ÁFRICA DO SUL

NORTH WEST / LIMPOPO / MPUMALANGA / SWAZILAND / KWAZULU-NATAL /
EASTERN CAPE / WESTERN CAPE

 
Versão Piloto
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Fim de ano para mim tem cheiro e gosto de estrada, estrada de asfalto, estrada de terra, de terra molhada, sol, chuva e muito vento na cara.

A diferença desse fim de ano começa pelo continente, e o continente escolhido foi o de um velho teimoso, um velho teimoso que teimou a vida inteira em ver o seu povo livre e com direitos iguais, um velho teimoso admirado e respeitado em todos os quatro cantos do seu país, um velho teimoso que serviu e servirá, para sempre, de exemplo para governos e governantes de todo mundo.

Salve o mais valente dos velhos teimosos! Com todo respeito,
Salve Mandela!

Nossa viagem será pautada pelas diferenças, algumas muito sutis outras nem tanto, mas na verdade são elas que fazem as viagens serem inesquecíveis, ou não!

Começando pela mão inglesa, ou seja, carros com volante e comandos do lado direito, ainda bem que a moto não tem lado. Mas, não demora muito para se acostumar a andar sempre na “contramão”, principalmente nas cidades. Não tem jeito, por mais atenção que se tenha de repente você dobra uma esquina e acaba dando de cara com um carro, ai o jeito é se desculpar e voltar para o outro lado, mas com o tempo acabei me acostumando.

Outra diferença que percebi logo no primeiro dia é a educação e o respeito no trânsito. Por todas as estradas em que rodamos, a maioria de mão dupla, não importava se quem estava na frente era um carro, ônibus ou caminhão, assim que você se aproxima quem esta a frente sai para o acostamento, você ultrapassa, liga o pisca alerta agradecendo, o motorista pisca o farol retribuindo. Isso foi durante toda a viagem, simplesmente sensacional. Nas cidades, em nenhum cruzamento existe preferencial, todos param. Quem chegou primeiro sai primeiro, quem chegou em segundo sai em segundo e assim por diante, e funciona perfeitamente bem, porque todos respeitam.

Diferença racial ou de cor de pele – No Brasil virou moda o termo afro-descendente, como se negro fosse uma ofensa, pois bem, aqui, na origem, todos se tratam respeitosamente de Black Peaple e White Peaple. Vai entender os brasileiros!

Diferenças de $$$ – Para quem está acostumado com os preços praticados em São Paulo, se espanta com os preços dos restaurantes sul-africanos, um jantar para duas pessoas em um bom restaurante regado a uma garrafa de vinho sai em média 70 reais, um bom espanto esse.

Diferença de cor – É engraçado, mas pela primeira vez me senti um estranho no ninho. Em Durban, acordamos cedo e descemos para tomar o café da manhã do hotel, logo que entrei no restaurante senti que estava sendo notado. 100% das pessoas que estavam sentadas tomando café eram Black People, que ao me verem entrando devem ter comentado: “Tem uma pessoa de cor entrando no restaurante”

Diferença de cheiros – Uma coisa que chamou muito minha atenção foram os cheiros sul-africanos, por todas as estradas que passamos senti cheiros muito diferentes e muito bons. Olfato, esse é um dos sentidos muito estimulados em viagens de moto, na sua próxima viagem preste mais atenção nele.

Diferença alcoólica – Como vender ou consumir bebidas alcoólicas em locais públicos não é permitido, logo, nas praias não se vende praticamente nada, a menos que tenha um restaurante à beira-mar. Ficar na praia, debaixo de um solão sem uma cerveja gelada, ou uma caipirinha não é nada legal, mas acho que aqui as coisas funcionam justamente por não ter exceção, é proibido e ponto.

Concluindo, a África do Sul me surpreendeu muito, pela beleza dos lugares, pela educação do povo, pelos cheiros, pelas diferenças e pela igualdade. Igualdade que foi conseguida com muita luta, muita coragem e determinação de pessoas que devem ser lembradas para sempre.

Africa do Sul,
obrigado por ser diferente e parabéns por ser igual.


Versão Garupa

Esta é uma das viagens que eu realmente vou gostar de relatar e tenho certeza que a África do Sul vai te surpreender, assim como me surpreendeu.
Quando pensamos em África logo imaginamos uma savana com muitos animais, basicamente um safári, o país onde a maioria da população é negra e principalmente em Nelson Mandela, o grande Tata Madiba.

