| |
“Sem lenço e sem documento” foi mais ou menos assim
que cheguei em Castro. Geralmente fico sabendo um pouco do local que vamos
conhecer, mas desta vez confiei plenamente no Marcos e na Paty, que nos
guiaram neste roteiro.
Fomos em três casais, cada um no seu estilo. Estou mudando meu modo
de pensar em relação a viajar em grupo. A gente acaba aprendendo
muitas coisas e deixando de lado uma forma só de ver a vida. Lógico
que causa algumas situações inesperadas, e aí é
que está a sabedoria, aprender a conviver, porque viver é
muito simples.
Por falar em “simples”, nada como a vida bucólica do
campo. Castro nos faz vivenciar tudo isso e pra quem já está
cansado da cidade grande e precisa respirar ar puro, taí uma sugestão
Nos hospedamos no Hotel Buganville e pelo que percebi é o mais
estruturado da cidade. O preço não é dos melhores,
têm outros com o valor mais baixo.
Castrolanda é uma colônia Holandesa que fica bem próxima
a Castro e ali você também pode se hospedar em uma pousada.
Optamos pelo hotel do centro para podermos deixar as motos estacionadas
enquanto fazíamos tudo a pé pela cidade.
O tempo estava a nosso favor desde o primeiro dia em que chegamos, aliás,
se estivesse chovendo, teríamos poucas opções de
passeio.
Chegamos por volta das 15hs do sábado, nossa opção
foi caminhar pela cidade e conhecer um pouco da história e os costumes
da região. Mais tarde nos encontramos no 7 Gatos para jantar, que
por sinal é um bar muito simpático. Foi um bate papo muito
bom e aproveitamos para organizar o passeio do dia seguinte que seria
o Parque Estadual Guartelá. Este local é o mais famoso da
região. Não é necessário pagar nada para entrar
e os monitores passam um vídeo antes para explicar um pouco sobre
o lugar. Como chegamos um pouco tarde, não foi possível
ver as pinturas rupestres, caso quiséssemos, teríamos que
ir até Tibagi e solicitar um guia, pois os monitores só
levam os 20 primeiros turistas. Neste parque tem muitas restrições,
não é possível ir a todos os locais, eles pedem que
andem pelas áreas demarcadas, isso por causa da grande depredação
de alguns seres humanos que não tem a noção de preservação.
Portando já sabem, da natureza nada se tira, a não ser fotos.
O parque conta com um serviço de Van para pessoas acima de 60 anos
e para crianças, caso contrário tem que fazer toda
caminhada de ida e volta sem apoio. Pra descer, tudo bem, a trilha é
bem sossegada e segura, mas na volta, pra subir, tem que ter muita disposição.
A paisagem deste lugar é maravilhosa, não desanimem, pois
vale a pena o sacrifício. Saímos de lá às
16h e seguimos para Tibagi, uma cidadezinha muito charmosa, deu até
vontade de me hospedar lá. Tivemos a sorte de encontrar um restaurante
aberto para almoçar, também depois da caminhada estávamos
mortos de fome. Hora da “siesta”, como não tinha rede,
deitamos na grama da praça e tiramos um cochilo. Dá pra
imaginar a cena?
Saindo de lá fomos conhecer Castrolanda, lá está
o maior moinho da América Latina, projetado e construído
por um holandês. Conhecer de perto e aprender como funciona um moinho
é simplesmente fantástico.
Faltava mais um dia e imaginei que não teríamos mais nada
para fazer, me enganei completamente.
Pela manhã fomos conhecer a Fazenda Capão Alto, um lugar
muito bonito e com muitas histórias. Contamos com a gentileza do
Alex para nos mostrar e explicar um pouco sobre aquele lugar, pois na
realidade estava fechada, só abre de 3ª a domingo para visitação,
mas ele com sua simplicidade e boa vontade que geralmente tem as pessoas
do interior, nos proporcionou este momento. Era uma grande fazenda de
café que foi perdida numa mesa de jogo. Ali se realiza o evento
dos tropeiros de Castro. Deve ser uma festa muito interessante. A casa
esta passando por um processo de restauração, mas infelizmente
os móveis que estavam dentro foram saqueados e o que restou está
exposto no museu do Tropeiro em Castro. Para visitar a fazenda eles cobram
uma taxa de R$ 3,00 por pessoa.
Já tínhamos jantado na noite anterior com uma família
amiga do Marcos e eles nos convidaram para conhecer o lugar onde eles
moram “ Terra Nova”. Antes disso, o Carlos, que faz a colheita
da região, quis nos mostrar como se colhe soja. Conhecer e aprender
são o que mais gostamos de fazer, imagina se iríamos recusar.
