanhe em buzinar também, é melhor fazer de tudo para ser visto mesmo, no começo a gente se assusta, mas depois fica até divertido.
Por toda a ruta nacional 4, passamos por dentro de cidades grandes ou pequenos “pueblos”, em todos os casos todo cuidado é pouco, praticamente não existe lei de trânsito, cada um faz o que quer, conversão em qualquer lugar, qualquer lugar mesmo, inclusive nas rodovias, nos semáforos só fica parado quem quer, e vem carros e motos de todos os cantos.
Portanto, ao passar pelas cidades fique atento a tudo o que pode acontecer e na zona suburbana, redobre o cuidado, porque carros e motos atravessam a estrada sem a menor noção do perigo. Mesmo motoristas profissionais, como caminhoneiros não perdem tempo olhando no retrovisor nem dando seta, tomei uns três sustos que o meu coração quase saiu pela boca e caiu em cima do tanque.
Aqui moto é um meio de transporte que comporta quantos passageiros couber em cima, é impressionante ver famílias inteiras (pai, mãe e quatro filhos, sobre uma motinho, todos de chinelo, e claro, sem capacete, tanto nas cidades quanto nas estradas também.

De La Paz fomos conhecer a famosa e perigosa Estrada da Morte, em Coroico, distante 100 km da capital.
Quase chegando em Coroico você tem a opção de descer pela Estrada da Morte (que é de terra) ou descer pelo asfalto. Como somos gulosos, resolvemos descer e subir a danada, que é muito legal e divertido, e rende belas fotos. Claro, que para isso é bom ter um pouco de experiência off-road. A descida é pela mão esquerda, ou seja, quem desce fica do lado do precipício e quem sobe fica do lado da montanha. Foram 15 km até o final da estrada e depois mais uns 10 km de estrada de pedra para subir até o “Pueblo” de Coroico, depois é só voltar, valeu a pena.

No dia seguinte em direção ao Peru e mais uma aduana pela frente, em Desaguadero, graças a Deus essa foi tranquilo, só uma dúvida SOAT ou não SOAT? O SOAT também merece um capitulozinho.

SOAT

É um seguro obrigatório de acidente de trânsito que todo veículo deve ter no Peru, Equador e Colômbia. Porém, é meio confuso se é obrigatório também para estrangeiros. Tentamos fazer logo que entramos no Peru, mas mesmo nos bancos as informações eram desencontradas, tanto que queriam cobrar o seguro para o ano todo. Então, optamos por não fazer e não tivemos nenhum problema, fomos parados várias vezes e em nenhuma delas nos foi pedido o SOAT.

Nossa intenção nesse dia era chegar em Chivay, mas uma nuvem preta gigante se formava naquela direção, e como final de tarde com chuva não combina em cima das cordilheiras, resolvemos mudar a proa para dormir em Juliaca.
Conhecemos a “temida” cidade de Juliaca há 5 anos, quando alguns amigos nos alertavam “quando passar por lá nem pare, abastece antes e passa direto”.
Para nossa surpresa Juliaca cresceu muito, com vários hotéis, restaurantes, supermercado. Ainda bem, porque tivemos que dormir lá.
Dia seguinte, tempo bom e rumo a Chivay, que é uma pequena cidade muito simpática e com boa estrutura para receber turistas, valeria a pena ficar uns 3 dias por lá, mas...

De lá fomos para o Vale do Colca, conhecer o canyon mais profundo do mundo e ver, ao vivo, o voo do condor, que costuma dar suas voltas por lá só de manhã bem cedo, mas como somos muito sortudos apareceu um exclusivamente pra gente.

De Chivay para Nasca, trecho bem difícil de pilotar, pegamos uma tempestade de areia que tive até que rezar para que Santo Filtro de Ar fizesse seu trabalho direitinho. Depois de passar pelas famosas linhas de Nasca, onde pudemos ver algumas figuras da beira da estrada dormimos em Nasca, que vive em função do turismo nas linhas.

Dia seguinte fomos para Paracas, uma reserva nacional, que vale muito a pena visitar, de lá pode-se pegar um barco e conhecer algumas ilhas repletas de leões marinhos e pinguins.

De Paracas para Lima, uma cidade muito grande e muito legal, com toda infraestrutura, lembra um pouco São Paulo. Trocamos as pastilhas de freio traseira que já tinham zerado totalmente.

Dia seguinte para Huanchaco, uma cidade a beira-mar, perto de Trujillo, bom lugar para ficar e comer um ceviche, para variar.