Não poderia começar a escrever sem dizer da admiração que tenho por este homem. Após ler sua biografia fiquei ainda mais curiosa para conhecer o País onde ele nasceu
e viveu a sua história. Logo em seguida assisti Invictos, onde Morgan Freeman o representa maravilhosamente bem. O filme aguçou ainda mais minha admiração e interesse em conhecê-lo, mas dessa vez, pessoalmente. Sonhar não é impossível. Infelizmente isso não pôde acontecer, ele faleceu dia 05 de dezembro de 2013 e nossa viagem estava marcada para dia 11. Essa é a minha oportunidade de sentir a presença dele em cada canto que eu passar. Sei que ele estará acompanhando nossa viagem, passo a passo e mostrará as belezas e riquezas de seu país.

Mas para fazer uma viagem onde muitos são os lugares a serem vistos, só tem um jeito, de moto.
Foi aí que entramos em contato com o Albert. Precisávamos alugar uma moto em Johannesburg. No início foi um pouco complicado procurar pela internet, mas depois de muita pesquisa encontramos a empresa Moto Berlin. Eles alugam tudo, moto, roupas adequadas, GPS, cases e até capacete. Preferimos levar alguns acessórios nossos e o que não fosse possível alugaríamos com ele. Tudo perfeito, em nossas conversas por e-mail, fomos muito bem orientados e tudo ocorreu exatamente como combinamos. Ele sugeriu um hotel próximo a loja, mas se quiser, eles também entregam a moto no local que você escolher.
Quando chegamos a moto já estava prontinha só nos esperando para explorar cada quilômetro daquele país. Tínhamos mais ou menos uma ideia de roteiro, mas resolvi pedir a sugestão do Albert, uma vez que ele também realiza passeios On e Off Road pra grupos pela Africa. Além dos mapas ele nos emprestou o GPS, optamos então em fazer exatamente o que ele sugeriu e ainda pegamos dicas com pessoas maravilhosas que encontramos pelo caminho. A partir de agora siga nosso roteiro e curta algumas imagens desse belo país.

Nos hospedamos no Road Lodge Centurion, ponto estratégico para pegar a moto e logo em seguida sair para rodovia. Não tivemos muito tempo em Johannesburg, mas pelo jantar já deu para perceber, mais ou menos, como funcionam as coisas por lá. Quando chegamos em um País novo todo detalhe é importante para seguirmos viagem. Depois de 10 horas de voo, cansados, dormimos para começar nossa expedição no dia seguinte.
Fomos ao shopping comprar um cartão da Vodacom (ZAR 220,00) e colocar crédito para poder navegar na internet e fazer nossas pesquisas (www.google.co.za), mas com as dicas que o Albert deu, não foi complicado montar o roteiro.
Seguimos para Belfast e de lá para Lyndemburg. Este trajeto não e nada interessante, mas depois fomos conhecer a região de Mpumalanga, com o mapa que o pessoal da pousada nos deu. Daí pra frente começa nossa viagem. Passamos por diversas cidades pequenas bem interessantes. Se tiver tempo, dois ou três dias dá para conhecer bem a região. Fomos para Sabie, uma região de muito reflorestamento, depois para Pilgrim Rest, uma cidadezinha que lembra o velho oeste. Depois seguimos para Graskop, onde visitamos um ponto turístico bem famoso, God´s Window. O lugar é bem bonito, dá a sensação de que estamos sobre as nuvens. Depois que abre um pouco, a paisagem aparece e aí entendemos o nome dado ao local. Tem muitos outros pontos para visitar, mas como não tínhamos muito tempo aproveitamos as estradas, que realmente são bem legais para andar de moto, nossa próxima parada foi um lugar encantador, os Canyons. Era um dia útil e os portões estavam fechados, mas como a vontade de dar uma espiadinha no mirante era maior, acabamos pulando os portões e fazendo uma caminhada para tirar muitas fotos, atitude copiada por outros visitantes, que também não resistiram. Valeu super a pena, seria triste passar por ali e não poder conhecer um lugar incrível como aquele.
Final de tarde, como não fizemos nenhuma reserva, tínhamos que arrumar algum lugar para dormir, rodamos mais alguns quilômetros até chegar em Hoedspruit, uma pequena cidade com poucas opções de hospedagem e alguns restaurantes. Na realidade, na África, se quiser dormir é só procurar por guest house, self catering, lodge ou hotel. Varia muito de qualidade e preço, por isso é bom pesquisar dois ou três antes de escolher. Pergunte também se está incluso café da manhã que na realidade é um pequeno almoço com carnes, batatas, verduras, feijão, ovos, frutas, pães, café, leite e muitas outras coisas. Se não está disposto a comer tudo isso, feche sem o café da manhã que o preço fica bem mais baixo. No jantar, procure comer antes das 22h, porque ascozinhas dos restaurantes fecham, aí se comeu, comeu se não comeu vai dormir com fome. Estamos muito mal acostumados, no Brasil as coisas funcionam até mais tarde, mas na África, principalmente nas pequenas cidades tudo fecha mais cedo.