Uma turma foi de táxi por causa da moto Custon que não é
apropriada para aquele tipo de solo (terra e pedra) e nós resolvemos
ir de moto pra não perder o costume. Foi muito legal, pois já
fazia algum tempo que não colocávamos a danada na terra.
O aprendizado que tivemos foi show, o Carlos teve toda a paciência
do mundo para nos explicar tim tim por tim tim.
Tivemos também a oportunidade de andar numa colheitadeira, coisa
que só o campo pode proporcionar e o Carlos com sua gentileza,
é claro.
Mais tarde fomos encontrar a Rô, as crianças e os animais
de estimação. Engano seu se pensou que eram os cachorros,
nada mais nada menos que uma bezerra que participa até de exposição,
a Delegada, e uns carneirinhos muito simpáticos, que acabamos não
resistindo e pegando no colo. Agora imagina se aqui em São Paulo
a gente pode ter estes bichinhos de estimação.
Hora do lanche!!!! Imagina, uma mesa super recheadas só de coisas
gostosas, ricota preparada pela Rô. Quem é que resiste? Acabei
cometendo o pecado da gula.
Fora as coisas deliciosas, ainda tinha o bate papo animado do pessoal.
Só de escrever me dá saudades.
Hora de partir, fica aquela tristeza e a vontade de voltar a sentir as
coisas boas e simples do interior.
|
|
 |
|
COMO CHEGAR
A 500 Km de S. Paulo. Pela Castelo Branco / SP 127
/ SP 258 / PR 151.
ESTRADAS
Todas as estradas estão em bom estado de conservação
e bem sinalizadas, só tenha mais atenção nos trechos
de mão dupla. Vale muito à pena esquecer a pressa, diminuir
o ritmo e curtir a paisagem.
Na PR 151 é cobrado pedágio de R$ 2,50 na ida e na volta.
O QUE FAZER
Castro é um destino para quem curte turismo ecológico
com uma pitada de cultura regional. O centro é bem típico
das pequenas cidades do interior, com uma bem conservada praça
com chafariz, a Igreja Nossa Senhora de Sant’Ana, o Museu do Tropeiro.
Além das tradicionais voltinhas pelas ruas do centro, pode-se conhecer
o Morro do Cristo, de onde se avista boa parte da cidade. Mas o ponto
alto da região é o Paque Nacional do Canyon Guartelá,
o sexto maior do mundo. Outro lugar imperdível é a colônia
holandeza de Castrolanda, lá você poderá conhecer
como funciona um moinho de vento, o maior da América Latina. E
pra quem quer fugir um pouco do asfalto, a antiga fazenda Capão
Alto conta um pouco da trajetória dos escravos até os dias
atuais. O acesso é por estrada de terra, mas sem grandes dificuldades,
mesmo para quem esteja de moto custon.
COMER & BEBER
Lembre que esse não é um roteiro gastronômico
e nem boêmio, por isso controle seu nível de exigências.
Além de uma pizzaria e uma lanchonete que ficam no centro, o point
é um simpático bar chamado 7 gatos. Agora,
se você tiver a sorte de ser convidado para tomar um lanche da tarde
no sítio de um amigo.......ai a estória muda meu amigo.
MEUS COMENTÁRIOS
Pela distância que Castro fica de São
Paulo, o ideal é aproveitar um feriado. Em quatro dias conseguimos
conhecer o melhor que a região tem a oferecer e como tivemos sorte,
com muito sol.
Essa é uma viagem para quem curte chão de terra, animais,
natureza, caminhada, cultura, simplicidade, um dedo de prosa e uma xícara
de café, e a vida simples de uma pequena cidade. Pra eu, que moro
numa big cidade isso é tudo que eu gosto quando eu saio pra viajar
de moto, ter contato com o meu contraponto, não que uma grande
cidade não tenha seus atrativos, mas como diz um amigo “da
pra ter o melhor dos dois”.
O ideal é se embrenhar com a moto pelas estradas de terra, mas
se você não gosta muito dessas aventuras, ou se a sua moto
não é bicho do mato, você tem a opção
de alugar um carro ou então contratar o serviço de um taxi.
À noite, depois de um merecido banho, o negócio é
sentar no 7 gatos, comer e bebericar alguma coisa, acompanhado pelos amigos.
Depois cama, porque o dia por aqui começa cedo.
|
|