Mais um dia de aduana pela frente, dessa vez na cidade de Macarás no Equador. Logo de entrada já dá para perceber algumas mudanças, principalmente na quantidade de lixo jogados nas ruas e estradas, que no Peru e Bolívia é um exagero, dá até pena de passar por lugares tão bonitos com tanto lixo jogado por todo lado. Depois de rodar por belas estradas no meio do único bosque seco do mundo resolvemos dormir em Catacocha. Vale a pena um pequeno capitulo para os preços no Equador.

Preços no Equador

Por esse quesito não dá nem vontade de voltar ao Brasil, apesar da moeda local ser o dólar americano, no Equador é tudo muito barato, a gasolina custa U$ 1,40 o galão, bons hotéis de U$30 a U$50 restaurantes também tem bons preços, pena que não cabia nada nas malas da moto, nem um chapéu panamá, que é fabricado no equador, deu para trazer, fiquei só com a foto dele, já é alguma coisa, né?

Dia seguinte seguimos para Alausi, cidade de onde sai o trem para a Montanha do Nariz do Diabo, como também somos amantes de trem, não poderíamos deixar de conhecer esse, que é bastante conhecido, não só pelos belos locais por onde passa, mas também porque até uns 8 anos atrás, essa mesma viagem podia ser feita no teto do trem, por motivos de segurança hoje em dia isso não é mais permitido, uma pena, porque deveria ser bem divertido.

Partimos de Alausi em direção a Banõs, aproximadamente 180 km antes de Quito, e que, por indicação de um amigo, valeria a pena passar alguns dias por lá, bons hotéis, bons restaurantes, muitos esportes de aventura, tudo isso dentro de uma região muito bonita, foi um bom lugar para comemorarmos o Natal.
No caminho seguimos pela avenida dos vulcões, com a intenção de subir no Cotopaxi, chegamos até a entrada do parque, onde teríamos que deixar a moto (que não pode subir) e pegar uma van, mas infelizmente o tempo não estava bom, muito nublado, com chuvas ocasionais e bastante frio, o Cotopaxi teve que ficar para uma próxima visita, assim como foi com o vulcão Villarica, no Chile, que só permitiu nossa escalada no nosso segundo encontro.

A partir de Banõs rumamos para Quito até chegar a Pichincha, cidade onde fica o marco de La Mitad del Mundo, claro que aproveitamos para registrar com algumas fotinhos, mas claro que também tinha muita fila para comprar os ingressos para entrar, então seguimos e começamos a descer as cordilheiras em direção ao litoral equatoriano, com uma indicação de que não poderíamos deixar de conhecer Canoas, próxima a Bahia de Caráquez, chegando lá não posso deixar de dizer da minha decepção, não é bem o tipo de praia que curto, nem pelo visual, nem pelo agito dos quiosques, cada um tocando uma música no último volume. Acho que estou ficando velho ou mal acostumado com o litoral norte de São Paulo.

No dia seguinte seguimos rumo a Guayaquil, onde ficamos hospedados no Malecon do rio Guayas, onde aproveitamos para descansar e enfiar o pé na jaca no happy hour, afinal ninguém é de ferro. Antes disso, durante a tarde aproveitamos para conhecer uma pouco das praias da região de Salinas.

Mais uma aduana pela frente, hoje é na cidade de Machala em direção ao Peru, desta vez tinham dois quiosques de seguradoras dentro da aduana oferecendo o SOAT para um mês por 35 dólares, na dúvida, resolvemos fazer. O caminho pelo litoral peruano surpreendeu positivamente passamos por praias bem bonitas na região de Máncora até chegar na cidade de Piura, onde dormimos.

De Piura seguimos para Lima, que apesar de ser um trecho muito bonito, de um lado o pacifico e de outro as cordilheiras, é bastante puxado, foram 13 horas em cima da moto para cobrir esses mil km.

De Lima voltamos para Huacachina, que é um oásis próximo a Ica, aproveitamos o ½ dia de folga para fazer um passeio de jipe pelas dunas, passear um pouco a pé em volta do lago, um belo jantar e cama. Esse é um belo lugar para um pit stop de descanso.

Acabado o descanso seguimos para Arequipa, acho que esse é um dos trechos que mais exige em matéria de pilotagem, muitas curvas, muito vento, tempestade de areia, só faltou nevar.

Dia seguinte proa para La Paz, e mais uma aduana, em Desaguadero, essa aduana é, sem dúvida, a mais feia todas, pelo amor de Deus. Passamos o réveillon em La Paz, onde pelo que pareceu o povo não é muito dado a grandes comemorações, como no Brasil, mas foi bom também.