Já tínhamos uma reserva para o Safari no Kapama Game Reserve, que fica a 14 km de Hoedspruit. Escolhemos este local por ser uma propriedade particular próximo ao Kruger Park, com uma infra-estrutura excelente para nossa primeira experiência em Safari. Existem muitos outros parques na região com preços variados, mas por questão de segurança optamos em reservar, pois os safaris são muito procurados e poderia não ter vaga. Foram 03 dias e duas noites neste lugar maravilhoso. A impressão que tive é que eu estava no Brasil, nunca vi tantos brasileiros no mesmo local. A piscina foi invadida, parecia o Guarujá num dia de sol, aliás, sol foi o que não faltou em nossa viagem. A temperatura chegou até os 43 graus. Geralmente neste período chove na África e o melhor período para visitar é de maio a outubro, conforme informação de nossos Rangers Jonh e Stanley.

Para o nosso perfil, este tempo foi ideal, conseguimos fazer dois “games” por dia, um das 6h30 às 9h30 e o outro das 16h30 às 20h30, totalizando quatro games. Foi possível ver os “Big Five” – Leão, Rinoceronte, Leopardo, Elefante e Búfalo. Além disso, vimos também impalas, zebras, girafas, hienas, hipopótamos, tartarugas, chicken e muitos besouros, mais conhecidos como “rola bosta”. O Jonh adorou o nome e não parava de repetir. Será que ele entendeu? O que posso dizer deste tipo de passeio é que a infra-estrutura é excelente, os serviços são de primeira e que, com certeza, os Rangers te levarão até os “Big Five”, afinal de contas este é o negócio deles, tanto é que o leopardo, por ser o animal mais arredio, tem uma coleira com um chip para facilitar a sua localização.
Uma coisa eu não posso deixar de dizer, a primeira impressão é que o safari será como aqueles que assistimos na tv, mas na realidade é algo muito mais tranqüilo, sem homens armados e sem grandes riscos. Os animais estão muito acostumados com os turistas. Lógico que não pode descer do carro ou fazer qualquer movimento brusco, tem que seguir todas as orientações dos rangers. Os animais circulam bem próximos ao jeep e neste momento dá um certo receio, mas é como o Zé diz, sorte que não fazemos parte da cadeia alimentar deles. Muito bom relatar estes fatos, porque relembro cada momento e se eu fechar os olhos fica ainda mais real. É uma forma de viajar de novo e passar pelas mesmas sensações. Muito bom!

À noite o safari é ainda mais interessante, apesar de não podermos tirar fotos com qualidade, podemos observar os animais de hábitos noturnos em atividade. Durante o dia, com o calor que estava fazendo, eles ficavam cansados para fazer exibições e só queriam dormir, mas à noite tivemos a oportunidade de acompanhar uma caçada das leoas e do rei leão, que na verdade, faz a parte mais teatral, enquanto as leoas fazem o trabalho pesado. Mas quem é o rei? Sem sucesso, mas foi emocionante acompanhar a caçada, por outro lado, sorte dos impalas. Um dia da caça outro do caçador. Este lugar deixou saudades tanto pelo passeio como por toda a infraestrutura da reserva.
A África do Sul está muito bem preparada para receber o turista, afinal um trabalho bem feito é a melhor propaganda do negócio. 

Hora de partir, tínhamos muito ainda para conhecer, mas antes daríamos uma passadinha em outro país que fica praticamente dentro da África do Sul, Swaziland.
De Hodspruit seguimos para Nelspruit, depois para Barbeton onde passaríamos pela Aduana (Bulembu). A estrada é linda, pena que enquanto subíamos a serra a neblina começou a aumentar e não podíamos mais ver a paisagem que deve ser linda lá de cima, tanto é que tem vários mirantes para parar e tirar fotos. Subimos, subimos até encontrar o frio, um personagem que estava afastado nos últimos dias. Chegou até a dar uma sensação boa, mas depois veio outro personagem, a chuva. Sabíamos que Swaziland tem menos infra do que a o país que acabávamos de deixar pra trás, mas não sabíamos que da aduana para lá e estrada era de terra. Agora imagina ainda enfrentar isso com chuva. Tudo bem, já estamos acostumados com lama, mas quando isso acontece num lugar ermo, dá um pouco de insegurança e, além disso, já estava escurecendo. O pior é que o GPS não funcionava neste país e também não tínhamos o mapa. Mas, quem tem boca vai a Roma, mas com nosso inglês macarrônico, ficava um pouco complicado, sem contar com a sinalização que era péssima. Enfim chegamos na Capital, Mbabane. Tudo molhado e com muito frio. A impressão é que estávamos em Londres. Agora entendo porque os Ingleses escolheram ali para viver.
Este dia rolou um estresse na hora de procurar hotel. Quando estamos secos ou perdidos não incomoda tanto, alias, quando nos perdemos acabamos conhecendo um pouco mais do lugar, mas molhados, ninguém merece. Tivemos que ficar em um hotel que não valia o preço da diária, mas quando se viaja sem reservas é assim mesmo, um dia você ganha no outro perde. Tem que ter bom humor para entender.

Amanheceu chovendo e tínhamos que seguir viaje assim mesmo. Queria ficar mais um dia para conhecer este lugar, nos disseram que tem muito turismo legal para fazer, como por exemplo, conhecer uma tribo Swasi, muitas trilhas off- road, safaris, danças típicas, enfim, por causa da chuva resolvemos seguir viagem para Mazini, depois Big Band e então pela fronteira Lavumisa, mas não sem antes pagar uma multa por excesso de velocidade. 120 rands, que correspondem a 35 reais, pagos na hora para o policial, que emite o recibo e deseja boa viagem.
Saímos deste país sem conhecer o Rei Mswati III e a rainha Ntombi Tfwala, mas deixamos um regalo para eles.

Os próximos dois dias foram de deslocamento, de Mbabane até Richards Bay e pernoite em Durban. Dia seguinte até East London.
Richard Bay é bonito, se quiser descansar é um lugar muito bom para ficar, mas resolvemos rodar mais para chegar logo em Cape Town e aproveitar pelo menos uns dois dias antes de seguir viagem para Johannesburg. Sabíamos que seria super cansativo por isso o Albert da Moto Berlin nos sugeriu deixar a moto na sua oficina em Cape Town, comprar passagens aéreas até Johannesbug e aproveitar estes dois dias. Deixaríamos de rodar 1.400 km, os quais seriam divididos em dois dias devido a moto que locamos, uma GS 800.
Fizemos os cálculos e concordamos que sairia o mesmo custo se fôssemos de moto. Bingo, mais uma vez o Albert tinha razão, então seguimos sua sugestão. Esta é uma das vantagens de alugar uma moto em Johannesburg, você pode devolvê-la em Cape Town, agora se tiver mais tempo pode voltar e passar em outras cidades como Bloemfontein e Kimberly.

Oitavo dia, dormimos em Durban. Cidade grande e com certeza perigosa. Não tivemos muita sorte no hotel que escolhemos. Compramos pelo Booking e como não conhecíamos, acabamos comprando no centro da cidade. Já era noite, mesmo com o GPS tivemos dificuldade para chegar, e só depois de hospedados é que descobrimos que não tinha água quente. Falta de sorte no banho e também no jantar, pois como tudo fecha às 22hs, tivemos que pedir uma pizza e comer no quarto do hotel.
Dia seguinte rodamos mais 900 km até chegar a East London. Este trecho é bem interessante, porque a gente passa por diversas cidades e entre elas tem vários vilarejos com as típicas casinhas africanas. Naquela região fica a tribo de Mandela, Qunu. Passamos em frente, mas não podíamos entrar. A topografia do lugar é linda, com muitas colinas e ovelhas pastando. Os animais cruzam a rodovia, portanto muito cuidado. Apesar de muitas horas em cima da moto, vale muito à pena, porque ali representa a verdadeira África. Onde tem muito turismo, a cultura fica descaracterizada.
Tive vontade de conhecer um pouco mais desse lugar, mas como o tempo é implacável, tínhamos que seguir.
A cultura africana é muito rica, oficialmente eles falam “apenas” 11 idiomas, além de várias tribos com diversos costumes, religiões e artes. Quando tínhamos oportunidades, conversávamos um pouco com os frentistas dos postos para saber mais ou menos o que se faz por ali. Em East London nos hospedamos em um hotel onde havia uma conferencia da ACT (Apostolic Chuchs Togheter), aproveitamos para assistir um pouco do culto, não que pudesse, mas pedindo com jeitinho eles autorizaram. Estranho é que todos ficavam olhando pra gente, imagino que eles se perguntavam: o que esses “white people” estão fazendo aqui? É assim que eles se diferenciam White e Black people. Sentimos um pouco de preconceito, porque todos eram “black people”. Foi uma experiência interessante, mas o pior foi ter que sair no meio do culto.