1º dia de 2015 saímos de La paz rumo a Santa Cruz de la Sierra, com um objetivo, trocar as pastilhas de freio traseira, que tinham acabado de novo e as dianteiras, que estavam mais finas do que casca de ovo. Como dia 1º era feriado e tudo estava fechado em La Paz, e em Santa Cruz tinha uma concessionaria Triumph, a revisão seria lá mesmo.

Na descida de La Paz, pela ruta 4, pra complicar um pouco mais a minha vida, tem uma serra de 100 km que fizemos debaixo de chuva e neblina e com vários trechos de pedras bem escorregadias, mas tudo bem, o engraçado é que fizemos esse mesmo caminho na ida, e não lembrávamos de nada na volta. Depois dos últimos 400 kms debaixo de chuva e com muitas vacas soltas na pista chegamos em Santa Cruz pelo outro lada da cidade, bem mais bonito e deu tempo até de curtir um pouquinho da noite.

No dia seguinte 8hs da manhã já estávamos na porta da concessionaria Triumph, e para nossa surpresa fomos informados que estava fechada, todos foram para o Dakar, que largava na Argentina, que beleza!
Nosso socorro foi numa concessionaria Honda, que trocou as pastilhas de freio traseira e mandou colar as pastilhas de freio dianteira, no fim resolveu. Durante toda a manhã choveu muito forte o que impediria de continuar nossa viajem, mas quando a moto ficou pronta, por volta das 13hs a chuva deu uma maneirada e resolvemos seguir. Como não daria para chegar em Campo Grande, resolvemos dormir em Corumbá. Como chegamos a noite e a aduana de Puerto Quijarro já estava fechada, passamos direto para o Brasil, que pena, queria tanto ficar mais 6 horas naquela fila!

Corumbá / São Paulo, último dia de viagem, será que dá?

Saímos às 10 da manhã e começamos a encarar os 1450 km de retas que ligam Mato Grosso do Sul a São Paulo, e deu, chegamos em Sampa às 3 da manhã, cansados mas em compensação sem pegar trânsito nenhum na chegada, o que é muito raro.

VERSÃO GARUPA

Viagem ao Meio do Mundo.

Uns dizem que é Quito no Equador e outros dizem que é Macapá, capital do Amapá, Brasil.
Como o Equador era mais longe, optamos por ele. Meio ou não, sei que o meio que utilizamos para chegar lá foi realizando uma linda viagem de moto.

Uns querem que o Marco Zero seja na linha de Greenwish, que é o referencial de contagem de tempo universal. Nosso Marco Zero Foi a cidade de São Paulo dia 11 de Dezembro ás 6h30.
Outro fato interessante é que São José é o padroeiro da cidade brasileira que é considerada a capital do meio do mundo, só que neste caso ele era o meu piloto, “São” José Carlos.

Depois de um ano não tínhamos certeza se realmente queríamos rodar 14 mil Km ou descansar em uma linda praia, mas como já fomos picados pelo bichinho da aventura, optamos por ir, mesmo já tendo conhecido parte do Peru. Imagina, conhecido parte do Peru, só tínhamos ido até Cusco ou Cuzco. Os Incas não tinham o “Z” Zeta no seu alfabeto, por isso usaremos Cusco e Nasca.

Desta vez não me envolvi na pesquisa do roteiro, deixei tudo por conta do Zé. Minha vontade era pegar a estrada e decidir tudo pelo caminho. Foi importante definirmos por onde entraríamos na Bolívia, mas também muitos pontos foram definidos mais tarde, no meio do caminho. Olha a palavra “Meio” novamente aparecendo aqui. É que na realidade nós estávamos meio sem muita vontade de realizar esta viagem, mas foi só colocar a moto na estrada que a vontade apareceu.

É uma viagem muito longa para fazer em 24 dias. Sabíamos que seria muito puxado, praticamente 600km por dia sem direito a luxo. Enfrentaríamos algumas dificuldades nas estradas, hospedagem e até alimentação, uma vez que gostamos muito mais de ficar em cidades pequenas e não nos grandes centros.

Bolívia, Peru e Equador, tão parecidos e cada qual com suas particularidades. Sei que em pouco tempo não dá para ter uma noção total destes países, mas passar por diversos povoados, conversar com algumas pessoas, ver seu meio de transporte, como e o que comem nos fazem ter uma percepção melhor do que só visitar pontos turísticos.
Nem por isso deixamos de fazer turismo, entre uma cidade e outra, no “Meio” sempre tinha um lugar interessante para conhecer.