De East London fomos para Port Elizabeth e de lá para o famoso Bungee Jump, que fica na ponte do Rio Bloukrans. Não era o nosso objetivo saltar, mesmo porque estávamos viajando de moto e qualquer mau jeito na coluna poderia acabar com nossa viagem.
O valor para sentir toda essa adrenalina é R$ 170,00 e se quiser só chegar até lá pertinho e ver o povo saltando, o valor é R$ 21,00.
 Depois seguimos para Knysna. Aqui já começa a Garden Route – Sunshine Coast. Lugar dos famosos resorts da Africa do Sul. Tentamos uma entrada para praia, mas não tivemos a sorte de encontrar nenhuma, pois todas estavam fechadas. A região é linda, Knysna e George são cidades ótimas para se hospedar. Como ainda era dia, seguimos até Oudtshoorn. A subida até esta cidade é linda, paramos por muito tempo para tirar fotos e quando percebemos já estava escurecendo. Precisávamos procurar um lugar para dormir, mas estava quase tudo lotado.  Encontramos um Guest House chamado Villa Ora, uma graça, tudo muito bem cuidado. A cidade é praticamente holandesa, até as placas estão em dois idiomas. Percebi que as pessoas não andam muito pelas ruas, mesmo o tempo estando bom. Era quase véspera de Natal e todas as lojas já estavam fechadas. O consumismo é uma coisa muito brasileira. Todas às vezes em que viajei para outros países, não percebi este consumismo exagerado.
 
Acordamos animados para conhecer novos rumos e saímos em sentido a De Rust. Lugar interessante, mas nada de surpreendente, pensamos até em voltar e pegar a rodovia N2 para Cape Town, mas sabe aquela frase “vamos até a próxima curva?” Isso já valeu à tentativa. Depois desta curva a estrada se transformou, não parava de aparecer lugares deslumbrantes. Pra mim foi um dos lugares mais bonitos que visitamos na Africa do Sul. Muitas pedras, vales, morros e quanto mais à gente subia mais a gente se encantava. De repente vimos uma estrada de terra, uma segunda opção de volta para Oudtshoorn, imagina se nós não iríamos por ela. Se já estávamos gostando, agora ficou melhor ainda. Quanto mais rodávamos mais a gente via lugares incríveis. Nossa falha foi não levar água, o calor estava insuportável, beirava aos 43 graus. Nossa sorte é que tinha uma pessoa com água e acabamos pedindo um pouco, senão seria muito difícil seguir viagem.
Com o sol escaldante, paramos em Oudtshoorn num parque Chamado Cango Wildlife Ranch. Foi a nossa salvação e também é a salvação da Cheetah, uma espécie de leopardo que está em extinção. Esta Fundação de Proteção da Cheetah permite que fotos sejam feitas com o animal dentro de seu recinto. Eles cobram R$ 45,00 por pessoa e tem muitas restrições, mas mesmo assim o Zé quis passar por esta experiência. O mais engraçado é que quando ele foi fazer a foto com o “dócil” animalzinho, sem mais nem menos ele, a cheetah, deu uma viradinha bem rápida e aí eu só vi o Zé tremer na base. Engraçado pra mim que estava do lado de fora, nesta hora me senti um pouco amiga da onça, pois não contive o riso.