O ponto turístico que ficamos mais tempo foi a aduana da Bolívia, Puerto Quijallo (Quijarro).
Foram 6 horas de espera para ser atendido. Um desrespeito total. Muito desorganizado e um péssimo atendimento. Como estávamos começando a nossa viagem, resolvemos relevar e pensar que é apenas uma das dificuldades que teríamos que enfrentar e é bem melhor que seja no início do que no final que já estaríamos bem cansados. Então tudo que poderia acontecer de ruim, lembraríamos deste episódio e com certeza nem nos incomodaríamos com o que viesse pela frente. É a lei da compensação.
Agora se quiser dar um jeitinho também pode. Só existe o corrompido porque existe o corruptor. Pagando 100 bolivianos pode te livrar da fila. Depende da consciência de cada um.

Tivemos mais uma vez muita sorte, foram 24 dias de viagem e só choveu forte um único dia na volta. Por isso a importância de estar bem equipado. Sem se molhar praticamente nada a viagem ficou muito mais segura e agradável.

Algumas pessoas podem até pensar que viajar durante 24 dias, horas e horas na Garupa deve ser muito chato. Penso da seguinte forma, as pessoas podem ter um chofer, certo? Eu tenho um Piloto. A vantagem é que eu confio muito nele e isso me dá muita segurança. Sem contar que eu tenho a oportunidade de observar muito mais do que ele.

Resumindo, a viagem passa a ser até mais interessante pra mim do que pra ele. Tenho oportunidade de fazer muitas fotos e ainda cumprimentar as pessoas pelo caminho. É engraçado como parecemos diferentes. Eles nos olham de uma forma até divertida. Pais mostram pros filhos, pedem para dar tchauzinho e eu fico me imaginando Fantasiada de Bob Esponja, porque com a bunda quadrada eu já estava.

O Zé Carlos vai falar mais da parte da pilotagem e da burocracia das aduanas, no meu caso vou falar de hospedagem, alimentação e pontos turísticos.

ALIMENTAÇÃO:

Pra mim é bem complicado, principalmente por que estamos viajando de moto. Não me arrisco a experimentar tudo que vem pela frente. Nestes países tem muitas comidas exóticas e como este não é meu objetivo, viagem gastronômica, prefiro degustar paisagens, que além de manter a forma dá uma paz de espirito. Geralmente não almoçamos, a não ser que estamos descansando em alguma cidade, preferimos comer algo leve durante a viagem. O café da manhã dos 03 países é muito diferente do nosso. Chamado de “desayuno continental”, que consiste em café, leite, chá, um copo de suco de frutas, uma porção de geleia, uma porção de manteiga e dois pães por pessoa.

O que eu mais gostava era do café da manhã peruano, eles servem um tipo de leite que vem em um pequeno pote chamado “Leche Evaporada”. Uma delícia se misturado com o café ralo que eles servem e o pão peruano andino também era o meu predileto.
Na Bolívia e no Peru a sujeira era tanta que não me animava a comer quase nada natural, preferia os industrializados, embalados e lacrados e ficava bem atenta a data de validade.

Muitas frutas pelo caminho, mas a forma como eles vendiam, as vezes no chão ou em carrinhos de pedreiro e com muito lixo em volta, eu acabava desistindo de comer. Isso era muito comum nas cordilheiras, onde vivem os andinos. Gosto de passar por estes lugares e ver a forma como eles vivem, mas comer o que eles comem já são outros quinhentos. No Peru, tem um prato típico chamado Cuy, uma espécie de roedor que me lembra muito um ratinho que cruzou com um coelho. Nem pensar em experimentar, mas o Pisco Souer e o ceviche eram obrigatórios no nosso cardápio.
Na Bolívia o mais pedido era o Chicharrón, os ingredientes parecem bem interessantes, mas a aparência não me agradava. No Equador já eram as fritadas de chancho, em todos os lugares eram vendidos, principalmente nas ruas. Comidas diferentes não faltaram nesta viagem, mas também é possível comer muito bem e barato. Quando chegávamos nas grandes cidades, podíamos escolher um bom restaurante e gastar R$ 50,00 (dois pratos, vinho ou cervejas). Um fato interessante é que no Equador, nas cidades pequenas, os pratos eram PF (prato feito), não tinha opção, o garçom parava ao lado da mesa e dizia os dois pratos que tinham e pronto, era pegar ou largar.

Lugar friozinho merece uma sopa, então era o que eu mais pedia, principalmente a de aspargo, não tinha erro e depois eu filava um pouquinho do prato do Zé pra complementar, porque os pratos eram bem servidos. Sugestão, peça um prato para dividir para dois e se quiser peça outro depois, porque muitas vezes sobrava comida. Todos estes países o que mais se serve são batatas de todos os tipos, existem mais de 4000 especies, contando com as doces. Alguns restaurantes têm arroz, mas feijão, nem pensar. O único lugar que eu vi foi em supermercados, é que não é muito comum no cardápio deles.

Não era muito comum também ver as pessoas consumindo bebidas alcoólicas, até mesmo cerveja. Na Bolívia o que é mais comum é limonada ou “Mocochinchi”, que é um refresco de pêssego, cravo, canela e açúcar servido bem gelado e no fundo da jarra, pêssegos cozidos.
Em toda região andina , os mais consumidos são as "chichas de jora". É mais ou menos como a nossa cerveja. Ela é feita de milho (maiz) fermentado e o grau alcoólico depende do chichero, pessoa que faz a chicha. Termo também que se dá aos males andinos, como dor de cabeça, falta de ar e tontura. Deve ser por causa dos sintomas de embriaguez que a bebida causa.

Tradição é o que não falta nestas regiões. A impressão que tenho é de voltar no tempo. Ver as mulheres andinas pastoreando as ovelhas, a agricultura familiar nos vales, a forma como transportam crianças e suprimentos nos aguayos, tecido feito de lã de alpacas, lhamas ou vicunhas. Tudo isso é muito encantador de se ver.

HOSPEDAGEM

Diferentemente do Brasil, estes três países tem preços muito baixos. Um hotel três estrelas nós pagamos entre R$ 60,00 a no máximo R$ 200,00. Esta avaliação por estrelas não é muito certa, deve ser por causa da cultura. O item limpeza deixa muito a desejar, principalmente nos banheiros. Não espere encontrar as estrelas que estão indicando, mas talvez algumas visitas inesperadas, como por exemplo, a Dona Baratinha. Em Roboré nos hospedamos no “La Casona” e eis que a estrela da noite resolveu aparecer. Jamais dormiria com ela no quarto, então pedi para o Zé Carlos expulsá-la, mas ele se recusou totalmente, aliás já estava deitado. Obrigatoriamente tive que chamar o vigia da noite, um sujeito 4x4 que não estava entendendo o que eu queria, mas assim que ele viu entendeu na hora. Quem não entendeu fui Eu, pensei que ele mataria a barata com o pé, mas para o meu espanto ele pegou com a mão. Ainda teve tempo para olhar pro Zé e quem sabe pensou: _Viu como se faz? Depois que ele saiu caímos na risada. Jamais imaginei que ele faria aquilo. Enfim consegui dormir com uma estrela a menos.

Muitos não oferecem o café da manhã, mas pode indicar um lugar para comprar. Não pensem que as padarias são iguais as nossas. Nestas pequenas cidades a padaria só vende o pão e o leite e não têm o trabalho de juntar tudo e preparar o desjejum.

Quanto a segurança, todos os hotéis em que dormimos me pareceu que não teria problema algum, mas por incrível que pareça, no Brasil, em Corumbá, teve um hotel que desistimos de ficar por causa deste item e no  fim tivemos que ir pro hotel mais caro só para dormir algumas horinhas.

Desta vez não escolhemos nenhum hotel pelo Booking ou Decolar, porque não queríamos reservar e correr o risco de perder. Preferimos acordar cedo, seguir viagem e dormir onde estivéssemos cansados. Algumas vezes tivemos sorte, outras não, como por exemplo “Entre Rios (melhor se hospedar em Buena Vista) e Juliaca (melhor em Puno). O que percebi é que estes países estão crescendo muito e com certeza, em pouco tempo, vão analisar melhor este item hospedagem.

PONTOS TURISTICOS

Neste bloco vou falar dos novos lugares que conhecemos com este roteiro, porque em 2008 visitamos o Peru até chegarmos em Machu Picchu. Cusco é um lugar que vale muito a pena conhecer, mas não em poucos dias. Tem muitas opções de passeios incluindo danças típicas, cultura Inca, ecoturismo e a famosa gastronomia.

Vou falar um pouco de cada ponto interessante que visitamos neste roteiro, começando pela Bolívia, depois Peru e finalmente Equador.