Assim que a temperatura diminuiu um pouco resolvemos voltar para estrada e seguir sentido a Cape Agulhas, lugar onde tem o encontro dos dois oceanos, Índico com Atlântico.
Como já tínhamos decidido que a moto ficaria em Cape Town precisávamos comprar as passagens aéreas para Johannesburg no dia 25 de dezembro, alta temporada e estávamos com medo de não encontrar. Quando faltava 160 km para chegar em Cape Town, resolvemos parar e dormir numa cidadezinha com nome muito esquisito, Riviersondered. Difícil de pronunciar e difícil de encontrar um hotel para dormir, mas conhecemos o Piti, dono do posto de gasolina, que arrumou um Guest House pra gente dormir, o lugar parecia com a casa da tia do interior. O Pior foi o jantar, batata chips com coca-cola, aquele horário já não tinha mais nada aberto a não ser a lojinha do posto de gasolina.
Pronto, só 160 km até Cape Town, estava chegando a hora de conhecer a cidade mais badalada da Africa do Sul. 

Chegando na Cidade do Cabo, a primeira coisa que eu queria ver era a famosa Table Mountain. Logo vi uma montanha, mas nada grandiosa como as que vimos em Prince Albert. Logo pensei que não era aquela. Mas à medida que os dias iam passando íamos percebendo a sua grandiosidade, o quanto ela envolve a cidade. Na hora de escolher um local para se hospedar, pensamos em algo próximo a Table Mountain, mas escolhemos o Hotel Ritz que fica num ponto estratégico- Sea Point, duas quadras da Beach Road e 2 km do principal ponto turístico, Waterfront e Clock Tower.
Camps Bay é bem badalado, mas os valores das hospedagens são altos. Cape Town é a Bervely Hills da África do Sul. Lugar de gente bonita, muito turista, por isso a gente percebe um pouco da mistura dos povos. Enquanto andávamos pelo País percebi uma separação de culturas. Era claro que quando a cidade era de pessoas brancas tinha um nome inglês ou holandês e quando a cidade era de pessoas negras tinha um nome de origem africana. Nas cidades de origem tribal, não se viam pessoas brancas, mas em cidade de origem dos colonizadores era um pouco mais misturado. É nítida a diferença cultural e a meu ver é o que os separa. No início queria entender aquele país, mas depois achei que pelo pouco tempo que nós ficaríamos não daria para tirar conclusões, então preferi aproveitar ao máximo as suas belezas naturais.

E Cape Town não deixa a desejar. Ficamos quatro dias, mas se pudéssemos ficaríamos mais. Acredito que uns sete dias teríamos aproveitado e curtido muito mais. Por exemplo, não tivemos a oportunidade de fazer o passeio de teleférico da Table Mountain. Devido ao vento eles cancelam os passeios, mas também é possível fazer uma caminhada por trilha até o topo, que demora umas 5 horas para subir e mais ou menos umas 3 horas para descer. No nosso caso fizemos a subida de moto até o limite permitido, mas ventava muito no final da tarde que resolvemos descer e ir para o Signal Hill. Muitas pessoas vão até lá para assistir o por do sol e depois teríamos a felicidade de ver a cidade toda iluminada. Realmente é um lugar incrível!
Teve um dia que resolvemos andar de moto o dia todo. Saímos do hotel, Sea Point, e fomos até Hout Bay pela Victoria Road. O visual é incrível. São 23 km margeando o oceano atlântico admirando paisagens que nos faziam parar o tempo todo para fotografar.
Almoçamos no Mariner's Wharf Fish Market, deliciosos frutos do mar.

O mais incrível foi o que aconteceu em relação à Ilha de Robben, local onde Mandela ficou preso por muitos anos. Ingressos disponíveis só para dia 20 de janeiro e ainda era 21 de dezembro. Impossível visitá-la, principalmente porque aquela semana foi a que Mandela foi enterrado. Imagina o número de turistas. No guichê do museu minha cara era de pura tristeza. Tanto tempo planejando visitar a ilha e não nos preocupamos em comprar os ingressos com antecedência. Não tinha mais nem pelo site. Quando a moça da recepção me viu quase chorando, perguntou se eu estava sozinha e o que estava acontecendo. Expliquei que tinha vindo do Brasil e não imaginava que não faria o passeio e que eu estava realmente muito triste por causa disso. Ela me perguntou quem iria e eu disse que só eu e meu marido, então ela abriu a gaveta e tinha dois ingressos que poderia me vender. Não acreditei quando vi aquela cena, chamei o Zé Carlos rápido e expliquei o que estava acontecendo. Falei para a moça que dependeria do valor que fosse os ingressos eu ficaria com eles. Fiquei pasma quando ela cobrou o mesmo preço que era vendido na bilheteria. Tão acostumada com os cambistas do Brasil, me surpreendi quando ela me disse ZAR 250,00, que corresponde a R$ 54,00 cada. Me emocionei e fiquei com os ingressos, mas antes lhe mostrei o adesivo que fizemos para colocar no capacete "We Love Madiba". Ela ficou tão encantada que chamou outras pessoas para ver. Realmente era para ser nosso, porque estes ingressos tinham sido comprados pela internet dois meses antes e só estavam esperando nós chegarmos para adquiri-los. Isso me lembra uma frase de Mandela: "It always seems impossible until it´s done” (parece ser impossível até ser feito). Isso não é incrível? O passeio é bem interessante. São 50 minutos de barco e da ilha podemos ver toda a Cidade do Cabo. O presídio está inativo e percebemos que não está original como descrito no livro. Pelo menos está conservado e eles criaram uma infraestrutura para receber os turistas.
Não poderia deixar de dizer que Water Front é um lugar lindo para passar o dia. Muitas lojas, museus, artistas de ruas, passeios de barco, restaurantes e shoppings. Comprar artesanato na África é comprar arte, tudo é lindo, dá vontade de ficar com tudo e olha que eu não sou consumista. Eles não economizam em cores. É tudo muito alegre de se ver, realmente me encanta. Já à noite em Water Front, não tem quase movimento, os turistas se dividem entre os restaurantes e baladas da cidade.

Ficaria horas digitando sobre as belezas de Cape Town, mas pelo visto já escrevi muito. Melhor do que ler todos os meus relatos é você se organizar e realizar esta viagem. Sei que deve ter faltado muito para conhecer, mas o simples fato de ter realizado este sonho foi uma das melhores experiências da minha vida.

Tenho certeza que Nelson Mandela nos acompanhou em toda viagem. Ele queria que víssemos as belezas e riquezas de seu País. Agora entendo a sua luta.
Para que possamos ver com bons olhos, temos que deixar de lado a discriminação, o preconceito e ver o que realmente tem que ser visto, a beleza do próximo, o lado bom da vida, a riqueza que Deus colocou no mundo e que pertence a todos, sem distinção. Igualdade, liberdade e esperança é o que nos move e é este movimento que procuro colocar na minha vida, melhor ainda na garupa de uma moto.

Syabonga.


 

 

Viagem Realizada
11/12/2013 a 25/12/2013
Quilometros Rodados
4.500 km
Despesa Combustível
Dolar Americano 186,0$
Despesa Alimentação
Dolar Americano 18,0$ por refeição para duas pessoas
Despesa Hospedagem
Dolar Americano 55,0$ -Media diária hotel três estrelas
Aluguel de Moto

BMW GS 800 - 7+ dias - Dolar Americano 105,0$ (diária)
www.motoberlin.com
Aluguel de motos e acessórios - unidade em Johannesburg e Cape Town

Sites Pesquisados


www.google.co.za

www.kapama.co.za - Safari
www.webtickets.co.za - Venda de ingresso Ilha de Robben
www.motoberlin.com

Roteiro
CIDADE
CIDADE
*Dist. KM
ROTA
CIDADES PRÓXIMAS
Johannesburg
Lyndenburg
350
R4
Belfest / Dullstroom
Lyndenburg
Hoedspruit
150
R36 / R533
Sabie / Pilgrim Rest/
Graskop/Gohrigstad
Hoedspruit
Mbabane
340
R40 / RM3
Nespruit / Barberton/
Bulembu / Piggs peak / Mbabane
Mbabane
Durban
530
N2
Manzini / Big Bend/
Richard´s Bay
Durban
East London
655
N2
Port Shepstone / Kokstad /
Mthatha / Qunu
East London
Oudtshoorn
680
N2
Port Elizabeth / Knysna / George
Oudtshoorn
Riviersonderend
310
R 328 / N2
De Rust / Prince Albert /
Mossel Bay / Albertinia /
Riviersonderend
Cape Town
160
N2

Caledon /Garden Route/
Gordon Bay

* 1.325km foram rodados em passeios realizados pelas cidades e pontos turísticos.
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