Estrada da Morte / Coroico:  Saindo de La Paz, se você conseguir, é claro, são 110km. O ideal é chegar lá antes dos milhões de ciclistas que descem a estrada. Junto com eles é impossível fazer fotos nos pontos bonitos do passeio. Eles formam filas para registrar a descida o tempo todo. Tem alguns guias, que fazem as fotos, que não respeitam muito os turistas que não são do grupo deles. O caminho é incrível, difícil imaginar que ali passavam caminhões. Hoje é uma estrada turística. Gostamos tanto que descemos e subimos a estrada da morte no mesmo dia. O interessante é a diferença que tem na subida e na descida, a paisagem muda dependendo do horário que você realiza o passeio.
Chegar em Coroico é muito legal, a cidadezinha fica bem no alto. Para chegar até lá tem que subir uma estrada de pedras. Uma opção é hospedar-se lá, mas como queríamos subir também a estrada da morte, ficamos um pouco e seguimos viagem. Quando estávamos descendo, tinha uma corda esticada na estrada, tipo um pedágio, queriam cobrar por pessoa, mas falamos que era uma moto e que pagaríamos pelo veículo e assim foi. Como tudo na Bolívia é arcaico, não temos certeza se é cobrado ou não. Pelo menos na volta não tinha ninguém cobrando.
Gostei muito da subida, principalmente porque a estrada era só nossa. As fotos irão mostrar o quanto vale conhecer este lugar e as emoções que nos causaram.

Chivay - Peru: Nossa intenção era sair de La Paz e ir direto para Chivay (520km), mas quando chegamos em Juliaca (PE) olhamos para o horizonte e vimos que estava caindo uma chuva torrencial. Até tentamos, mas a 4800m de altitude, ficar molhado não é uma boa ideia. Como respeitamos a natureza, tivemos que nos desrespeitar, nunca me imaginei dormindo em Juliaca.  Eita cidadezinha complicada e agitada. Apesar de ter crescido absurdamente estes últimos 5 anos, ainda é um lugar que a energia é nervosa, tanto é que quase brigamos e até pensamos em voltar pro Brasil. Do dia em que saímos até aquele dia, o único passeio legal que tínhamos feito foi a Estrada da Morte. Pensamos que não teria mais nada interessante pela frente e o deslocamento até ali já tinha cansado a beleza, que por sinal falta muito em Juliaca.
Resolvemos o problema mudando de hotel, afinal quando viajamos de moto o momento mais aguardado é o banho quente e uma cama razoável, para dar continuidade no dia seguinte.

Amanheceu sem previsão de chuva e seguimos para Chivay. Contrariando a nossa natureza, foi a melhor coisa ter dormido em Juliaca, porque para chegar em Chivay tem que descer as cordilheiras e se tivéssemos pego com chuva, não teríamos visto a beleza do lugar.

Chivay é para passar no mínimo três dias. Infelizmente não tínhamos este tempo. Colca, chamado de Paraíso profundo, é um Canyon incrível. Fomos até o Mirador Del Condor, mas nos disseram que eles ficam por ali na parte da manhã. Depois de algum tempo contemplando aquela beleza, adivinha quem apareceu? Ele mesmo, o Condor dos Andes. Fez um único voo rasante para ser fotografado e sumiu de nossas vistas. É a segunda mais pesada ave voadora do mundo (11/12kg), com envergadura acima dos 3 metros.

Fomos até um Pueblo chamado Cabanaconde. Região fantástica para andar de moto e pra quem gosta de aventura, cultura, turismo vivencial, artesanato, trilhas, vulcões, termas, geisers.. Ufa, como falei, não falta o que fazer. Pra quem estava pensando em desistir da viagem um dia antes, este foi o lugar mais inspirador para continuarmos. Pena que não conseguimos ir até um dos vulcões, tentamos, os três tombos não fizeram com que desistíssemos, mas a estrada abriu uma cratera e foi impossível seguir adiante.

Nasca – PE: Ponto turístico e muito conhecido pelos misteriosos geoglífos, no deserto de Nasca, na região de Ica. Centenas de desenhos geométricos traçados na superfície terrestres pela cultura Nasca. Lugar visitado por turistas do mundo inteiro. Tem duas formas de conhecer, uma por voo a e outra por altas torres, na beira da estrada. Na minha opinião a melhor forma de visualizar é fazendo um sobrevoo de avião, porque pelas torres não dá a mesma ideia dos desenhos visto de muito alto. O valor deste passeio é US$ 75,00 por pessoa, já o visto pelo Mirador custa só 2,00 (dois soles) equivalente a R$ 1,68. Estas torres ficam na estrada em sentido a Ica, onde fica o oásis conhecido como Huacachina, mas este vou falar mais adiante.

Paracas –PE: A Reserva Nacional de Paracas é um lugar indispensável para conhecer. Melhor ainda é que a gente pode fazer o passeio com a moto e assim fazer lindas fotos. No mesmo lugar, em Paracas, tem um passeio de barco para área natural chamada “Islas Ballestas”, que é uma pequena amostra do que seria Galápagos. Pinguins, leões marinhos, muitas aves e o oceano pacífico, belezas que pudemos registrar e certificar de que a natureza é espetacular. O valor do passeio é muito baixo, 35,00 soles por pessoa, equivalente a R$ 29,00.

Cuenca – Equador: Patrimônio Mundial da humanidade, Cuenca está localizada nos Andes, a 2500 m de altitude. É uma cidade histórica com arquitetura colonial espanhola, muito charmosa. Fomos visitar uma fábrica de chapéu Panamá, que na realidade é equatoriano. Não foi possível comprar, porque de moto fica difícil transportar sem amassar, mas se realmente fizer questão, eles despacham para qualquer lugar, inclusive para o Brasil. Pra quem gosta de visitar igrejas, só em Cuenca tem mais de 50. Também o que não falta são bons lugares para comer e se hospedar. Quem gosta de comida típica, vá até o mercadão que encontrará de tudo, inclusive frutas da região. Cerejas a preços de banana.

Trem Nariz do Diabo / Alausi – Equador: Um dos passeios mais esperado da viagem. Valeu muito a pena conhecer este lugar. A pequena cidade vive do turismo do trem e apesar disso tem poucas hospedagens e restaurantes. Muitas pessoas saem de Quito para fazer o passeio, mas como estávamos de moto, preferimos nos hospedar em Alausi e não ter que voltar tudo de novo de van ou ônibus. A passagem do trem é US$ 25,00 por pessoa, aproximadamente R$ 67,00 e inclui um lanche. O visual é incrível, mas só foi possível ver de dentro do trem. É que até 2007 podia-se fazer essa viagem em cima do vagão, mas por questões de segurança, hoje não é mais permitiddo. Tem um museu que explica toda a trajetória da construção da estrada de ferro e das mortes que ocorreram devido as dificuldades desta grandiosa obra. É bem divertido, na chegada tem uma apresentação de dança típica e os turistas são convidados a participar.

Baños – Equador: Aqui o que se respira é puro esporte de aventura. Rafting, escalada, bugee jumping, ciclismo e até uma casa na árvore para monitorar um vulcão ativo que de vez em quando entra em erupção.  A estrada é linda, mesmo com garoa em alguns trechos, a gente resolveu só ficar andando de moto. Este lugar lembra muito o Brasil por causa da vegetação. Deu para matar um pouquinho a saudade de casa, afinal era véspera de natal e a gente estava bem longe. Mas foi ótimo, escolhemos um bom restaurante e tivemos um jantar especial com um bom vinho e boa comida. Por ser turística, o que não falta é hotel e bons restaurantes e o mais incrível, com excelentes preços. Passaria mais uns dois dias em Baños, fácil.

Quito – Equador: Chegamos ao Meio do Mundo, destino final de nossa viagem. Antes queríamos ver os vulcões na famosa “Avenida dos Vulcões”, mas a natureza não permitiu. O tempo estava fechado e não deu nem para ver um pedacinho dele. O Cotopaxi é o mais apreciado, mas existem muitos outros vulcões que podem ser visitados. Como estão todos próximos um do outro, não deu para visitar nenhum. No Cotopaxi não pode subir de moto, foi proibido a uns anos atrás, mas se estiver de carro é só pagar a entrada do parque e subir. No nosso caso teria que ser uma van, que custa US$ 30,00 por pessoa, com o valor do parque já incluso. Achamos que não valia o investimento naquele dia, por causa do mau tempo, mas isso deixa uma brecha pra quem sabe uma próxima volta.  Tem Galápagos que também não daria tempo para conhecer, então é só unir o útil ao agradável retorno.

Já que fomos ao meio do mundo, tínhamos que pelo menos chegar no parque onde foi construído o marco. Enfim chegamos, mas a fila estava enorme e acabamos vendo só de fora.
O valor do Ticket para os passeios completos é US$ 7,50, mais ou menos R$ 20,00. Hora de retornar e começamos assim que saímos dali, optamos por não dormir em Quito e seguimos para Canoas, no litoral do equador. Bem conhecido este lugar, mas não me agradou. É um tipo de praia badalada que não tem boas hospedagens e devido a época do ano, já estava bem lotado.

Depois de pensar muito, resolvemos voltar pelo mesmo caminho da ida, já que as outras alternativas ou eram mais distantes ou aumentava os custos da viagem. Uma delas era despachar a moto de Rio Branco- AC, mas os preços das passagens de avião estavam um absurdo, por volta de R$ 2.000,00 pp e ainda tinha o frete da moto. A mais improvável, mas também cogitado, era deixar a moto em Quito e voltar no final de 2015 para seguir viagem para Colômbia e quem sabe outro país. Mas a burocracia é bem complicada, teria que ficar renovando a permanência de 3 em 3 meses e pelo que entendemos, tem que ser o proprietário, pessoalmente.

Ica / Huacachina – PE: Escolhemos este lugar para descansar. Esta viagem é muito puxada e quando vai chegando a hora de voltar, a vontade de chegar em casa fica maior, por isso a pausa, para colocar a adrenalina em ordem e repensar tudo o que foi feito.

Na ida já tínhamos parado em Huacachina e foi ali que conhecemos um equatoriano, Juan Francisco, responsável por algumas dicas desta viagem. Como era dia de descanso, escolhemos um bom hotel, com uma cama boa e bem localizado, o Chicai.
Aproveitamos o dia para fazer um passeio de jipe nas dunas. Incrível! Muito bom, teria me arrependido se não tivesse feito. La de cima dá para ver o oásis inteiro. O passeio é curto e custa 30,00 soles por pessoa, aproximadamente R$ 25,00. Na volta, se quiser ficar lá em cima e ver o pôr do sol, é bem interessante, mas não esqueça que depois tem que descer tudo a pé. Jantamos no Restaurante Mansones, que também é um hotel suntuoso.

Avaliação desta viagem.

Minha avaliação será de garupa uma vez quem pilota é o Zé. Logo de cara posso dizer que só de pensar desanima e ainda nos 03 primeiros dias continuo desanimada. Isso se deve ao fato de não me desligar das coisas que deixei para trás. A rotina é muito boa, mas nos deixa bitolados, por isso acho muito importante sair de férias e fazer algo completamente diferente, até mesmo para sentir falta da rotina. Enfrentar novos desafios, como clima, alimentação, idioma e novas moedas não é muito agradável quanto observar as intrigantes paisagens destes países. Passamos por diversos pontos turísticos, uns conseguimos visitar, outros não e essa é uma das lições que aprendemos quando viajamos, escolher um e deixar outro. Às vezes é complicado, porque não sabemos se voltaremos um dia, então tem que ser a escolha certa. Escolhas estas que se davam muitas vezes pela intuição. Pra ser sincera, não me preparei nada para esta viagem e deixei que a minha intuição me levasse e por incrível que pareça foi tudo perfeito. Muitos anjos apareceram em nossos caminhos e posso dizer que isso aconteceu desde o primeiro dia. Passar pela Bolívia era algo que me assustava, incrível, mas me senti super segura, não percebi nada de anormal e foi assim também no Peru e no Equador.
Sempre cuido muito das minhas coisas quando viajo, mas desta vez estava tão tranquila que acabei deixando coisas para trás. Isso teve um grande significado pra mim. Acredito que realizar este tipo de viagem não é só conhecer países novos, é voltar para dentro de nós e descobrir um pouco quem nós somos. Por isso sempre que me perguntam “Você teve coragem?”, respondo:_ Descubro durante o caminho. É logico que enfrentamos nossos limites, ansiedades e inseguranças e é assim na vida, só que viajando de moto a gente acaba passando por tudo isso num curto período de tempo e de forma mais intensa.
Pelo visto, Bolívia, Peru e Equador também estão passando por este processo. Apesar de pouco tempo em cada um deles, deu para perceber que estão crescendo e o que é melhor, respeitando a cultura.

Viagem Realizada11/12/2014 a 03/01/2015
Quilometros Rodados14.345 km
DespesasAproximadamente US$ 135,00 por dia (mais ou menos R$ 350.00) Inclui: combustível, refeições, passeios, hospedagem e manutenção da moto. Lógico que vai depender da exigência de cada pessoa quanto a hospedagem e refeições.
DiaCIDADECIDADEPaisKM
11/12/14São PauloCampo GrandeBRA990
12/12/14Campo GrandeRoboréBOL675
13/12/14RoboréEntre RiosBOL650
14/12/14Entre RiosLa PazBOL635
15/12/14La PazLa PazBOL290
16/12/14La PazJuliacaPER370
17/12/14JuliacaChivayPER380
18/12/14ChivayNascaPER660
19/12/14NascaParacasPER260
20/12/14ParacasLimaPER270
21/12/14LimaHuanchacoPER570
22/12/14HuanchacoCatacochaECU650
23/12/14CatacochaAlausiECU450
24/12/14AlausiBanõsECU460
25/12/14BanõsCanoasECU360
26/12/14CanoasGuayaquilECU430
27/12/14GuayaquilPiuraPER570
28/12/14PiuraLimaPER1.010
29/12/14LimaHuacachinaPER340
30/12/14HuacachinaArequipaPER745
31/12/14ArequipaLa PazBOL560
01/01/15La PazSta. Cruz de la SierraBOL900
02/01/15Sta. Cruz de la SierraCorumbáBRA670
03/01/15CorumbáSão PauloBRA1.450
  Total 14.345

BOLIVIA

PERU